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Marx faz alerta ao proletariado em análise das revoluções

franca

Na “Carta do Comitê Central à Liga dos Comunistas”, Marx e Engels, com base nas lições das revoluções européias de 1848-50, apontam a necessidade da reorganização da Liga dos Comunistas de forma autônoma e contra as palavras de ordem burguesas e pequeno-burguesas. A seguir, trechos deste documento.

Nos dois anos de revolução, 1848-49, a Liga afirmou-se duplamente; por um lado, porque os seus membros interviram energicamente no movimento por toda a parte, na imprensa, nas barricadas e campos de batalha, à frente nas fileiras do proletariado, da única classe decididamente revolucionária. A Liga afirmou-se, além disso, pelo fato de sua concepção do movimento, tal como foi exposta nas circulares dos congressos e da Direção Central de 1847, assim como no Manifesto Comunista, ter-se mostrado a única correta; pelo fato de as expectativas formuladas nesses documentos terem-se plenamente realizado.

Ao mesmo tempo, a sólida organização inicial da Liga enfraqueceu significamente. Uma grande parte dos membros, que participou diretamente do movimento revolucionário, acreditou que passara o tempo das sociedades secretas e que bastava a ação pública.


De fato, foram os burgueses que logo após o movimento de março de 1848 tomaram conta do poder do Estado e se serviram desse poder para empurrar imediatamente os operários, seus aliados na luta, para anterior posição de oprimidos.

É esta a relação do partido operário revolucionário com a democracia pequeno-burguesa: está com ela contra a fração cuja queda ele tem em vista, opõe-se-lhe em tudo o que ela pretende para se consolidar a si mesma. Os pequeno-burgueses democratas, muito longe de pretenderem resolver toda a sociedade em benefício dos proletários revolucionários, aspiram a uma alteração das condições sociais que lhes torne tão suportável e cômoda quanto possível a sociedade existente.

Para realizarem tudo isto, necessitam de uma Constituição democrática, seja ela [monárquica] constitucional ou republicana, que lhes dê a maioria, a eles e aos seus aliados, os camponeses, e de uma organização comunal democrática que ponha nas suas mãos o controle direto da propriedade comunal e uma série de funções atualmente exercidas pelos burocratas.

No que se refere aos operários assalariados, apenas desejando os pequeno-burgueses democratas que os operários tenham melhor salário e uma existência mais assegurada; esperam eles conseguir isto [confiando], em parte, ao Estado a ocupação dos operários e através de medidas de beneficência; numa palavra, esperam subornar os operários com esmolas mais ou menos disfarçadas e quebrar a sua força revolucionária tornando-lhes momentaneamente suportável a situação.

Mas estas reivindicações não podem bastar de modo algum ao partido do proletariado. Para nós não pode tratar-se da transformação da propriedade privada, mas apenas do seu aniquilamento, não pode tratar-se de encobrir oposições de classes, mas de suprimir as classes, nem de aperfeiçoar a sociedade existente, mas de fundar uma nova.

Têm de trabalhar (o proletariado) então para que a imediata efervescência revolucionária não seja de novo logo reprimida após a vitória. Pelo contrário, têm de mantê-la viva por tanto tempo quanto possível.

Durante a luta e depois da luta, os operários têm de apresentar em todas as oportunidades as suas reivindicações próprias a par das reivindicações dos democratas se prepararem para tomar em mãos o poder. Se necessário, têm de obter pela força essas garantias. Liquidação da influência dos democratas burgueses sobre os operários; organização imediata, autônoma e armada dos operários; obtenção das condições mais dificultosas e compromissórias possível para a inevitável dominação temporária da democracia burguesa – tais são os pontos principais que o proletariado, e portanto a Liga, devem ter presentes durante e após a insurreição.

Não devem, neste processo, deixar-se iludir pelas frases dos democratas, como por exemplo, que assim se divide o partido democrático e se dá à reação a possibilidade da vitória. Com todas essas frases, o que se visa é que o proletariado seja mistificado.

Mas têm de serem eles próprios a fazer o máximo pela sua vitória final, esclarecendo-se sobre os seus interesses de classe, tomando quanto antes a sua posição de partido autônomo, não se deixando um só instante induzir em erro pelas frases hipócritas dos pequeno-burgueses democratas quanto à organização independente do partido do proletariado. O seu grito de batalha tem de ser: a revolução em permanência.


 

 




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