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Viva o 5 de maio

Marx

 

No dia 5 de maio de 1818 nascia na cidade de Treves, na Alemanha, Karl Heinrich Marx – Karl Marx, o homem a quem a classe operária de todo o mundo mais deve, segundo palavras de Friedrich Engels, seu camarada de lutas e ideais. Marx morreu em 14 de março de 1883 em seu exílio em Londres. Hoje, a apenas dois anos do seu bicentenário, Marx permanece vivo e presente no coração e nas mentes de revolucionários de todo o mundo. O Movimento Marxista 5 de Maio/MM5 vem solenemente prestar modesta homenagem ao revolucionário cuja data de nascimento marca nossa denominação. Modesta homenagem porque qualquer homenagem, por maior que venha a ser, sempre será modesta diante da grandeza revolucionária de Marx. São muitos os heróis do proletariado que deram sua vida e sua morte pelo comunismo. E aqui os homenageamos também, a todos, em todos os cantos do mundo. Segundo o poeta Bertold Brecht são únicos e insubstituíveis os homens que lutam o tempo todo. Marx e foi e é um destes.

Marx passou a viver em Londres a partir de meados de 1849 não em busca de estágios e benesses acadêmicas. Marx foi parar na capital inglesa após ser escorraçado sucessivamente da própria Alemanha, da França e, por último, da Bélgica por diferentes governos burgueses, assustados todos eles com sua intensa atividade revolucionária naqueles países, que exibiam então os maiores níveis de intensificação das lutas abertas de classes na Europa.

Os ‘marxólogos’ e ‘marxianos’ – acadêmicos pequeno-burgueses que arrotam exclusividade de conhecimento científico da obra teórica de Marx – dão pouco destaque para a atividade prática revolucionária de Marx em seu dia a dia, referindo-se a tal atividade como se tratasse de algo lateral na vida de Marx, algo que citam quase como um favor a Marx. O que não entenderam e jamais vão entender tais ‘marxólogos’ e ‘marxianos’ é que Marx e Engels, por essência de seu próprio método, nunca separariam teoria de prática. A intervenção concreta nas lutas de classes é pressuposto para o conhecimento científico da própria realidade destas lutas de classes. Conhecimento científico este que por sua vez constitui pressuposto para uma prática revolucionária. Lênin – marxista, não ‘marxiano’ nem ‘marxologo’ – sintetizou à perfeição a exigência: sem teoria revolucionária não há prática revolucionária. E com a mesma autoridade poderia ter assegurado: sem prática revolucionária não existe teoria revolucionária. Só de passagem, lembramos aqui ter sido Marx dirigente da Liga dos Comunistas e fundador e principal dirigente da Associação Internacional dos Trabalhadores, a I Internacional.

Marx vive
Ao contrário, pois, daqueles que tomam o marxismo como uma referência teórica geral para análise da realidade, o Movimento Marxista 5 de Maio/MM5 toma o marxismo com uma arma de luta. São palavras do próprio Marx: mais que interpretar o mundo, é preciso mudar o mundo. E o mundo se muda com luta. E a nossa luta hoje tem como meta principal armar o proletariado com a arma mais mortífera de que este proletariado poderá dispor: o marxismo – entendido este marxismo, o verdadeiro marxismo, como o conjunto de propostas programáticas, estratégicas e de linhas táticas formuladas por Marx e seu companheiro Engels, conjunto este sustentado teoricamente em conhecimentos científicos nas áreas das ciências sociais e humanas embasados nos conceitos de materialismo histórico e materialismo dialético igualmente formulados por Marx/Engels.

A burguesia sempre soube que era fundamental para seus interesses destruir Marx tanto física quanto política e teoricamente. No campo teórico geral, já a partir das duas décadas finais do século XIX, os burgueses despejaram moedas e mais moedas nos bolsos de acadêmicos de todo o mundo para fabricarem e/ou reforçarem (pseudo)ciências e campos teóricos de combate marxismo: idealismo, empiriocriticismo, fenomenologia, existencialismo e várias gamas de ‘antropologismos’ e misticismos disfarçados. No campo propriamente político todo um pelotão de pequenos burgueses – Bernstein e Kautsky à frente – levantou já nos anos 90 do século XIX a esfarrapada bandeira de que o marxismo estaria superado, que era preciso revisá-lo. Daí o reformismo clássico, conhecido também por revisionismo.

Quando o marxismo era já dado como derrotado e sepultado, eis que irrompe historicamente a Revolução Russa (outubro de 1917), realizada por um proletariado vanguardeado por um partido declarada e abertamente marxista, na teoria e na prática. Com a derrota da Revolução Russa, provocada pela soma de políticas internas elas mesmas distanciadas do marxismo com uma permanente agressão militar, política e ideológica imperialista, voltam os porta-vozes da burguesia – imprensa e academia unidas em santa cruzada – a vomitarem que o marxismo teria morrido. O mundo mergulha em tempos de pornografia e misticismo.

É neste lodaçal histórico, que implica também uma derrota do reformismo-revisionismo clássico, que ganham terreno no campo do proletariado e aliados duas ideologias políticas antimarxistas originárias do campo da esquerda: o trotsquismo e o gramscianismo. O primeiro se dizendo rigorosamente marxista quando perguntado. Se ninguém pergunta, nada diz a respeito. Prefere dizer-se reivindicar uma teoria (?) original de Trotsky. O segundo, o gramscianismo, diz incorporar uma superação do marxismo a partir de Marx.

Que se diga com todas as letras: a relação do marxismo com estas correntes políticas só pode ser uma relação de antagonismo. Jamais será marxista a formulação trotsquista, da lavra de Trotsky e eixo de seu Programa de Transição, que afirma que o capitalismo teria chegado ao fim, que o modo de produção capitalista não tem mais condições de reproduzir-se de forma ampliada, que não pode fazer crescer a economia capitalista, que não pode mais gerar lucros para a burguesia. Decididamente não é marxista quem afirma, como afirma o trotsquismo, que vivemos (desde 1938 pelos menos, que é quando aprovou seu “Programa de Transição”) um tempo de “revolução permanente”, revolução que apenas não ocorre em razão da ausência de uma direção revolucionária, ou seja, porque os trotsquistas não estão no comando. De outro lado – ou, melhor dizendo, do mesmo lado – os gramscianos, como que envergonhados de seu reformismo inventam toda uma terminologia sofisticada para enfeitar o eixo gradualista-cumulativo-reformista de sua teoria e de sua prática, lançando ao lixo o materialismo histórico.

Não. Ou se é marxista ou se é trotsquista. Ou se é marxista ou se é gramsciano.

Não negamos, pelo contrário reconhecemos e louvamos, a seriedade e a sincera dedicação dos militantes destas correntes à causa do proletariado. Não é isso que está em jogo. Mas temos os marxistas que ter claro, absolutamente claro, que a possibilidade de tornar o marxismo a arma do proletariado para a conquista revolucionária do poder para a instalação de um estado-sociedade socialista de transição ao comunismo somente poderá concretizar-se, tal possibilidade, no desenvolvimento permanente e cotidiano de uma crítica séria e continuada a estas correntes antimarxistas que querem passar por marxistas. Hoje no Brasil, quando despontam sinais de reativação das lutas abertas do proletariado, temos que nos manter firmes na defesa do marxismo e, por consequência, na crítica ao antimarxismo. Não podemos nos deixar seduzir pela espontaneidade do movimento e/ou pelo velho oportunismo da busca de cargos e aparelhamentos. E, sabedores que somos de que seremos taxados de isolacionistas e divisionistas – críticas dirigidas aos marxistas desde que o marxismo é marxismo –, desde já esclarecemos que não nos recusamos nem nos recusaremos a formar frentes táticas, de caráter sindical, com reformistas e trotsquistas. Frentes programáticas e estratégicas, contudo, apenas quando deixarem de ser trotsquistas e gramscianos.

Venceremos!


 

 




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