Logo

O leilão de Libra: Crime cantado como vitória

lira

O leilão de Libra se configura em um dos maiores crimes contra os trabalhadores brasileiros dos últimos tempos, comparável às privatizações de Fernando Henrique Cardoso e às reformas da previdência e do trabalho implementadas pelo senhor Luiz Inácio Lula da Silva. A entrega de grandes reservas de petróleo para o grande capital é apenas uma das faces desta ação criminosa levada adiante pelo governo do PT/PCdoB. Cuidadosamente articulado, o leilão atende aos interesses imperialistas norte-americanos preservando uma aparência social-desenvolvimentista de Dilma e abrindo caminho para entregas ainda maiores das reservas em território brasileiro. 


Com reservas reservas estimadas de 8 bilhões a 12 bilhões de barris de petróleo recuperáveis, Libra se tornou um importante instrumento do governo federal em meio a crise econômica e um objetivo estratégico para os Estados Unidos. Com cada barril custando aproximadamente U$100 e com custo de produção estimado em U$ 20, as empresas participantes estão prontas para um retorno certo e bilionário.

Desde de 2008, o estado brasileiro vem constantemente usando suas reservas para tentar manter as taxas de lucro da burguesia, seja pelo pagamento da divida - que atualmente consume 44,4% de tudo que o estado arrecada -, seja pelo financiamento indireto via isenções de impostos às empresas, ou entregando dinheiro diretamente à burguesia. Tal expediente acabou por reduzir o caixa do governo, que com a entrega de Libra receberá modestos R$15 bilhões (sendo que R$ 6 bilhões foram pagos pela Petrobras e demonstra sua subserviência ao capital. Tal montante tem destino certo, a boca faminta e sedenta da burguesia. 


O objetivo principal da exploração do pré-sal é a exportação do petróleo, o que atende as expectativas dos Estados Unidos, que quer se ver livre da dependência dos países membros da Opep, especialmente da Venezuela, do Equador e do Irã. A Opep controla a maior parte da produção mundial de petróleo e regula a produção para obter um preço mais alto pelos barris. Com a entrada da produção brasileira no mercado internacional, os preços irão cair, beneficiando diretamente os EUA, o maior consumidor mundial. O mesmo interesse motivou a participação de empresas chinesas no consórcio. A participação de empresas privadas indica claramente que o interesse a ser atendido é o do mercado. Mais que um golpe contra os trabalhadores brasileiros, o leilão de libra também é um ataque contra o proletariado da Venezuela e do Equador.

No campo trabalhista, a participação de outras empresas na exploração petrolífera prepara terreno para uma maior exploração da categoria dos petroleiros. O uso de funcionários não concursados e sem estabilidade no emprego nestas companhias é um ataque direto aos trabalhadores do setor. Este modelo e sua extraordinária taxa de lucro será uma ameça constante para a categoria.

A contratação ilegal de estrangeiros, já hoje uma constante em plataformas de outras multinacionais, ganhará maior folego, aumentando as taxas de lucro escapando de fiscalizações trabalhistas e impostos.

O petróleo disponível nas camadas do pré-sal não é uma riqueza ou mesmo uma mercadoria se não for de lá retirado, tratado e distribuído. O uso deste material como combustível só é possível graças à ação direta de milhares de trabalhadores. A apropriação desta riqueza pela burguesia não é realizável senão pelas leis e relações de exploração do capitalismo. E é com o suor destes trabalhadores que se faz o lucro destas empresas. 


O verniz para justificar este crime é ainda mais brutal. Diante das manifestações que tomaram às ruas neste ano, Dilma se apressou em dizer que a verba do pré-sal seria usada na saúde e na educação pública. Ora, qual modelo de saúde e de educação pretende implementar o governo do PT e seus aliados se não um modelo de gestões por meio de “organizações sociais”? A destruição do que resta dos direitos sociais dos trabalhadores será financiado pela riqueza roubada dos próprios trabalhadores. Esta é a triste e cruel lógica do capital. 

A única resposta contra este crime é a luta. A luta nas ruas, ao lado de professores, petroleiros, estudantes, trabalhadores do transporte público e tantos outros trabalhadores que, ao perceberem a exploração de que são vítimas, tomam o caminho do combate à burguesia. Volver – é morte. Só nos resta marchar. Adiante! Venceremos!


 

 




© Copyright 2011 - 2012 www.mmarxista5.org