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O sindicato na lógica burguesa

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Um movimento sindical livre exige centrais independentes e autônomas


Conlutas e Intersindical não romperam com atrelamento à agenda institucional parlamentarista
 

Fenômenos que marcaram o sindicalismo brasileiro sobretudo a partir da década de 90, a burocratização e a parlamentarização das lutas sindicais continuam em voga, e com crescente intensidade, mesmo naquelas centrais que nos últimos anos se apresentaram como ‘alternativa de reorganização’ da classe face à degeneração da CUT. Referimo-nos à Conlutas e Intersindical, nas quais a aparente aposta na ação direta dos trabalhadores encobre na verdade um conjunto de práticas voluntaristas, espontaneístas, hegemonistas e atreladas, mesmo indiretamente, à agenda institucional burguesa. Senão vejamos.

A maioria esmagadora das iniciativas atualmente coordenadas pelos sindicatos filiados a essas duas centrais gira em torno de iniciativas originadas no Congresso ou emcampadas por ele, pelas assembléias legislativas estaduais e câmaras municipais. São, majoritariamente, projetos de lei ou regulamentações de interesse da classe, mas controlados e constantemente adulterados pela lógica parlamentar burguesa, que, por seu poder de atração, leva à inevitável subordinação das agendas sindicais aos ritos processuais do legislativo burguês. Um caso recente foi a marcha nacional do funcionalismo público federal, que, em 28 de março deste ano, levou milhares de servidores a Brasília. O objetivo foi pressionar o Congresso Nacional a aprovar projetos de lei dos quais as reivindicações do funcionalismo dependem para sua implementação. Dada a esperada negativa do Congresso e do governo Dilma (PT) em atender às reivindicações, o resultado, previsível, foi o esvaziamento da mobilização em si mesma, consequência do rebaixamento das lutas dos trabalhadores ao horizonte institucional burguês, que nunca aponta para nada além de si próprio. 


Cumpre ressaltar que, como parte dessa parlamentarização das lutas sindicais do proletariado, temos hoje uma degeneração adicional, que se dá quando os gabinetes parlamentares passam a interferir diretamente na agenda dos sindicatos, chegando ao ponto de definir o caráter e os limites de suas atividades. No Rio de Janeiro, é o que acontece no momento na relação entre deputados estaduais eleitos em 2010 e sindicatos da área da saúde, num atrelamento que despolitiza e engessa as lutas dos trabalhadores, retirando da classe a autonomia tão necessária para o enfrentamento de governos e patrões.


 

 




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