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Primeiro de Maio: dia de luto e de luta!

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No dia primeiro de maio de 1886 os trabalhadores das principais cidades dos Estados Unidos promoveram uma gigantesca onda de paralisações de fábricas e locais de trabalho na luta por uma jornada de oito horas. Então, já há mais de dez anos, o proletariado havia incorporado a jornada das oito horas como bandeira de sua unificação em nível mundial.

Mas foi nos Estados Unidos, de industrialização mais recente e onde os trabalhadores ainda viviam em condições de semi-escravidão literal – não eram raras jornadas de até dezoito horas –, que o movimento alcançou níveis mais agudos de radicalização e confronto. No dia 4 de maio daquele ano, em uma manifestação dos operários na praça Haymarket, em Chicago, uma bomba lançada por desconhecidos causou a morte de um policial e feriu alguns manifestantes.

Foi o pretexto utilizado pela burguesia para criminalizar o movimento pelas oito horas, abrindo um processo contra seus principais líderes. Julgados culpados, em 11 de novembro foram assassinados por enforcamento: Georg Engel, alemão, 50 anos, tipógrafo, Adolf Fischer, alemão, 30 anos, jornalista, Albert Parsons, estadunidense, 39 anos, jornalista, e Hessois Auguste Spies, alemão, 31 anos, jornalista. Louis Linng, alemão, 22 anos, carpinteiro, também condenado à morte, suicidou em sua própria cela para não ser executado.

Estes homens passaram à história como “Os Mártires de Chicago”. Desde o surgimento histórico das sociedades divididas em exploradores e explorados, desde a rebelião de Spartacus e sua crucificação pelo senhores de Roma, podem-se contar aos milhares e aos milhões o número de homens e mulheres que deram sua vida e seu sangue pela libertação dos explorados. No Brasil, na América, no mundo, em todo lugar. Assim como forte e indestrutível é o anseio por justiça e liberdade que habita o coração dos explorados e oprimidos, são infinitas a crueldade e a sede de sangue que povoam a mente dos vampiros escravagistas e capitalistas.

Não é, pois, com festa e samba que temos que comemorar o 1º de Maio. Este é o dia sagrado em que o proletariado mundial traz à memória comum toda a luta simbolizada pela ação dos “Mártires de Chicago” e o luto que representa o sacrifício heróico de todos aqueles que dedicam sua vida e sua morte à libertação dos explorados e oprimidos. Não é o “dia do trabalho”, de conciliação entre explorados e exploradores como quer a burguesia”, mas, sim, o Dia do Trabalhador, o dia mundial daqueles que vivem do próprio suor, de sua própria dignidade.

No Brasil, desde a retomada da democracia, e em linha contrária ao que acontece em praticamente todo o mundo, o 1° de Maio tem sido ‘comemorado’ com festanças, distribuição de prêmios e cantorias em presença de palanques que abrigam vergonhosamente pelegos traidores e burgueses eufóricos, debochados. Com o advento dos governos petistas, esta situação se degenerou a níveis indescritíveis, abjetos, pornográficos.

Um mínimo de consciência, e mesmo de decência, impõe a todos os que pretendemos lutar pela libertação do proletariado uma postura de repúdio aberto e declarado a tais espetáculos dantescos de conciliação de classes, de rendição, de covardia, de traição. É preciso retomar o verdadeiro espírito do Primeiro de Maio – um dia de luto e de luta em honra do proletariado e de seus verdadeiros heróis.

Venceremos!


 

 




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