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Dilma, a outra face da mesma moeda

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Passados dez meses desde sua posse, a presidente Dilma Rousseff vem desenvolvendo calculado esforço para passar a imagem de trabalhadora, honesta, rígida e séria, buscando distanciar-se da fanfarronice burlesca desfilada com inegável sucesso pelo seu antecessor Luís Inácio. O agravamento da crise capitalista mundial e o crescimento de uma percepção geral de que a atual política demagógico-assistencialista caminha para o esgotamento vai certamente exigir da senhora presidente empenho ainda maior para convencer os trabalhadores brasileiros de que é diferente de seu antecessor.

“É preciso mudar para que tudo permaneça igual”, registrou o escritor italiano Giuseppe Tomasi de Lampedusa em referência às estratégias das classes dominantes diante de mudanças conjunturais que ameacem de algum modo seu poder e capacidade de exploração.


TEMPESTADE À VISTA

Se nuvens negras prenunciam tempestades, a burguesia não vacilará em entregar seus preciosos anéis para preservar os dedos. É o caso dos ministros e membros de segundo escalão defenestrados sumariamente pela presidente. Se Luís Inácio foi bonzinho com criminosos do mensalão e notórios assaltantes dos cofres públicos, Dilma assume as vestes de campeã do combate à corrupção. Luís Inácio podia se dar ao luxo de chamar os crimes de estelionato praticados por amigos, correligionários e assessores diretos de meros “erros” – afinal ele navegava em mares mansos de continuado crescimento econômico (medido em lucros da burguesia, como se sabe) e enorme prestígio internacional dados os enormes serviços prestados ao capital mundial. Isto, sem falar na fidelidade canina de uma esquerda “neogramsciana”, em troca, é claro, de cargos, benesses e sinecuras – com raras exceções de iludidos bem intencionados

Mas Luís Inácio da Silva e Dilma Rousseff são iguais. Iguais na adoção da defesa estratégica dos lucros do grande capital como eixo e norte das metas e ações governamentais. E iguais na estratégia de repressão fascistóide aos movimentos de trabalhadores e seus aliados. Na manutenção do arrocho salarial do funcionalismo público. Na manutenção do chamado ‘fator previdenciário’, que condena os trabalhadores à escravidão eterna. Nos projetos de privatização das empresas públicas mais rentáveis – Petrobrás e Correios entre outras

A burguesia pode vangloriar-se de haver tido em Luís Inácio o melhor presidente que seu dinheiro pôde comprar. Se a conjuntura se apresenta diferente, que se instale então um (a) presidente de estilo adaptado aos novos tempos, mas igual e estrategicamente firme na defesa do grande capital. A constatação de Lampedusa é de 1955 e se refere a um episódio histórico de 1860 em seu país. Nunca esteve tão atual quanto no Brasil de hoje.

 


 

 




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