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Maioria da esquerda e centrais sindicais são responsáveis por derrota no parlamento

 

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A política das centrais sindicais e da grande maioria da esquerda brasileira para o combate à reforma da previdência estrutura-se na mobilização da classe trabalhadora para dialogar com deputados federais e senadores. O objetivo político estratégico desses setores oportunistas é o convencimento dos prepostos políticos do capital de que a reforma é prejudicial para o proletariado e de que eles não deveriam votar nela. Ou, ainda pior, encerrado o primeiro turno, propor “interagir” com os 379 deputados que votaram a favor da reforma, para que mudassem o seu voto no segundo turno.

Desprovida da mínima capacidade de análise crítica e de formação teórica que a capacite a decifrar a realidade, a grande maioria da esquerda brasileira acredita, de forma idealista, no diálogo e no consenso, ignorando a histórica impossibilidade do convencimento dos nossos inimigos de classe. Estes, obviamente, operam a favor da constante reestruturação da produção capitalista, na linha do combate à permanente queda das taxas de lucro do capital e da reprodução do capitalismo, sugando o sangue do proletariado como vampiros, como demonstrou Marx n’O Capital.

Chega de enganação, a derrota se avizinha. Perdemos o timing para construir a unificação das forças proletárias que poderiam desequilibrar as forças do poder burguês. O reformismo e o trotskismo – que conformam dois lados da mesma moeda – são os principais responsáveis pelo imobilismo – por razões distintas, mas convergentes, a serem aprofundadas em textos posteriores – que impediu a possibilidade de alterarmos a conjuntura a nosso favor, num momento em que a coesão de governabilidade das frações de classe da burguesia se encontra fragilizada. Lançar nossas greves gerais sobre aquela crise seria como apresentar o passaporte da vitória, carimbado pela história, cuja imagem cristalina de um cenário de intensas e radicalizadas greves e manifestações de rua seria transmitida às gerações futuras, no mínimo como exemplo de como impedir que ladrões oficiais nos roubem a dignidade, a honra e o nosso bem-estar material e espiritual.

Precisamos continuar perseguindo esse cenário imaginário se quisermos livrar o proletariado e sua vanguarda das permanentes frustrações pelas subsequentes derrotas sofridas num campo de batalha da luta de classes, o qual, definitivamente, não nos pertence. Mais uma vez nos confrontamos com esta evidência.

A luta de classes extrainstitucional, campo de batalha historicamente conquistado pela classe trabalhadora, foi abandonado pela grande maioria da esquerda brasileira, que louva religiosamente a democracia como um valor universal, abdicando da utopia e do socialismo como uma realidade histórica e aderindo ao fundamentalismo que a impede de desenvolver o pensamento crítico.

Ela se rendeu à institucionalidade burguesa eleitoreira e vem cavando com as próprias mãos a cova rasa do proletariado brasileiro, aberta com a reforma da previdência – aumento da idade mínima de aposentadoria para 65 anos (homens) e 60 anos (mulheres); corte de 50% das pensões; aumento de 25 anos (homens) e 20 (mulheres) para 35 anos de contribuição de homens e mulheres portadores de deficiência; aumento de idade dos professores, de 55 anos (homens) e 50 anos (mulheres) para 60 anos, homens e mulheres, e 30 anos de contribuição para obter 80% do seu último salário; servidores públicos que se aposentavam aos 60 anos e 35 de trabalho, os homens, e 55 anos e 30 de contribuição, as mulheres, agora terão 60% do salário ao se aposentarem aos 65 anos (homens) e 60 anos (mulheres).

Cem por cento do salário, só para quem completar 40 anos de contribuição comprovada, com carteira assinada ou regime jurídico estatutário. Isto é apenas uma parte do circo de horrores montado contra o proletariado brasileiro, legitimado no parlamento pela esquerda.

O placar devastador de 379 votos contra 131 deve ser tomado como uma humilhação para as inatingíveis pretensões do oportunismo reformista, que acabou legitimando a sangria de bilhões de reais do tesouro federal, sob a forma de emendas parlamentares, como moeda de compra dessa maioria.

Mais do que nunca, frente a estas derrotas que batem às nossas portas, temos que organizar o partido revolucionário do proletariado à luz de um Programa Marxista. A história nos cobra e nos impulsiona para a instalação do socialismo científico e revolucionário, rumo à sociedade livre das classes e da disputa pelo poder, a sociedade da liberdade, da solidariedade, do amor e da fartura coletiva, a sociedade comunista.

Para isso, teremos que dar combate ideológico e político ao reformismo e ao trotskismo e aliar inúmeros elementos da dialética materialista e da política proletária, para reunirmos as condições revolucionárias que poderão nos trazer as vitórias que nos permitirão instalar a produção socialista da existência material dos homens e mulheres trabalhadores. O estado socialista, erguido sobre as cinzas do capitalismo, deverá garantir – à força revolucionária – o estado socialista de direito no qual se obterá "de cada qual segundo as suas possibilidades” e se distribuirá “a cada qual, segundo as suas necessidades" (Marx).

Venceremos!


 

 




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