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Luta contra Bolsonaro tem que ser realizada na perspectiva da revolução socialista

 

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Símbolo e expressão concreta da ascensão da extrema-direita ao poder, a eleição de Jair Bolsonaro (PSL) à presidência da república coloca, para o conjunto da esquerda brasileira, desafio que deve ser enfrentado com organização e preparação de efetiva resistência, sobretudo no plano da frente sindical.

Antes de tudo, porém, é preciso frisar que a eleição de Bolsonaro não significa (nem significará) a instalação de um governo fascista no Brasil, se considerarmos que Bolsonaro não reúne, em seu programa e em suas propostas, o conjunto de elementos que historicamente tipificam um governo de caráter fascista — como a defesa da concepção de estado corporativista, a condição de país imperialista e expansionista (que o Brasil não possui), a existência de uma base proletária e organizada como ponto de apoio, o controle quase absoluto (monopólio) do poderio bélico e do armamento por parte do estado e, mais importante, a iminência de uma crise de dominação com capacidade de abalar a correlação de forças entre burguesia e proletariado, impondo assim a necessidade de um governo abertamente ditatorial e de cunho bonapartista. Não. Bolsonaro não é fascista, embora algumas de suas propostas sejam de cunho protofascista, como a evocação das ideias de pátria, família e propriedade, além da perseguição e/ou desprezo a militantes da esquerda em geral.

Embora a eleição de Bolsonaro não instale um governo propriamente fascista, isto não significa que seu governo será mera continuidade (em atitudes, programas e políticas) dos governos burgueses que administraram o Brasil até então. Nada disso. Bolsonaro seguramente buscará ser um governo ainda mais repressor contra os trabalhadores e suas organizações de classe, como sindicatos e associações, intensificando a criminalização de manifestações proletárias. Para isto Bolsonaro leva segura vantagem em relação aos antecessores, na medida em que deverá ser um governo ainda mais militarizado (com presença de altos oficiais das Forças Armadas em postos-chave) e que, para reprimir os trabalhadores, a probabilidade é de que conte com firme apoio de uma das legislaturas mais reacionárias jamais eleitas para o Congresso Nacional, além do judiciário. Tudo isto — é bom lembrar — pode acontecer sob o chamado 'estado democrático de direito´, que permite a criação de progressivos cerceamentos aos trabalhadores e suas organizações, ao contrário do que pensam os ingênuos.

Bolsonaro precisa destruir as organizações de trabalhadores porque o ajuste previsto em seu programa econômico — o ajuste necessário e vital para que a burguesia e o imperialismo aumentem ainda mais a exploração sobre o proletariado e criem assim as condições para um novo ciclo de acumulação capitalista no país — é um dos mais regressivos já propostos nas últimas décadas, fazendo os ajustes anteriores parecerem brincadeiras da primeira infância. Entre outras propostas, Bolsonaro quer privatizar dezenas de estatais, incluindo as do setor elétrico, correios e até mesmo a Petrobras; aprovar a reforma da previdência; demitir servidores públicos em massa e fazer uma nova reforma trabalhista para cortar ainda mais direitos dos trabalhadores.

Como a implementação desse programa ultrarregressivo tende a gerar protestos e descontentamento em nível geral, para Bolsonaro é preciso então destruir preventivamente os sindicatos e centrais sindicais. Nesse sentido, não estão descartadas nem mesmo medidas arbitrárias de seu governo, como a suspensão de repasses e consignações dos trabalhadores aos seus sindicatos, como forma de estrangular financeiramente as entidades sindicais e inviabilizá-las objetivamente como ferramentas de luta.

Isto tudo não significa que Bolsonaro conseguirá efetivamente implementar esse programa, uma vez que é a dinâmica das lutas de classes (e o nível de reação dos trabalhadores) que vai determinar se o governo conseguirá ou não materializar sua ofensiva contra os direitos do proletariado.

No entanto, para quem acha exagerada a avaliação de que o governo Bolsonaro buscará construir ações mais repressivas, basta lembrar que, em pronunciamento feito nas redes sociais uma semana antes do segundo turno das eleições, Bolsonaro reeditou o ‘Brasil, ame-o ou deixo-o’ do governo Médici (1969-1974), quando referiu-se à esquerda brasileira nos seguintes termos: “essa turma, se quiser ficar aqui, vai ter que se colocar sob a lei de todos nós. Ou vão pra fora ou vão para a cadeia. Esses marginais vermelhos serão banidos de nossa pátria”. Já no dia da eleição (28/10), após ter sido confirmada a vitória de Bolsonaro nas urnas, o senador Magno Malta (PR), um de seus aliados, ao aparecer em redes sociais e na TV puxando uma oração de agradecimento, num verdadeiro circo de horrores, disse textualmente: “os tentáculos da esquerda jamais seriam arrancados sem as mãos de Deus’.

Bolsonaro presidente, portanto, não instalará o fascismo nem uma ditadura militar aberta, pelo menos por enquanto, mas seu governo pode ser a antessala para isto, por mais que seus aliados continuem criando rusgas e crises no interior do campo burguês, como a recente declaração de seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), de que ‘para fechar o Supremo Tribunal Federal (STF) seriam necessários apenas um cabo e um soldado’.

Às organizações de esquerda cabe resistir e lutar contra o governo protofascista de Bolsonaro na perspectiva de construção da revolução socialista, e não na perspectiva de ‘salvar’ a democracia. Não na perspectiva de construir uma ‘Frente Democrática Antifascista’, como fez recentemente o PCB em lamentável documento publicado no dia da eleição e como também fazem o PSOL e outras organizações reformistas.

Nós, do Movimento Marxista 5 de Maio (MM5), lutamos pela revolução proletária, pela organização independente do proletariado, dirigido por uma vanguarda marxista-leninista, sem ilusões com a democracia e a luta institucional no campo burguês. E é nesta perspectiva que combatemos e combateremos o governo Bolsonaro.

Venceremos.


 

 




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