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Revolução é a bandeira de luta do proletariado contra seus inimigos de classe

 

PROLETRIOS

O momento histórico vivenciado na atual conjuntura eleitoral poderia ser imensamente bem aproveitado pelo proletariado se a esquerda brasileira ainda guardasse, minimamente, um resquício sequer de estratégia socialista. Apagado de seu programa, o socialismo não figura mais nem como sombra de suas ações, mais das vezes sendo mesmo diretamente por ela combatido com as mesmas argumentações da direita: o de que 'o comunismo acabou'.

A democracia, como sistema de conciliação ideológica, política e cultural de classe, foi incorporada pela esquerda como um valor universal, influenciada pelo gramsciano Carlos Nelson Coutinho em seu famoso artigo "Democracia como valor universal", publicado em 1979.

A esquerda, então, tomou o trem da redemocratização, conduzido pela pequena burguesia e segmentos da burguesia liberal, com destino às liberdades democráticas, à cidadania, ao desenvolvimento econômico, à distribuição de renda, ao direito ao consumo, à inclusão social, à diversidade. Ilusões burguesas e pequeno-burguesas que aprisionam cada vez mais o proletariado aos grilhões da exploração capitalista, à miséria, à superfície do conhecimento científico universal, à violência. É a ditadura do capital.

A propriedade privada não estava ameaçada, ao final da ditadura militar, muito menos o poder político capitalista. O fermento da conciliação e do pacto social de classe que conduziria aquele trem por mais algumas décadas foi a chamada Constituição Cidadã, de 1988.

Mais adiante, houve a domesticação definitiva do PT, que adoçou a amarga realidade do proletariado brasileiro, expressa no acirramento das contradições da democracia e da imersão numa suposta era pós-moderna. A vanguarda da classe trabalhadora brasileira segue, então, o lúgubre canto da sereia que a leva para a escuridão do fundo do oceano e, junto com ela, as esperanças de liberdade e de emancipação histórica.

Agora, que a história já se repetiu enquanto tragédia, culminando com a expressão mais brutal da conciliação, representada pela candidatura Bolsonaro, a esquerda liberal luta pela repetição da história enquanto farsa, como nos demonstrou Marx no 18 Brumário de Luís Bonaparte.

As análises equivocadas que faz a maioria da esquerda sobre a natureza do inimigo e da conjuntura turvam a realidade posta e cegam os militantes, que continuam vendo na democracia uma verdade absoluta. Tanto quanto fazem também os fundamentalistas religiosos em relação a Deus.

As eleições no Brasil não colocam os interesses revolucionários do proletariado como eixo central da batalha. São um instrumento político imprestável para acumular forças para o salto emancipatório, para a liberdade. A organização de base do proletariado não é trabalhada, seus conselhos, suas comunas, ao contrário do que fez e faz o chavismo na Venezuela há 19 anos. Lá, a social-democracia radicalizada dirigida pelo PSUV transforma as eleições democráticas em luta do proletariado contra a extrema-direita fascista. A soberania ideológica proletária, as políticas sociais conquistadas e a defesa militar da pátria bolivariana estão colocadas no eixo central das disputas.

No Brasil, não se pode levantar a bandeira da democracia como oposição aos inimigos de classe. Ao fascismo, protofascismo ou ao nome que se quiser dar aos inimigos, devemos opor o socialismo. Livre de conciliação, se quisermos passar adiante os riquíssimos ensinamentos que Marx, Engels e Lênin deixaram para os proletários de todos os países.

A derrota do inimigo não poderá ser consumada se não identificamos as suas frações de classes, para combatermos, no campo programático, o que ele tem de mais virtuoso: a propriedade privada.

Lênin aponta, no seu 'Que Fazer', como devemos construir uma vanguarda formada na teoria revolucionária, disciplinada e capaz de analisar a luta de classes e suas vertentes legais e clandestinas, institucionais e extrainstitucionais, pacíficas e militares. A dialética materialista se fazendo viva.

O socialismo deve ser entendido da forma como demonstra Marx no 'Crítica ao Programa de Götha': ainda um sistema de classes, com um estado proletário forte, cuja legislação e políticas devem ser direcionadas à extinção da divisão social do trabalho, à extensão às massas proletárias do conhecimento científico e da riqueza produzida, ao fim da exploração da força de trabalho humana, ao combate sem tréguas a toda e qualquer forma de opressão, ao fortalecimento das forças militares revolucionárias e à união cívico-militar.

As profundas contradições que ora vivenciamos neste ciclo democrático estão desvelando o fracionamento das forças dominantes e suas instituições. As recentes invasões de TREs estaduais em diversas universidades públicas, desautorizadas posteriormente pelas instituições superiores do judiciário nacional, expressam bem esta contradição.

O recente decreto 9.527, que cria a Força-Tarefa de Inteligência para combater o crime organizado, pode servir ao combate aos trabalhadores. Já existe na Câmara Federal projeto de lei de modificação da natureza das manifestações públicas dos trabalhadores, que poderão ser consideradas 'atividades terroristas'.

A ruptura da extrema-direita com o pacto republicano e com a conciliação de classes estruturou-se na candidatura deste bestial candidato à presidência. Independentemente do resultado eleitoral deste domingo, 28/10, este segmento de classe representado por Bolsonaro está apoiado por uma nova estrutura de dominação, que fez do judiciário a sua principal trincheira, desde Washington. A sua influência protofascista e neonazista tende a esgarçar ainda mais essas contradições, as quais deverão ser combatidas com organização independente e superior da classe trabalhadora.

A conjuntura atual no Brasil e no mundo está dando o sinal que precisa ser captado pelo proletariado brasileiro: socialismo ou barbárie.

Venceremos!


 

 




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