Movimento Marxista 5 de Maio - Condenação de militantes é ofensiva reacionária burguesa
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Condenação de militantes é ofensiva reacionária burguesa

 

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A recente condenação judicial de 23 militantes que participaram dos protestos contra a Copa da Fifa de 2014 foi mais uma manifestação da ofensiva reacionária e protofascista atualmente movida pelas instituições burguesas brasileiras contra todos os que acreditam que, para fazer avançar as lutas dos trabalhadores, o único caminho possível é apostar nas ações diretas de enfrentamento de governos e patrões, e não na conciliação de classe, em eleições periódicas ou debates estéreis no interior do parlamento.

Podemos afirmar com segurança que, capitaneadas pelo judiciário, as instituições burguesas brasileiras movem uma campanha de perseguição sem precedentes aos movimentos sociais e sindicais. Campanha cujo objetivo é um só: intimidar os trabalhadores e suas organizações de classe, a ponto de desestimular e matar, no nascedouro, qualquer possibilidade de manifestações pautadas pelo ‘choque aberto’ de classes ou pelo enfrentamento com as forças policiais do estado. Daí a infame criminalização dos black blocks, promovida pelos governos já nas manifestações de 2013. E daí as criminalizações subseqüentes, que resultaram na condenação dos 23 militantes a penas que variam de 5 a 13 anos de prisão em regime fechado. O ‘crime’ desses companheiros? denunciar as falcatruas e desmandos de governos e empresas na preparação da Copa de 2014, os superfaturamentos bilionários em obras faraônicas, as odiosas remoções de trabalhadores, o sucateamento de serviços públicos e o saque direto aos cofres do estado promovido pelo grande capital.

Cumpre lembrar que um ano antes da Copa, ou seja, já durante as ‘jornadas de junho’ de 2013, o MM5 foi na época uma das pouquíssimas organizações de esquerda do país a defender não apenas os black blocks, como todos os militantes que, mesmo sem atuarem numa conjuntura revolucionária ou de acordo com um programa revolucionário, se utilizaram de métodos indispensáveis à luta do proletariado contra o aparato do estado burguês e sua máquina repressiva. Na época, contudo, setores da esquerda trosko-reformista e gramsciana, como PSTU e PSOL, não compreenderam nada daquela conjuntura (na verdade, eles nunca compreendem) e prestaram grande desserviço à classe trabalhadora, na medida em que criticaram abertamente os black blocks e seus métodos de luta. Uma lástima. A burguesia agradece.

A criminalização de companheiros que, de alguma forma, lutam contra o capital e sua lógica é a mesma que vem sendo organizada e praticada contra governos socialdemocratas radicalizados e de cunho pró-proletário da América Latina, como os governos Maduro (Venezuela) e Ortega (Nicarágua). Nesses países, manifestações são sucessivamente organizadas pela extrema-direita, com apoio dos trosko-reformistas. Claro. Para eles (trotskistas e reformistas), não existem diferenças entre conjunturas, no tempo ou no espaço. Ou a conjuntura só pode ser revolucionária (caso dos troskos) ou então a conjuntura nunca será revolucionária (caso dos reformistas).  

Como leninistas que somos, pensamos exatamente o contrário. Definimos nossa política não a partir de dogmas ou abstrações, mas a partir da análise concreta de situações concretas, considerando fatores como a correlação de forças entre as classes, o real nível de consciência e organização proletária, a existência (ou não) de um partido revolucionário e sua vanguarda, tendo o marxismo como ferramenta teórica e arma de luta. Enfim, uma série de questões decisivas. Por isso não nos furtamos a fazer alianças, quando necessárias, sobretudo no plano sindical, como um dos movimentos táticos necessários à luta pela concretização de nossos objetivos estratégicos. Alianças com todas as forças que se dispõem a lutar contra governos burgueses e patrões. Alianças como a que fizemos este ano, por exemplo, nas eleições sindicais do Sepe-RJ, formando chapa com PT e PCdoB. Aliança como a que fizemos em 2017, na construção da greve geral contra a reforma da previdência, com participação da CUT e do PT; aliança que fazemos com as forças que lutam pela soltura de Lula; e aliança que faremos com as forças que quiserem se mobilizar pela anulação da infame condenação dos 23 militantes.

Nosso apoio, solidariedade e respeito a Eloisa Samy Santiago, Elisa Quadros Pinto (Sininho), Caio Silva de Souza, Fábio Raposo, Luiz Carlos Rendeiro Júnior, Karlayne Moraes da Silva Pinheiro, Igor Mendes da Silva, Camila Aparecida Rodrigues Jordan, Igor Pereira D’Icarahy, Leonardo Fortini Baroni, Emerson Raphael Oliveira da Fonseca, Rafael Rêgo Barros Caruso, Filipe Proença de Carvalho Moraes, Pedro Guilherme Mascarenhas Freire, Felipe Frieb de Carvalho, Pedro Brandão Maia, Bruno de Sousa Vieira Machado, André de Castro Sanchez Basseres, Joseane Maria Araújo de Freitas, Rebeca Martins de Souza, Gabriel das Silva Marinho, Drean Moraes de Moura e Shirlene Feitoza da Fonseca.

Venceremos!


 

 




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