Movimento Marxista 5 de Maio - A crise da burguesia brasileira e o oportunismo dos reformistas
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A crise da burguesia brasileira e o oportunismo dos reformistas

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Quando deparado com o quadro político para este ano, em que serão realizadas eleições para presidente, governadores, congresso nacional e assembleias legislativas, o proletariado brasileiro precisa ter cuidado redobrado para não cair no ‘canto da sereia’ das ilusões burguesas e pequeno-burguesas inevitavelmente associadas ao processo eleitoral como um todo, o que pode ofuscar a compreensão dos trabalhadores quanto às reais perspectivas colocadas para as lutas de classes, dentro e fora do país.

 

A primeira dessas ilusões é a de fazer crer que, na democracia, ou seja, por meio do voto direto, seja possível aos trabalhadores decidirem alguma coisa. É que as regras da democracia exigem que exista a aparência de uma verdadeira e decisiva escolha. Mas isto não é possível, por mais que reformistas e neogramscianos tentem nos convencer do contrário. Além de não permitir qualquer modificação decisiva nas relações de poder e na correlação de forças entre as classes no interior das formações sociais capitalistas, a democracia reifica e legitima (constantemente, frisamos) a mesma institucionalidade que, na prática, continuará assegurando a contínua exploração e opressão do proletariado.

 

Outra ilusão fabricada pela ideologia burguesa é a de produzir o falso entendimento, ou representação, de que a gerência do estado se faz de forma separada da dominação econômica. Em outras palavras, como se o estado fosse ‘neutro’ e como se suas movimentações políticas estivessem ‘desvinculadas’ da conjuntura econômica.

 

Como sabemos, uma das leis gerais do capitalismo, conforme formulou Marx, é que nesse modo de produção existe uma tendência geral para a queda nas taxas de lucro, queda esta associada ao constante desenvolvimento de suas forças produtivas e à contradição entre essas forças e as relações de produção vigentes. Crise que, em linhas gerais, afeta a reprodutibilidade do capital e que, em cada formação social específica, assume graus, formas e intensidades diferenciados, dependendo da correlação de forças entre as classes (proletariado e burguesia) em luta, do nível de consciência, organização e mobilização do proletariado, do grau de crise inter-burguesa e da própria complexidade das estruturas do estado burguês, entre outros fatores.

 

No caso brasileiro, as recentes movimentações político-eleitorais — tanto no campo burguês quanto no dos trabalhadores — expressam concretamente o conjunto dessas especificidades e, indiretamente, são a forma como a crise geral capitalista se materializa politica e ideologicamente em nossa formação social. Pois, ao contrário do que pensam os trotskistas, não existe capitalismo como 'abstração', mas capitalismo sempre materializado numa formação social específica.


De um lado, temos no Brasil uma burguesia em crise com a divisão de suas frações de classe e a dificuldade de construir uma ‘candidatura de consenso’. Uma candidatura que, no campo burguês, possa aprofundar as reformas que assegurem um aumento da exploração do proletariado e a abertura de mercado ao capital privado. De outro, uma esquerda marcada pelo mais puro oportunismo político e parametrizada ideologicamente pelas concepções trosko-reformistas e neogramscianas.

 

No campo propriamente burguês, as disputas se dão, até o presente momento, entre Henrique Meirelles (PMDB), Geraldo Alckmin (PSDB), Ciro Gomes (PDT), Marina (Rede) e o protofascista Jair Bolsonaro (PSL). Este último, embora esteja longe de ser ‘consensual’ no campo burguês, poderá sim vir a ser ‘adotado’ por este campo, caso a burguesia chegue à eleição de outubro sem alternativas. É preciso lembrar que a truculência, o autoritarismo, o genocídio e o fascismo nunca foram corpos estranhos à dominação capitalista, como o provam inúmeros exemplos históricos.

 

O PT, por sua vez, insiste na candidatura Lula, mas a recente confusão iniciada pela decisão de soltura do ex-presidente por um desembargador plantonista do TRF4 serviu apenas para aumentar a indisposição entre Lula e o  poder judiciário, dificultando ainda mais as movimentações dessa candidatura. Do ponto de vista programático, o PT ainda busca um tom político para tentar ‘voltar’ ao poder, buscando não se indispor demais nem contra a burguesia, nem contra os trabalhadores. Uma linha, em suma, impossível de ser praticada, pois é impossível ‘governar para todos’ (burguesia e proletariado) ao mesmo tempo, como demonstrado pela própria experiência petista de governo.

 

No campo da ‘esquerda’, a candidatura de Guilherme Boulos (PSOL) é a expressão do mais desbragado e cínico oportunismo que se possa conceber. É a manifestação da típica ideologia pequeno-burguesa, baseada na legitimação da institucionalidade, na despolitização, no individualismo e na negação concreta da luta de classes, na medida em que prioriza pautas fragmentárias e centradas nos interesses de minorias — tais como as lutas de gênero e raça —, em detrimento da real contradição entre burguesia e proletariado. Nem o PT, com todos os seus desvios reformistas e burocráticos, foi tão longe quanto Boulos e o PSOL. O PT, ao menos, teve origem proletária, coisa que o PSOL jamais terá.

 

Quanto à candidatura de Manuela D’ávila pelo PCdoB, apenas expõe a total degeneração desse partido, que não se envergonha de tentar enlamear a simbologia comunista ao empunhar a foice e o martelo e ao reivindicar a aliança com a burguesia como ‘saída’ para a crise. O PCdoB não se envergonha de ser linha auxiliar da política burguesa, o que faz sem qualquer cerimônia, em troca de migalhas (cargos e mandatos) no aparato do estado burguês, como ‘recompensa’ por seus serviços sujos.

 

Cabe a nós, marxistas e revolucionários, repudiar e denunciar essas ilusões e sinalizar ao proletariado que é possível romper com o capitalismo sem a busca por subterfúgios reformistas ou ilusões com a democracia. Temos que organizar a revolta, alimentar o inconformismo, desfazer os medos e angústias causados pelo capital. Não nos deixamos levar pelas aparências do capitalismo e isso nos faz a única força realmente capaz de derrocar essa forma societária fundada na exploração do homem pelo homem.


Seguimos na luta, guiados pela esperança de fazer nascer um novo amanhã. Venceremos.

 


 

 




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