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Desistência de Barbosa reduz opções da burguesia

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A desistência do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa de disputar a presidência da república nas eleições gerais deste ano aumenta ainda mais as dificuldades do campo burguês para a construção de uma candidatura com efetivas possibilidades de vencer o pleito de outubro próximo, em que pese o fato de o ex-presidente Lula estar, pelo menos por enquanto, ‘fora da disputa’. Com 9% das intenções de voto apurados por recentes pesquisas, Barbosa seria na atual conjuntura a ‘cartada ideal’ da burguesia para, no pleito deste ano, iludir parcelas bastante expressivas dos eleitores brasileiros: candidato negro, de origem pobre, com a imagem construída em torno da ‘luta contra a corrupção’ e sem o tradicional desgaste atribuído aos políticos profissionais. Um verdadeiro ‘achado’, dada a rejeição do eleitorado a outras candidaturas burguesas como as de Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT), Alckmin (PSDB) e a do eterno golpista Michel Temer (PMDB).

Ao contrário do que possa parecer, e apesar de liderar as pesquisas de intenção de votos nos cenários em que o ex-presidente Lula está fora da disputa, a candidatura de extrema-direita e protofascista de Jair Bolsonaro não teve, até o presente momento, capacidade de unificar e criar suficiente coesão entre a maioria das frações de classe que hoje compõem o conjunto da burguesia brasileira (como agronegócio, bancos, federações de indústrias, grandes complexos exportadores e parcela expressiva do setor de serviços). E tudo leva a crer que dificilmente poderá sê-lo, entre outras razões, pela simbologia negativa assumida por Bolsonaro a partir de sua ‘associação’ a inomináveis violências praticadas pelo regime militar, do qual é um dos maiores apologistas, e a uma suposta ‘ameaça à democracia’ representada por sua candidatura. Nunca é demais lembrar que no Brasil e na maior parte do mundo ocidental, sob a atual conjuntura, a democracia ainda é a forma preferida de dominação utilizada pela burguesia, tanto concreta quanto simbolicamente, pois é por meio da democracia que são legitimadas as instituições burguesas e seus aparelhos ideológicos e repressivos. E é por meio da democracia que se dá ao proletariado a ilusão de que ele (proletariado) decide efetivamente alguma coisa por meio do voto. Mas não decide.

Claro que, se for necessário à reprodutibilidade de sua dominação, a burguesia não hesitará por um segundo sequer em instituir formas de governo abertamente ditatoriais, como já exaustivamente demonstrado pelos exemplos históricos do nazifascismo e de sucessivos golpes de estado aplicados contra governos de corte nacional e/ou anti-imperialista, no Brasil, América Latina, África e Ásia. Daí, e ao contrário do que irrefletidamente vem sendo afirmado por alguns setores da esquerda brasileira, ser pouco provável a possibilidade de adiamento ou não realização das eleições deste ano. E por quê? Porque, mesmo diante de grandes dificuldades para construir uma candidatura de consenso para as eleições deste ano, a burguesia não precisa neste momento de uma ditadura aberta ou golpe de estado para manter sua dominação, com ou sem governo bonapartista, inclusive porque não há efetivamente, no cenário político, um choque aberto de classes (burguesia X proletariado) que ‘justifique’ na lógica burguesa a quebra de sua própria institucionalidade.

As dificuldades da burguesia para construir uma candidatura única e de consenso entre suas frações de classe, porém, vêm sendo contrabalançadas pelo caráter cada vez mais institucional e domesticado do PT e da própria esquerda brasileira, em geral. No caso do PT, embora sua direção nacional pretenda lançar Lula como uma espécie de ‘anticandidato’, provavelmente tal candidatura será indeferida em agosto pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). E muito provavelmente este também será o ‘limite’ de atuação do PT nas eleições deste ano. Ou seja: que não se espere do PT um questionamento, mesmo superficial, à lógica do processo eleitoral ou então palavras de ordem do tipo ‘eleição sem Lula é fraude’. Afinal, seus candidatos a governos estaduais e suas bancadas parlamentares na Câmara e Senado não estão dispostos a ‘desqualificar’ um processo eleitoral do qual dependem decisivamente para sua própria sobrevivência junto aos aparatos e superestruturas do estado burguês. Mesmo na hipótese de Lula vir a ter sua candidatura homologada pelo TSE, dificilmente (repetimos, dificilmente), dados os compromissos já assumidos pelo PT junto à institucionalidade burguesa, teríamos uma campanha minimamente radicalizada ou com base em um programa social-democrata. E menos ainda proletário.

Quanto a PSTU, PCdoB e PSOL, são partidos cujas atuações vêm sendo nefastas para o conjunto do proletariado brasileiro. De um lado, o trotskismo do PSTU, cujas concepções antimarxistas e antiproletárias (anti-materialistas, portanto) o impedem de compreender e analisar qualquer conjuntura e, portanto, de definir uma política consequente para o proletariado. De outro, PCdoB e PSOL, cujo oportunismo e compromisso com a institucionalidade torna-os instrumentos de afirmação cada vez maior da ideologia burguesa no seio da classe trabalhadora. No caso do PSOL, isto é ainda mais grave devido ao caráter ostensivamente pequeno-burguês desse partido, cujas agendas de lutas ‘pós-modernas’ negam que a contradição burguesia X proletariado seja a contradição principal da sociedade capitalista, substituindo-a por lutas fragmentárias baseadas em raça e gênero e sem qualquer conexão com as situações de classe. Em outras palavras, sem qualquer materialidade. A burguesia agradece.

Ao proletariado, cabe não se iludir com essas falsas opções burguesas e reafirmar a luta de classes como o motor da história, tendo o marxismo como ferramenta teórica e arma de luta contra a burguesia.

Venceremos!

 

 

 


 

 




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