Movimento Marxista 5 de Maio - A prisão de Lula
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A prisão de Lula

 

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Deixando claro desde já: o Movimento Marxista 5 de Maio-MM5 denuncia a prisão do ex-presidente Lula e se posiciona firmemente contra a mesma, conclamando todas as forças da esquerda brasileira a se mobilizarem para a libertação do ex-presidente. Para quem não se prende a catecismos e dogmas messiânicos, o de que se trata é que estamos frente a uma clara, ostensiva e provocativa iniciativa da repressão do estado burguês contra um líder real do proletariado brasileiro, quer se chame Lula ou não, quer tenha sido presidente da República ou não, quer seja candidato à presidência da República ou não.

Ainda na condição de Tendência Proletária do PT, em agosto de 2002 nós deliberamos pela saída do partido frente à famosa “Carta aos Brasileiros”, documento em que a então candidatura Lula à presidência assumia claros compromissos com a burguesia de “não rever contratos”, ou seja, de não tocar nos interesses do grande capital caso fosse vitoriosa nas eleições presidenciais do final daquele ano. Nosso grupo, integrado inclusive por alguns dos militantes que tinham participado ativamente da fundação do PT, já vinha de algum tempo até então somando críticas abertas ao processo de descaracterização do partido enquanto um partido realmente de trabalhadores. E a publicação daquela “Carta” colocou o alinhamento com a burguesia em termos insustentáveis à nossa presença no partido.

E logo que assumiu o poder, já em janeiro de 2003, Lula disparou um forte sinal de que cumpriria o prometido ao capital: nomeou o banqueiro Henrique Meirelles (este mesmo...) presidente do Banco Central. Meirelles, como se sabe, ocupara a presidência de um grande banco internacional de investimentos. Palavra dada, palavra cumprida. E assim foi feito durante todos os dois mandatos de Lula. Ao lado de alguns benefícios aos trabalhadores, a burguesia acumulou naquele período de oito anos os estratosféricos lucros a que se referiu Lula quando afirmou que o empresariado nunca lucrara tanto quanto em seu governo. Verdade.

Não foram poucos, pelo contrário, os documentos de agitação e propaganda em que denunciávamos os governos Lula e Dilma como a serviço da burguesia, configurando uma espécie de ‘social-liberalismo’, o que era feito enfaticamente também em nossas intervenções pessoais em assembleias, manifestações e greves. Ao adotar aqui o engajamento na campanha nacional pela libertação de Lula, não estamos fazendo em absoluto qualquer autocrítica da linha de combate aos governos petistas que adotamos então.

Então, o que mudou? Resposta: a conjuntura. Ou seja, o conjunto de fatos e fatores que determinam alterações no comportamento das classes sociais e dos estados. Falar em conjuntura é falar em materialismo, em determinação de corações e mentes pelo real, pelo material. É falar em materialismo, em dialética materialista, em marxismo, em leninismo. É por isso que a palavra conjuntura foi expulsa do vocabulário trotskista, um já gasto e amarelecido linguajar fundado em ilusões e pretensões messiânicas de uma ‘teoria’ histórica de indisfarçável corte hegeliano-fukuyamista do fim da história, no caso, de autoesgotamento sistêmico do capitalismo, quadro em que caberia à vanguarda (eles, os trotskistas, claro) apenas tomar o poder, dadas já estrutural e permanentemente as condições objetivas da revolução. Daí, o desaparecimento do conceito de conjuntura neste fétido pântano de voluntarismo e messianismo.

O que mudou? Com a crise capitalista de pagamentos de 2008, o sistema se dá conta de que a única saída de curto e médio prazos era o do aprofundamento da exploração do proletariado a níveis até então insuspeitados. Isso em nível mundial. Os governos socialdemocratas e mesmo social-liberais que emergiran no tempo das pós-ditaduras militares (no caso da América Latina, para ficarmos no nosso continente) não eram mais compatíveis com a acumulação do capital necessário à própria sobrevivência do sistema. E tem início a concretização de toda uma estratégia imperialista de sabotagem e derrubada desses governos. Esses governos e as forças político-sociais que os sustentam e sustentavam, por sua vez, não tinham (como não têm) condições de levar à frente o aprofundamento da exploração e da miséria do proletariado aos níveis exigidos pelo capital em razão da consequência incontornável de perderem suas bases sociais entre os trabalhadores.

Dado o enorme acúmulo de capitais nos governos Lula, nos anos das vacas gordas do enorme avanço dos preços das commodities exportadas pela economia brasileira – aliás, como sintoma anunciador da crise de 2008 –, foi possível ao presidente chamar a crise de 2008 de ‘marolinha’. Já no governo Dilma, a crise chega ao país em forma de tsunami. E Dilma e o PT não podem, como dissemos acima, aprofundar a exploração sob pena de perderem suas bases. Então... despeça-se Dilma, deponha-se Dilma. Que se invente um processo esburacado, pleno de falsidades, para depor Dilma, confiante a burguesia de que poderia contar com um poder judiciário dos mais obedientes e servis já vistos na face da Terra. O novo golpismo imperialista – golpes de estado ou golpes de palácio, este como no caso da deposição de Dilma Rousseff – descobre assim no poder judiciário uma nova e mortal arma em defesa dos interesses imperialistas, do capital imperialista.

Vejamos a conjuntura mais atual. E agora? Fruto da própria crise do capitalismo, em franco andamento, a burguesia tem encontrado grandes dificuldades em escolher um nome para gerenciar seus lucros na presidência da República, dada a espécie de briga-de-foice entre várias correntes corporativas (partidos burgueses) à disposição. Feitas as pesquisas, até o mais bem colocado entre as opções burguesas fica abaixo, bem abaixo, de Lula na corrida presidencial. Então, que se prenda Lula. É preciso amordaçar Lula. É preciso destruir Lula.

É neste quadro que o nome Lula assume uma dimensão representativa dos interesses do proletariado. Como se viu, a conjuntura mudou. Prender Lula, hoje, significa decretar que o proletariado tem que ficar quieto, imóvel. Que o proletariado não pode aspirar à luta por sua sobrevivência econômica e política. Em palavras mais claras: prender Lula hoje significa prender o proletariado, condenar o proletariado ao trabalho escravo.

Ao condenarmos a prisão de Lula e nos comprometermos com a luta por sua libertação não significa que o MM5 tenha optado por votar em Lula nas próximas eleições presidenciais. Que isso fique muito claro. Nossas razões são as expostas claramente neste texto, esperamos. Também não significa que tenhamos escolhido qualquer outro candidato. Aliás, não significa também que já decidimos que vamos participar do processo eleitoral. Poderemos manter a linha do voto nulo. Até o momento não há sinais de que a próxima eleição venha a se constituir em uma eleição proletária, ou seja, em que os objetivos revolucionários do proletariado possam ser postos em cena com possibilidades reais de avanço. E, como afirmamos em nossa última postagem de vídeo, só participaremos de eleições em presença de possibilidades reais de avanço revolucionário do proletariado. Que tudo isso fique tem claro.

Venceremos!

 

 

 

 


 

 




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