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O significado do voto nulo

 

A campanha do candidato Marcelo Freixo (PSOL) à prefeitura do município do Rio de Janeiro decidiu optar pelo caminho da desqualificação do voto nulo em busca da vitória no segundo turno sobre seu desqualificado adversário, o senador Marcelo Crivella, este, um homem abertamente posicionado política e ideologicamente na extrema direita. Dando uma espécie de toque final na escalada recente de rebaixamento da própria campanha, Freixo e a grande maioria de seus apoiadores vêm afirmando que votar nulo agora no segundo turno significaria votar no fascista Marcelo Crivella. Além de objetiva e profundamente equivocado, este juízo/slogan aponta para um tipo de inconsequência política não identificada em toda a trajetória política do deputado Marcelo Freixo até o momento.


Preliminarmente, é bom lembrar que os votos nulos e brancos e as abstenções não são computados entre os votos válidos. Ganha quem obtiver o maior número de votos válidos.

Dito isso, é preciso destacar ainda o abismo ético existente entre os dois candidatos no nível individual. De um lado, um Marcelo Crivella portador de todas as características necessárias à tipificação de um fascista puro sangue: opressor, explorador, covarde, ardiloso, mentiroso, manipulador, obscurantista, oportunista. Do outro lado, oposto, um Marcelo Freixo possuidor de toda uma história de militância em favor dos despossuídos, uma história marcada pela integridade, sinceridade, dedicação, coragem, verdade e desprendimento.

Daí a nossa surpresa diante do slogan. Marcelo Freixo sabe muitíssimo bem que a enorme maioria daqueles que votarão nulo no próximo domingo (algo no mínimo de uns 95% dos que anularão o voto, podemos arriscar sem medo de erro) o farão pela direita: “Político não presta, é tudo ladrão, cada um que cuide de si, o ser humano não tem jeito” etc. A velha cantilena global-rodriguena-fascistoide. Se fossem convencidos a votar válido certa e seguramente votariam igualmente pela direita, votariam em Marcelo Crivella. Alguém séria e sinceramente duvida disso?

O Movimento Marxista 5 de Maio-MM5 propôs, defendeu e propagandeou o voto nulo no primeiro turno. E o fazemos agora também no segundo. Para nós – marxistas – não está em jogo o comportamento ético dos candidatos, não está em jogo o caráter de ninguém. Claro, caráter sempre vai importar, mas não é o caráter dos candidatos o que mais importa na eleição. A pergunta decisiva a se fazer é: o que representam fundamentalmente as candidaturas em relação aos interesses maiores do proletariado?

É este, pois, o critério de avaliação do lugar e papel das candidaturas – não dos candidatos, repetimos. E objetivamente podemos dizer que ambas as candidaturas, mesmo com suas diferenças, se igualam naquilo que mais interessa ao proletariado: são, ambas, candidaturas burguesas. No plano político-ideológico, as duas candidaturas não fazem mais que fortalecer e legitimar a democracia e as farsas eleitorais que a burguesia promove periodicamente – exatamente com o objetivo de fazer o proletariado acreditar na grande mentira de que a democracia significa exercício de poder de decisão pelo proletariado. É preciso lembrar que toda a canalhada do governo Temer foi eleita democraticamente? Que Hitler foi eleito democraticamente?

Aperfeiçoar a democracia? Para ficarmos iguais à França, Estados Unidos, Inglaterra? É esta a ideia? Para instalarmos um ‘socialismo democrático’? Por favor, falemos sério.

Em suas declarações e em seus programas eleitorais, nem no primeiro turno nem agora no segundo, a candidatura Freixo saiu uma vez sequer do trilho democrata-cidadão para falar do antagonismo burguesia x proletariado, para identificar o caráter de classe do estado democrático. Freixo sequer apontou a exploração capitalista como alvo a ser destruído. Pelo contrário, disse que vai trabalhar junto com os ‘empresários’ (leia-se: burgueses).

O fato é que o proletariado enquanto classe não está presente nesta campanha. Trata-se de uma campanha cidadã. Nós marxistas não temos nenhum compromisso com este princípio da institucionalidade burguesa chamado cidadania, que suporta política e ideologicamente a exploração capitalista. Por isso, defendemos, propomos, propagandeamos e votamos nulo.

Venceremos!


 

 




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