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Luta de classe ou chá acadêmico?

 

As inacreditáveis e escandalosas declarações de dirigentes dos assim chamados “movimentos sociais” condenando a atuação dos grupos black blocs nas recentes manifestações contra o governo Temer vêm demonstrar algo que há muito o MM5 vem denunciando: o brutal despreparo da esquerda brasileira para enfrentar o complexo quadro das lutas de classes que se desenha no país desde quando a burguesia decidir demitir Dilma Roussef da gerência do país, optando por um gerente politicamente mais apto a aprofundar a miséria dos trabalhadores ao nível que exige a crise por que passa o capitalismo no Brasil e em todo o mundo. (Ver neste site artigo Extrema Direita Chega ao Poder.)

Pois é mais que certo que os tais “movimentos sociais” não estariam hoje pendurados nas alturas do mais deslavado oportunismo ongueiro proclamando sua fraudulenta pretensão de vanguardear o proletariado brasileiro. Mas o que desgraçadamente vemos da esquerda brasileira é um ruidoso silêncio diante da empáfia destes “movimentos sociais” em sua ação permanente de desqualificação do marxismo e dos próprios grupos de esquerda que atuam no país. Causa indignação a subserviência com que a esquerda brasileira, em sua maioria, se ajoelha e se desmancha em reverências e sorrisos ante estes movimentos – essencialmente pequeno-burgueses, todos. Abrindo mão bisonhamente de seu papel de vanguarda revolucionária do proletariado, submetendo-se a um humilhante e vergonhoso papel seguidista de vagão desta locomotiva pequeno-burguesa que a levará ao abismo. Uma tragédia travestida em comédia.

Nunca foi pretensão nem intenção do MM5 assumir função de guarda ideológico da esquerda. Sabemos – e o temos afirmado de forma repetida – que um debate sério entre as várias correntes que reivindicam o marxismo somente ocorrerá com a radicalização das lutas de classes. Nossa reflexão aqui se dirige, portanto, a quadros que hoje, progressivamente, se aproximam de uma militância de esquerda, a nossos simpatizantes, àqueles com quem trabalhamos juntos nas frentes de luta. O certo é que não podemos nos omitir diante da grave ameaça que representa a hipótese de os novos quadros que emergem do aprofundamento das lutas de classes se vejam lançados à inconsequência de militarem, não em uma organização ou partido comunista como pensavam, mas efetivamente de se colocarem às ordens dos oportunistas donos dos chamados “movimentos sociais”. Que isto fique desde já muito claro.

Muito, muito, para além do que supõem os respeitáveis cidadãos dirigentes destes “movimentos sociais”, os black blocs representam o que há de mais generoso e corajoso que os jovens revolucionários têm a nos ensinar. E não se faz revolução sem generosidade e sem coragem. Sem desprendimento. Não, os black blocs não recebem nada por sua militância, não têm por trás de si as redes de ongs imperialistas a lhes garantirem a segurança e o bem-estar financeiro de que dispõem os referidos mestres movimentistas. Não, eles nada recebem, mas, sim, nos dão exemplo de luta e dedicação em favor dos de baixo.

Um dos aspectos mais abjetos e nauseantes da prática da maioria da esquerda brasileira é a adoção de toda uma postura debiloide e carnavalesca nas manifestações de rua: musiquinhas infantis, cantigas de roda e rimas de berçário fornecem trilha sonora a um humorismo rasteiro, conciliador, envergonhado e sem-vergonha. Resultado: banalização, conciliação, acomodação. Expulsão do espírito de luta do palco da luta.

E esvaziada do espírito de luta a disposição inicial de ir à luta somente pode se encaminhar para a comodidade do voto nas periódicas eleições burguesas. Uma armação diabólica.

Mas é preciso maturidade – vomitam os movimentistas em busca de abrigo para seu oportunismo.

Não, afirmam os black blocs, é preciso fazer presente o espírito de luta, a disposição ao combate, a verdadeira resistência. E nisso estão em valorosa companhia: Karl Marx. Sem qualquer pretensão professoral, reafirmamos, será útil transcrever aqui palavras de Marx – quem sabe talvez as ouçam alguns que, se dizendo marxistas, se põem inadvertidamente a serviço da conciliação e do oportunismo. Diz Marx a respeito da postura a ser adotada pelo proletariado no quadro da luta geral pequena burguesia x burguesia na Alemanha no pós 1849:

Longe de opor-se aos chamados excessos, aos exemplos de vingança popular sobre indivíduos odiados ou edifícios públicos aos quais só se ligam recordações odiosas, não só há que tolerar estes exemplos mas tomar em mãos a sua própria direção.” (Carta do Comitê Central à Liga dos Comunistas.)

Se o proletariado como um todo, se o seu movimento como um todo, ainda não tem condições de avançar diretamente rumo à tomada do poder – ao contrário do que parecem pensar os black blocs –, nada, absolutamente nada, nos autoriza a sinalizar qualquer tipo de conciliação com a burguesia ou com a pequena burguesia. As palavras de Marx são tão claras quanto atuais.
O que temos no Brasil de hoje é uma disputa entre duas facções da burguesia: uma de extrema direita (Temer, Aécio, Bolsonaro etc.) e outra que soma a direita petista/pecedobista com esta pequena burguesia movimentista (PT, PCdoB e o movimentismo). Cabe, pois, ao proletariado e àqueles a ele efetivamente alinhados se colocarem em linha independente a estes campos que lhes são estranhos. Isto, tenha-se muito claro, tanto no campo das consignas gerais quanto nos métodos de luta. Evidentemente, como também coloca Marx em outro trecho do texto acima citado, não se descarta a necessidade e a possibilidade de o proletariado fazer alianças pontuais e localizadas com segmentos da pequena burguesia, como, no caso do Brasil atual, com o PT e o PCdoB, na linha do combate ao governo e às suas políticas miserabilizantes já fartamente anunciadas, na construção de uma Greve Geral.

Evidentemente seria ilusório pedir ou exigir que o movimento como um todo assuma o confronto direto com as forças repressivas nas manifestações de rua. Compreende-se – e é imperativo compreender isso – que as organizações de esquerda não tenham condições de partir para este confronto direto, sob pena de serem dizimadas. Mas nada disso autoriza a condenação dos grupos de jovens combatentes por sua decisão de enfrentar o aparato frente a frente nas ruas e, muito menos, tentar impedir que os mesmos se somem às manifestações organizadas pela esquerda. Fazer isso, seria – e é, como já está sendo – fazer o papel de agente repressor a serviço do estado burguês.

MTST, Povo Sem Medo, Frente Brasil Popular, Central de Movimentos Populares, Luta Pela Democracia. A imprensa burguesa se apressou a publicar declarações dos senhores donos destes movimentos condenando os jovens black blocs, tendo o chefe do Luta pela Democracia afirmado com todas as letras que denunciou, apontando-os, militantes black blocs a policiais militares na manifestação da quarta-feira 31/08 em São Paulo. E a farsa se fez tragédia.

Venceremos!


 

 




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