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Extrema direita chega ao poder

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De lado a necessidade de controlar nossa repugnância diante do risinho sujo, debochado e pornográfico de pilantras e trapaceiros de variados calibres, há muito o que refletir sobre o afastamento provisório imposto pela extrema direita à presidente Dilma Rousseff. Ao contrário do que supõem mentes mais apressadas do campo da esquerda, não estamos diante de um fato desprovido de significação na cena política nacional. Decididamente não se trata de que “todos” seriam iguais. Já há algum tempo o MM5 identificou uma aguda disputa política conjuntural entre direita e extrema direita pela detenção das rédeas do exercício do poder governamental no país. Na direita, até dia 12/5 passado no governo, a frente capitaneada pelo PT ao lado do PCdoB. Na extrema direita, uma articulação um pouco mais ampla comandada por um ajuntamento de ocasião com o DEM, PSDB e PMDB à frente.


O porquê desta disputa tem como pano de fundo a crise por que passa o capitalismo, com quedas mais que significativas de lucros e taxas de lucro em nível mundial. Antes mesmo do início do segundo mandato da presidente Dilma, a extrema direita já percebera que a frente PT/PCdoB não tinha condições políticas de fazer frente à crise do ponto de vista burguês, ou seja, de manter os lucros em níveis compatíveis com a capacidade e a necessidade dos investimentos do capital no país. O fato é que, instalados até então em um quadro conjuntural de expansão econômica, os governos Lula e primeiro governo Dilma puderam manter as políticas compensatórias e os principais direitos conquistados historicamente pelos trabalhadores. Com o aguçamento da crise, o PT teria que aprofundar a exploração sobre os trabalhadores: revogação dos direitos trabalhistas, corte dos direitos previdenciários, extinção do 13º Salário, desmonte dos sistemas públicos de educação e saúde etc. etc. – tudo isso de modo a liberar recursos estatais para, assim, financiar aos tradicionais juros de pai pra filho os negócios da burguesia.

Mas o PT não poderia nem pode operar tais medidas na exata dimensão e urgências exigidas pela crise, já que deste modo o partido perderia inevitavelmente suas bases junto aos trabalhadores, cometendo portanto suicídio político. A burguesia percebeu tudo isso e uma conclusão se lhe impôs: o PT, há muito transformado em um partido de direita, que tão bem servira aos capitalistas já não servia mais para servir. Era preciso uma força política disposta a arrancar as vísceras dos trabalhadores, que lhes sugasses o sangue. E eis que surge a candidatura Aécio Neves – ele próprio um desqualificado filhinho de papai – à eleição presidencial de 2014 como elemento catalisador e aglutinador na formação dessa força política de extrema direita. E já no primeiro dia após o resultado da eleição se iniciam as maquinações em direção ao objetivo de derrubar Dilma/PT/PCdoB. Como ingredientes absolutamente indispensáveis à receita deste bolo protofascista, um sistema judiciário-policial herdado da ditadura e uma grande mídia composta por jornalistas os mais venais de que se tem notícia na história da comunicação social: podres, vendidos, mentirosos, covardes, manipuladores.

Nossas tarefas

Vitoriosa a empreitada da extrema direita, instala-se no Palácio do Planalto o velho manobrista Michel Temer. Golpe de estado? Não, não houve golpe de estado. Acreditamos já haver deixado claro neste espaço que a afirmação de que se preparava um golpe de estado não passava de uma alegação da direita no poder com o objetivo de angariar o apoio de forças entre a população em geral para conter o inegável, é claro, avanço da extrema direita sobre seu governo. Mais que nunca, precisamos ser rigorosos. Um golpe de estado em um estado democrático de direito somente se configura com a derrubada deste estado democrático de direito. No caso concreto, com a substituição deste estado democrático por alguma forma de estado ditatorial de direita. Se algum destes dois estados burgueses (de direito ou de exceção/ditatorial) for derrubado pelos trabalhadores estaremos então diante de uma revolução. Simples assim.

Sim, houve um golpe. Não golpe de estado, mas um golpe palaciano – a que alguns têm chamado de ‘golpe de governo’ – de troca da guarda do comitê gestor dos negócios burgueses, como diria Marx. Mas o país continua e continuará sendo uma democracia até o dia em que ocorra um golpe de estado no sentido rigoroso do conceito. Ou até que o proletariado faça sua revolução.

Mudam as condições da luta do proletariado? Sem dúvida, sem que isto contudo signifique a derrubada da democracia. O novo governo vai criminalizar mais ainda, em níveis superiores, os movimentos sindicais e do proletariado em geral. Vai espancar operários e estudantes. Vai intensificar o assassinato de jovens trabalhadores nas favelas. O novo governo, enfim, vai intensificar a repressão como condição da implantação das medidas necessárias para manter o capitalismo funcionando, dando lucros para a burguesia. Tudo isso sem deixar de ser uma democracia. Também na França, Inglaterra e Bélgica, por exemplo, o proletariado é explorado, oprimido, assassinado. E estes países são democracias sólidas, consolidadas. Aliás, seria cômico se não fosse trágico o fato grande parte – a maior parte – da esquerda no país e no mundo hoje acabar colocando, mesmo sem o dizer, os Estados Unidos e os países da Europa Ocidental como objetivo programático-estratégico de sociedade, em exercício de degradada utopia, já que insiste tal esquerda em busca de consolidar a democracia em seus países. E, horror dos horrores, tal esquerda se diz marxista.

Temos os marxistas pela frente grandes desafios. O primeiro e decisivo deles, o de não nos alinharmos a quaisquer linhas de defesa da democracia ou de busca de democracias quaisquer que sejam. A história já demonstrou à exaustão que defender a democracia, mesmo que por tática – como insistem os mais ingênuos – significa objetivamente alhear-se dos interesses e objetivos do proletariado. Significa alinhar-se a objetivos e metas burgueses e pequeno-burgueses. A história demonstrou isso à exaustão e à custa da luta e da vida dos mais valorosos combatentes pelo proletariado. Temos os marxistas que nos manter firmes em defesa de nossos princípios e objetivos, ou seja, dos objetivos e princípios da luta por uma revolução capaz de instalar um estado e uma sociedade socialistas de transição ao comunismo. Ao comunismo, que fique claro, já que ‘transição ao socialismo’ só existe nos vocabulários reformistas (gramscianismo incluído) e trotsquista. Em lugar nenhum da letra marxista.

Abre-se sem dúvida um período de aguçamento das lutas diretas de classes no país. Neste quadro, temos os comunistas que nos colocarmos ao lado e à frente do proletariado nessas duras lutas que se avizinham em defesa de suas reivindicações e de seus direitos. Vamos à luta em busca da criação de um movimento sindical verdadeiramente independente. Vamos à luta em busca da formação de uma vanguarda proletária no seio mesmo deste proletariado, acumulando forças para, em um quadro conjuntural revolucionário, em uma verdadeira conjuntura revolucionária – e não nessas ‘conjunturas revolucionárias’ que o trotsquismo jura ver em cada esquina –, possamos partir efetivamente para a destruição revolucionária do estado burguês (democrático ou não) e o erguimento de um estado proletário e uma sociedade socialista de transição à única utopia digna deste nome: o comunismo. Venceremos!

Pela independência política, ideológica e política do proletariado!


 

 




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