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Mais uma das velhas manobras de Lula

Longe de ser uma autocrítica, ou até mesmo de serem críticas consequentes, as recentes declarações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que ele, a presidente Dilma Rousseff e o PT estão “no volume morto” e de que o partido “só pensa em cargo, só pensa em emprego, só pensa em ser eleito” não passam de afirmações vazias de quem busca se apropriar da história para fazer valer os interesses dos exploradores de todos os tempos.

Como observou Marx, é preciso despojar toda a veneração ao passado para que a revolução proletária cumpra sua tarefa. Para isso, faz-se necessário, sempre, a desmistificação da história da luta de classes. O que exige disposição ideológica para expor o ponto de vista dos humilhados, oprimidos, explorados. Disposição que, com certeza, não há em Lula, que, poucos dias depois de suas bravatas sobre o PT, reuniu-se com o presidente do senado, Renan Calheiros, para reafirmar a aliança PT com o PMDB, este, como se sabe, um partido sempre articulado em torno de objetivos mesquinhos e interesses fisiológicos próprios ao lumpesinato.


Há muito o PT deixou de ser aquele partido socialdemocrata formado no fogo da luta de classes das greves do ABC paulista no final da década de 1970 para se tornar um partido social-liberal, ainda com base nos movimentos sociais, é verdade, mas que representa abertamente os interesses da burguesia. Portanto, um partido de direita. Haja vista a “Carta aos Brasileiros”: um verdadeiro manifesto de conciliação de classes, assinada pelo próprio Lula em 22 de junho de 2002, poucos meses antes da eleição presidencial daquele ano, que o consagrou.


Nesses treze anos no poder, o PT tem se valido do aparelhamento dos sindicatos, da Central Única dos Trabalhadores e dos movimentos sociais para levar adiante sua política de conciliação. Nos primeiros três mandados tal política foi pautada por uma perversa equação que somava distribuição de migalhas ao proletariado a juros altos e crédito fácil. Como resultado, o grave endividamento lançado às costas do proletariado brasileiro. Bancos e empresas “nunca lucraram tanto”, como declarou o próprio Lula em 2008.


Os juros continuam altos. Entretanto, com o aguçamento da crise do capital instalada em 2008, a burguesia passou a exigir do governo brasileiro a adoção de medidas de austeridade. O chamado ajuste fiscal não passa de um conjunto de medidas que simplesmente suprimem direitos e conquistas dos trabalhadores (FGTS, abono, seguro desemprego, aposentadoria), a exemplo do que o capitalismo vem impondo aos trabalhadores de todo o mundo hoje, como acontece agora mais abertamente na Grécia.


O alinhamento do PT com o capitalismo e o agravamento da crise do capital, com aumento da inflação e do desemprego, aliados a uma ação cada vez mais agressiva e aberta da extrema direita, jogaram o partido num quadro irreversível, ao ponto de Lula, com sua retórica de advogado de porta de cadeia, começar a ensaiar um discurso de crítica ao PT que na verdade não passa de mais uma de suas velhas manobras, agora com o objetivo de salvar o que pode restar do partido de um naufrágio total com vistas à sua própria candidatura em 2018.

Velhaco, Lula sabe que precisa descolar sua imagem do PT para não ter comprometida sua pretensão de disputar as eleições presidenciais de 2018. Por isso, em suas mais recentes bravatas o ex-sindicalista fala em fazer uma “revolução” interna no partido, apropriando-se da história de trabalhadores e militantes de esquerda que um dia acreditaram que o PT pudesse ser um partido revolucionário, como se fosse possível resgatar o partido do lodaçal burguês para o qual foi conduzido pelo o próprio Lula. O que ele não sabe – ou quer esconder – é que a conjuntura em que nasceu o PT é completamente diferente da atual. Como afirmou Marx, a história só se repete como farsa. Aliás, de farsa Lula entende muito bem.

Venceremos!

 


 

 




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