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Crise, reformismo e os ataques aos trabalhadores

O indiscutível aprofundamento da crise econômica dá início a uma série de novos ataques aos trabalhadores no Brasil. As demissões em série nos canteiros de obras e nas fábricas de automóveis são apenas parte dos efeitos da crise. Como sabemos, o estado de uma sociedade capitalista é um agente que defende os interesses da burguesia. Seu comportamento e a intensidade com que vai atacar os trabalhadores dependem principalmente da força e organização do proletariado para enfrentar seus inimigos de classe.


Os marxistas devemos ter clareza de nossa atual situação para melhor nos organizarmos na luta contra o capital. Contra os trabalhadores pesam os muitos anos da predominância do reformismo – inclusive em sua forma atual gramsciana - na esquerda, elementos que serviram para desmobilizar os trabalhadores, retirando-os de nosso principal campo de luta. Trilhando o caminho da inserção no estado por meio das eleições, sempre guiados pelo horizonte democrático e constitucional, reformistas de todos os matizes descartam a revolução proletária. Como maior exemplo do destino final desta linha de conciliação política temos o PT, que abandonou pelo caminho reformista sonhos mínimos de transformação e se entregou ao papel de gerente da burguesia. Não podemos sequer dizer que o PT é hoje um partido acomodado no interior do estado burguês, pois hoje é um partido empenhado em atacar os trabalhadores para melhor servir o capital, sendo hoje rigorosamente um partido de direita.


Como marxistas pretendemos deixar claro que não vemos a trajetória do PT como efeito de eventuais desvios de caráter de seus membros e dirigentes, mas como o resultado concreto da linha política adotada pelo partido. Desvios de verbas, propinas, corrupção, caixas dois e tantos outros são apenas consequências de se tornar um agente do capital. Para nós marxistas estas são questões menores. O grave da atuação deste partido se concretiza na desmobilização da classe trabalhadora.


Foi justamente a ligação do PT com os sindicatos e entidades classistas que permitiu um maior ataque aos direitos do proletariado. As mudanças na previdência, na aposentadoria e nas regulações trabalhistas dos últimos doze anos foram todas elas contra o proletariado. Mudanças feitas por um partido que se intitula representante dos trabalhadores.


Hoje parte dos sindicatos do país se encontra aparelhado por um grupo político que defende não os interesses do proletariado, mas de um partido de direita. São portanto agentes diretos e indiretos dos ataques feitos contra os trabalhadores. Isso levou a um descredito e consequente esvaziamento das representações classistas do proletariado.


Não defendemos a tese de que todos os problemas do proletariado do país foram causados pela atuação do PT. Essa é uma acusação típica de organizações e partidos que se alinham pelo reformismo tradicional e sua vertente gramsciana. Não desconhecemos a história da luta de classes, sabemos que este é um resultado de um processo que só pode ser compreendido se analisado de forma ampla. 


De 1993 até 2008 o país esteve em um processo de crescimento econômico, mesmo que inconstante. Este processo não trouxe ganhos estáveis para o proletariado, pelo contrário, neste período a exploração capitalista não só se manteve, como foi ampliada. Mas de forma geral o incremento de produção gerou no proletariado a ilusão de estar crescendo, dada a expansão do crédito para a compra de bens de consumo e graças às chamadas políticas compensatórias e programas assistencialistas.

Mesmo no interior de um ciclo recessivo do capitalismo em nível mundial, a economia brasileira apresentou considerável nível médio de crescimento no período, fundamentalmente em função da elevação mundial dos preços dos produtos primários que o país exporta. Neste quadro de ilusão de um avanço estrutural (sociólogos burgueses chegaram a falar do surgimento de uma nova classe média advinda do proletariado), os trabalhadores se afastaram de suas representações de classe, pois não se viam em uma disputa concreta com a burguesia. O que acabou dando base a um esvaziamento dos sindicatos, esvaziamento este potencializado por aquela política reformista-gramsciana predominante na esquerda. Mas não podemos nos furtar a enfatizar que, mesmo diante deste quadro, sindicatos alinhados com a classe trabalhadora são essenciais na organização do proletariado. São estes que em uma nova situação de crise, que como explica Marx são cíclicas no capitalismo, poderão se fortalecer e serem peças chaves em uma revolução socialista.

Nossa força

É o desconhecimento da história e da dinâmica da luta de classes que leva o reformismo a se organizar não contra o estado burguês, mas por dentro dele. E o resultado final é o que vemos hoje no PT. A única força capaz a fazer frente aos interesses da burguesia é um proletariado consciente de seu antagonismo frente ao inimigo explorador. E o único caminho para a nossa verdadeira libertação é a revolução socialista. Mesmo com todas as críticas que temos ao caminho reformista adotado pelo chamado socialismo real – fator que foi decisivo para sua derrota para o imperialismo -, não podemos deixar de registrar que foi justamente durante a vigência do socialismo nos países do Leste Europeu que o nível de vida do proletariado registrou fantásticos níveis de crescimento naqueles países. Com a derrota do socialismo, as taxas de lucro - ou seja o resultado da exploração do trabalhador - voltaram a crescer aos índices semelhantes aos anos anteriores a 1917.

Crer que proletariado brasileiro teve avanços qualitativos durante os últimos anos é acreditar em uma mentira que tem em seu primeiro plano o consumismo mais pueril e rasteiro. Nunca os trabalhadores foram tão explorados como hoje, essa é a verdade. O crescimento das grandes fortunas, seja no Brasil ou em todo o globo, são a prova do estado de miséria que seguimos enfrentando.


Nosso desafio enquanto marxistas é remover o entulho que hoje ocupa nossas áreas de atuação. A crise econômica faz que novos ataques sejam orquestrados contra os trabalhadores, provocando o surgimento cotidiano de fatos concretos das lutas de classes. Este é o espaço para realinharmos nossas forças.


A reforma trabalhista, o arrocho salarial, os ataques contra os trabalhadores públicos e o fim das garantias trabalhistas são apenas parte das medidas a que o governo federal irá recorrer. De outro lado os bilhões para o pagamento da divida externa, o financiamento às grande empresas e tantas outras regalias para a burguesia seguem garantidas.


Sem uma forte atuação do proletariado a crise econômica terá como resultado concreto uma concentração de riqueza ainda mais brutal e uma maior exploração contra os trabalhadores.


Volver é morte, só nos resta marchar!

Venceremos!


 

 




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