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A crise hídrica e as mentiras do capital

 seca


A tão alardeada "crise hídrica" que atinge os três estados mais ricos do Brasil é tratada, como de costume, através de uma névoa de mentiras pelos meios de comunicação e demais representantes da burguesia. A falta de água nos reservatórios que abastecem as grandes regiões metropolitanas só pode ser explicada pela crítica ao neoliberalismo, entendendo este como a forma mais recente adotada pelo capital para garantir a manutenção dos ganhos da burguesia. Esta crítica, podemos assegurar, não será feita pela mídia da burguesia, muito menos pelos partidos que a representam.

Como em toda crise administrada pelo capital a única certeza que nós comunistas podemos ter é que os únicos a serem de fato sacrificados e submetidos a privações do uso de água serão os trabalhadores. Aqueles que lucraram para que a situação atingisse este ponto serão agraciados com lucros ainda maiores.


A lógica do neoliberalismo é a retirada do estado para que as empresas de capital privado se instalem em áreas que até então não eram lucrativas, mas que diante da taxa de redução da margem de lucro, fenômeno apontado por Marx em "O Capital", se tornaram atrativas.


A implementação das redes de captação e distribuição de água durante muitos anos foram de responsabilidade dos governos municipais e estaduais, assumidos com verba pública. Já em meados da década de 70 este modelo começa a ser alterado, adotando-se o modelo economia mista para as empresas de saneamento. É importante destacar que a implementação do neoliberalismo se deu de forma embrionária nas ditaduras do Brasil e, com maior força, do Chile. O modelo, ainda hoje é seguido a risca por PT, PCdoB, PSDB, PMDB e tantos outros, apresentando apenas variações mínimas.


Já em março de 1975 foi baixado no Rio de Janeiro um decreto que criava a Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) já com a participação do capital privado. O modelo de participação de empresas e acionistas foi aprimorado com o tempo, mas sempre mantendo a premissa de que o estado entrava com a verba e os demais participantes tinham seus lucros garantidos.


É sobre esta estrutura que se organizou a chamada crise hídrica atual. Para garantir o lucro do capital privado, as empresas de saneamento abriram mão de remanejar as estruturas de distribuição e ampliar os sistemas de captação. Com o desenvolvimento das grandes cidades e o aumento da densidade populacional, foi adotada a forma mais barata para garantir o abastecimento, aumentando a pressão usada nas tubulações ao invés de fazer novas obras para garantir um abastecimento com taxas significativamente menores de desperdício, tudo isso em nome do intocável lucro de sócios e acionistas.


Vemos agora a mídia dando ampla divulgação para uma enxurrada de denúncias sobre os vazamentos de água pelas ruas das cidades, aparentemente resultado de alguma bruxaria inexplicável ou obra da vontade divina.


A seca que atinge os reservatórios, além de mostrar a face real do neoliberalismo, também traz à tona o que de fato é a democracia: um festival de mentiras em busca do representante mais apto para defender os interesses da burguesia. Durante as eleições, a situação que iria atingir os trabalhadores sequer era citada, tanto pela situação quanto pela dita oposição, ambos fieis seguidores os interesses do empresariado.


É importante destacar que o consumo de água nas residências é apenas a menor fatia de toda uma estrutura de uso da água. A agricultura, mineração e as indústrias são as maiores consumidoras deste recurso e poderiam reduzir o uso da água em várias de suas etapas produtivas. As empresas e agroindústrias poderiam muito bem até mesmo devolver parte da água consumida, já pronta para ser novamente usada. Bastaria que parte do lucro fosse aplicado em tecnologias para filtrar e recuperar o material usado. Mas como bem sabemos, ao capital não interessa a preservação de qualquer outra coisa que não seja o lucro.


Os recursos disponíveis para a humanidade são amplos e variados, muitos deles abundantes. Mas a única forma de usá-los para garantir a plenitude e a felicidade humana se dá fora do capitalismo. Só no comunismo poderemos enfim termos um uso racional e digno de tudo o que temos a nosso alcance. A suposição de que tais objetivos podem ser alcançados sem uma mudança radical da sociedade é apenas mais uma mentira em nome da burguesia.


Enquanto a natureza for usada dentro deste sistema o resultado só pode ser mais degradação, miséria e exploração.

Venceremos!


 

 




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