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São 'pontuais’ as divergências do PT com Sarney, Collor e FHC

 catreva

No dia 9 de dezembro, a presidenta Dilma (PT) embarcou para Johanesburgo (África do Sul), a fim de participar das homenagens que chefes de estado do mundo inteiro prestaram ao líder Nelson Mandela, falecido em 5/12, na cidade de Pretória. A bordo do avião presidencial, contudo, Dilma levou, como ‘convidados’, os ex-presidentes Lula, FHC, Sarney e Collor. Sorridentes em foto tirada durante a viagem e divulgada para toda a imprensa (nacional e internacional), os cinco ‘presidentes’ (Dilma incluída) mostraram, porém, muito mais concordâncias do que aquelas que poderiam sugeridas pela referida foto, começando pela própria Dilma.

Pelo twitter, a presidenta destacou a presença dos cinco ex-presidentes do país e disse que a companhia deles na comitiva era demonstração de que “não havia divergências partidárias em assuntos de Estado no Brasil”. Em outras palavras, para Dilma, as divergências do PT com FHC, Sarney e Collor são ‘eventuais’ e ‘pontuais’. E são mesmo. Pela primeira vez, eis uma afirmação absolutamente sincera de Dilma Roussef.

Em 11 anos de governos do PT, o que se viu foi Lula e Dilma dando continuidade e aprofundamento às políticas capitalistas praticadas por Sarney, Collor e FHC. Políticas, em essência, baseadas em brutal e crescente exploração da classe trabalhadora, concentração de renda e riquezas nas mãos de banqueiros, latifundiários, agronegócio e grandes corporações transnacionais, privatização e sucateamento dos serviços públicos e criminalização do proletariado, no campo e nas cidades. Como recheio, a aplicação de ‘políticas compensatórias’ recomendadas pela cartilha antiproletária e anticomunista do Banco Mundial, como ‘bolsa-família’ e ‘Prouni’. Tudo para, nas eleições, formar um grande curral eleitoral que, nos dias atuais, já se estende por todo o Nordeste e Norte do país, com tendência a aumentar ainda mais no pleito de 2014.

As divergências de Dilma e Lula com Sarney, Collor e FHC são pontuais porque, em última análise, o PT é um governo de direita, que se rendeu por completo à burguesia brasileira e seus associados no plano internacional. O mais grave é que, por não terem sido governos burgueses do tipo ‘clássico’, as administrações do PT puderam, por isso mesmo, mover ataques ainda mais brutais ao proletariado, garantindo, dessa forma, altíssimas taxas de acumulação para o capital, como mostra o crescimento exponencial no lucro de bancos, empresas multinacionais e agronegócio verificado ao longo dos últimos 11 anos. Algo inimaginável até mesmo sob os governos Sarney, Collor e FHC, que, por não terem a mesma ‘popularidade’ do PT no plano eleitoral, tiveram sérias dificuldades para realizar, até o fim, o serviço sujo que só o PT (leia-se: Lula e Dilma) foi capaz de oferecer à burguesia brasileira.

Esse é o legado de Lula e Dilma.


 

 




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