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Barbárie anunciada

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O sadismo e a brutalidade com que as polícias militares dos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro têm reprimido as manifestações contra os recentes aumentos das tarifas do transporte público não encontram similares nem mesmo nos primeiros anos da ditadura, quando ainda ocorriam mobilizações de protesto abertamente contrárias ao regime militar. É certo, e disso não se pode esquecer, que houve prisões, espancamentos e assassinatos nas passeatas que ocupavam as ruas de todas as capitais do país no período 1964-1968.

E aqui se encontra a grande diferença, já  que naquele tempo se travava uma luta clara e diretamente política, contra o regime instalado pelo golpe. Agora – e sem que isso de modo algum desmereça o valor das manifestações – reivindica-se especificamente a redução de uma tarifa na área de transporte. E é nesta desproporção política entre os objetos dos protestos que a repressão policial atual assume conotações do anúncio de uma barbárie.

Ao poder burguês sempre vai interessar desmontar pelo modo que julgar melhor qualquer tipo de ação que de uma maneira ou outra possa diminuir as margens de lucro dos donos do capital. Assim, a ninguém cabe se surpreender com ações repressivas do aparato policial do estado burguês contra manifestações contrárias aos interesses do capital. O leão é carnívoro. Mas é, sim, motivo de especiais preocupação e análise a brutalidade gratuita e o sadismo exibidos pelas PMs paulista e fluminense na repressão aos protestos contra o aumento dos preços das passagens urbanas. Na realidade, a violência posta em prática na ação policial ultrapassou em anos-luz o nível com que usualmente o estado burguês consegue desarticular as ações de rua de contestação às suas políticas.

E porque, então, tanto sadismo e brutalidade? Quanto aos objetivos, parece tratar-se mesmo de uma exibição de um potencial repressivo despido de qualquer resquício de respeito individual ou coletivo. Podemos matar e torturar quando e como quisermos, pareciam avisar os projéteis disparados em direção a manifestantes e transeuntes, indistintamente. Na gíria do lumpesinato – em que progressivamente se transformam as forças policiais do país – a ideia é ‘botar terror’. E isso com o objetivo maior de cumprir e fazer cumprir o chamado AI-5 da Copa, a legislação repressiva específica em elaboração para garantir a realização pacífica e tranquila dos chamados grandes eventos, Copa das Confederações, visita do Papa, a Copa do Mundo do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Realização dos eventos e realização dos enormes lucros para a burguesia, já que, como se sabe, ao proletariado não caberão sequer migalhas de copas e olimpíadas.

Mas é preciso ir mais fundo: de onde vem a desfaçatez e a garantia de impunidade dos governadores Geraldo Alkmin e Sérgio Cabral Filho ao ordenarem aos seus comandados fardados tais massacres gratuitos e imotivados? A ponto, inclusive de seus auxiliares diretos terem o descaramento de declararem que estão infiltrando espiões – na verdade agentes provocadores – nas manifestações? É que eles sabem que nada lhes acontecerá de mal, que não serão responsabilizados por tais crimes. A verdade de fundo é que se encontra instalada no país – por obra e graça de todos, todos, os governos que se seguiram ao fim da ditadura 64-85 – uma cruel lógica da impunidade política dos crimes cometidos pelos agentes do capital contra os trabalhadores e seus aliados. Ao deixarem impunes os torturadores e assassinos do regime militar, os governos Sarney, Collor, Itamar, Fernando Henrique, Lula e Dilma deram na prática carta branca a torturadores e assassinos a serviço do estado para continuarem a torturar e a matar.

Não nos iludamos. A perspectiva é de mais brutalidade policial no país, mesmo que no curtíssimo prazo a repressão reduza o nível de selvageria diante da uma má repercussão que poderia custar valiosos votos ao PT e partidos aliados nas próximas eleições nacionais.

No médio e no longo prazos o capital vai investir progressivamente no setor de serviços, especificamente em turismo e nos chamados grandes espetáculos-eventos, para tentar fazer frente à atual crise mundial provocada pela queda da taxa de lucros no segmento da produção. Trata-se, como se sabe, de uma lei do movimento do capital. Tal estratégia exige uma correspondente estratégia repressiva voltada para a neutralização dos movimentos de massa, garantindo assim a realização daqueles ‘grandes eventos’, bloqueando a emergência política dos trabalhadores, por sua vez, igualmente de modo progressivo, acossados pela perda de salários e empregos em função da própria crise.

O objetivo geral, portanto, da burguesia e seus agente é o de nos imobilizar a todos que lutamos pela causa dos trabalhadores através da intimidação.

Não conseguirão. Venceremos!


 

 




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