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Chega ao Brasil mais um emissário da CIA: Yoani Sánchez

Cuba deve ser destruída. Assim reza o primeiro mandamento da política externa dos Estados Unidos da América desde que, rechaçada a invasão à ilha patrocinada pela CIA (central de espionagem dos EUA), em abril de 1961 o presidente Fidel Castro Ruz proclamou na Praça Julio Mella o caráter socialista da revolução de janeiro de 1959 em histórico comício que reuniu mais de um milhão de pessoas. Desde então, centenas – isso mesmo, centenas – de atos de sabotagem direta e atentados políticos, vários deles contra o presidente Fidel Castro, foram cometidos de forma sistemática e planejada contra Cuba. Todos fracassados, repelidos que foram por um proletariado cubano sempre e fortemente identificado com os ideais e realizações do primeiro regime socialista da América Latina inspirado nos princípios gerais do marxismo revolucionário.


É no interior, pois, desta cruzada histórica do gigante imperialista contra o bravo país socialista caribenho que se deve entender e criticar a visita ao Brasil da blogueira Yoani Sanchez e partir do 18 de fevereiro para uma larga agenda de palestras e eventos. Esta senhora é hoje glorificada nos mais sagrados altares da mídia burguesa internacional como mártir da luta pela liberdade de imprensa e pelos direitos humanos. A mesma mídia burguesa que, para ficar apenas no âmbito da América Latina, despeja mentiras e mais mentiras, impropérios e mais impropérios, calúnias e mais calúnias contra países e lideranças políticas que têm ousado lutar contra a progressiva miserabilização imposta pelo capitalismo imperialista capitaneado pelos Estados Unidos. Cotidianamente Fidel e Raul Castro, Hugo Chávez, Rafael Correa e Evo Morales, lideranças políticas maiores de Cuba, Venezuela, Equador e Bolívia, respectivamente, são apresentados como ditadores desalmados, assassinos.

Na realidade, nada se divulga sobre quem realmente é esta senhora. Apresentada como ‘blogueira’, ninguém sabe ao certo de que vive esta moça. Ela trabalha? Ganha salário como ‘blogueira’, o que seria um caso único em seu país? Evidentemente, não se faz aqui nenhum exercício de caça às bruxas, tão ao gosto da própria mídia burguesa. O fato, contudo, é que não estamos diante de uma trabalhadora de algum modo identificada com os interesses do proletariado cubano. Esta é a questão central. Sua vinda ao Brasil está sendo patrocinada – passagem e estadia – por um grupo de “personalidades” principalmente da cidade baiana de Feira de Santana, através de uma coleta de fundos comandada por um certo Dado Galvão, que se diz cineasta, realizador do documentário Conexão Cuba-Honduras, que, tendo na mesma Yoani Sánchez uma de suas personagens principais, é centrado no tema de uma sempre mal intencionada “defesa dos direitos humanos e da liberdade de imprensa”.

Mal intencionada como sempre, historicamente, foram e têm sido este tipo de campanha patrocinado pelo grande capital mundo afora. Em nossa América Latina, todas as mais escabrosas investidas imperialistas contra o avanço do proletariado se fizeram sob as esfarrapadas bandeiras da falsa luta pelos direitos humanos e pela defesa da liberdade de imprensa. É de todos conhecida a ação da SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa), valhacouto de golpistas e dos grandes barões da mídia no nosso continente. Todos nos lembramos no papel decisivo jogado por esta ‘liberdade de imprensa’ nos golpes de estado desferidos no Brasil (1964) e Chile (1973) pela direita raivosa, dando origem a regimes sanguinários igualmente sustentados ideologicamente por esta mesma liberdade de imprensa. Que se anote: somente haverá liberdade de imprensa, a verdadeira liberdade de imprensa, quanto e onde esta estiver em mãos do proletariado, sob o poder do proletariado.

Que ninguém, pois, tenha a menor dúvida de que esta senhora Yoani Sánchez não passa uma assalariada do grande capital imperialista a serviço daquele objetivo imperialista permanente: destruir Cuba. Cuba é um país geograficamente pequeno, com cerca de 110 mil quilômetros quadrados e uma população de aproximadamente onze milhões de habitantes. Do ponto de vista econômico, e mesmo militar, Cuba jamais pode sonhar fazer frente aos trilhões de dólares e ao arsenal atômico norte-americano. Porque, então, Cuba deve ser destruída? Resposta: Cuba constitui uma gravíssima ameaça política e ideológica ao capitalismo. Cuba sintetiza hoje a hipótese da concretização da utopia da igualdade e da fraternidade. Da liberdade. Do sonho que inspirou e continua a inspirar os milhões de combatentes pela causa socialista e comunista que encharcam o chão da América Latina com seu sangue e seu suor na luta pela libertação do homem.

É isto que faz tremer o gigante imperial. É este medo que, além de alimentar todo tipo de agressão político-militar do imperialismo na América Latina (bases militares e esquadras se espalham pelas matas e mares do continente), serve igualmente de combustível para a permanente guerra ideológica anti-comunista intensificada pelo macartismo e retomada com maior fôlego pela onda neoliberal. É aí que entram figuras como esta agente imperialista, a blogueira (?) Yoani Sánchez.

O imperialismo é cruel, sanguinário, covarde. Mas de bobo não tem nada. A peregrinação desta estranha senhora pela América Latina – o Brasil é apenas a estação primeira, estejamos seguros – e certamente a seguir pelo mundo ocorre, em primeiro lugar, no interior de uma crise profunda, estrutural, do capitalismo em nível mundial. Já se avermelhando as luzes amarelas acesas em 2008 com a quebradeira geral de grandes conglomerados financeiros, o capitalismo intensifica esforços no sentido de tentar desqualificar o socialismo, que inevitavelmente despontará no horizonte proletário como saída, solução e futuro.

Em segundo lugar, especificamente quanto à  realidade cubana, são inegáveis as dificuldades em todos os níveis – econômico, político e ideológico – por que passa o socialismo. Lei da guera, o imperialismo intensifica os ataques ao inimigo ao percebê-lo mais fraco. Cuba vive hoje as consequências terríveis de caminhos equivocados trilhados há mais de quarenta anos. O fato é que, na linha contrária às propostas de Che Guevara, o socialismo cubano começa a adotar a partir da segunda metade dos anos 60 do século passado as linhas gerais do modelo soviético então prevalecente, de preservação e incentivo da pequena propriedade camponesa, do incentivo ao ganho individual (a chamada emulação capitalista, que joga trabalhador contra trabalhador através de incentivos à produtividade individual), de salários diferenciados para gerentes e administradores, de competição entre empresas socialistas com premiação por volume de produção. A adoção da política geral de uma divisão internacional do trabalho socialista – cada país do então Comecom, o mercado comum socialista, se especializaria na produção de uma linha de produtos – na prática inviabilizou o processo de industrialização de Cuba, a quem coube a produção de açúcar e de tabaco, recebendo em troca maquinaria, petróleo e fertilizantes.

Retificação abortada
Antes mesmo da derrota do socialismo real para o imperialismo, o Partido Comunista Cubano já se dera conta, em 1985, do grave erro de rota cometido dez anos antes. Inicia-se, então, o chamado Processo de Retificação, com a adoção, pelo menos em parte, das propostas de Che Guevara, derrotadas em 1965 pela ala reformista do PCC na pessoa de Alberto Mora, que travou um debate aberto com Che. Na realidade, o que prevaleceu foram as propostas do antigo PSP (Partido Socialista Popular) – dissolvido no processo de fusão com o M26 de Fidel, Che e Raul e o Diretório Revolucionário para a formação do PCC em 1963 – ligado à União Soviética e que levava a linha de liberação econômica encaminhada pelo então secretário-geral do PCUS (Partido Comunista da União Soviética) Alexei Kossiguin.

O processo de retificação foi no entanto abortado pela derrota final imposta pelo imperialismo à URSS, sintetizada pela retirada da bandeira vermelha da foice/martelo do alto do Kremlin em dezembro de 1991. Cuba entra, então, em profunda crise energética e alimentária, já que não produzia sequer uma gota de petróleo. Falta tudo. Os cerca de l00 mil pequenos proprietários rurais do país encetam uma furiosa campanha especulativa que conduz a uma gravíssima crise alimentar. Cuba passa fome. Sem outra saída, o país passa a incentivar o turismo como forma de, pelo menos, garantir de imediato comida básica para as crianças – como Fidel então prometeu, nenhuma criança cubana deixou de ganhar seu litro de leite diário, o que evitou uma catástrofe de dimensões inimagináveis.

Em 1993, uma reforma agrária amplia a propriedade camponesa, tanto jurídica como territorialmente, já que passa a imperar o direito de herança. Novas terras são distribuídas. Superada a fase mais aguda da crise alimentar por volta de 1998 em função, principalmente, do ingresso dos dólares do turismo. Não acreditamos exagerar se dissermos que Cuba Socialista não teria sobrevivido não tivesse Hugo Chávez assumido o poder na Venezuela em 1998, o que significou uma decisiva ajuda na superação da raiz da crise (a questão energética). já que a Venezuela passa a vender petróleo a Cuba a preços mais que subsidiados. Em troca, Cuba envia à Venezuela seus mais que habilitados profissionais de medicina, o que contribui para fazer da medicina social praticada na Venezuela hoje uma referência social.

Críticas ao socialismo cubano? Claro que temos – e muitas. Entre outras coisas, não podemos entender como marxistas o fato de o parlamento cubano conter um número maior de pequenos burgueses (pequenos proprietários e intelectuais) que proletários, conter mais gente de cima que de baixo. Durante o período mais agudo da crise emergiu e se fortaleceu uma chamada ‘economia do dólar’ na Ilha, com o surgimento de camadas privilegiadas, profundamente reacionárias, por sua ligação com a atividade turística. E nada foi feito para combater tal praga. Pelo contrário, há políticas de incentivo fiscal ao chamado pequeno negócio individual. Estamos mesmo convencidos de que se Cuba não aprofundar o socialismo só lhe restará o destino de restaurar o capitalismo. Mas que fique claro: as críticas ao socialismo que as façamos nós, os socialistas. Os revolucionários. Demente ou não, o senador petista Eduardo Suplicy já se dispôs a compor a caravana da sem-vergonhice comandada pela desocupada agente Yoani Sánchez. Não, este tipo de gente não é socialista. É preciso combater esta agente imperialista, isto sim. Ir às ruas contra ela, hostilizá-la. Aliar-se a ela é traição, coisa aliás a que já está mais que acostumado o PT.

Como ponderou o gênio florentino Dante Alighieri em sua obra “Divina Comédia” – um dos maiores patrimônios culturais da humanidade –, aos traidores está destinado o mais fundo dos infernos.


 

 




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