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Mensalão: apenas uma ponta do iceberg

 

Mais uma vez as classes dominantes no Brasil montam um grande circo para legitimar sua dominação. Com o início do julgamento do chamado ‘Mensalão” pelo Supremo Tribunal Federal (STF), os meios de comunicação voltam seus holofotes para a mais recente encenação de uma velha manobra diversionista destinada a fazer passar por verdade as mentiras da existência de justiça no capitalismo. De que todos seriam iguais sob império do capital. De que a democracia seria a forma ideal e perfeita de relação político-social entre os homens. De que a democracia seria “um valor universal”.

No caso, é transmitido ao vivo por rádio e tv para todo o país as as nuances dos crimes cometidos pelo Partido dos Trabalhadores e seus associados na busca da perpetuação no poder, evidentemente para melhor servir à burguesia e, daí, colher maiores migalhas do banquete burguês. Já de saída, é preciso destacar que o senhor Luís Inácio da Silva, o grande chefão da quadrilha que roubou montanhas de dinheiro público – sempre oriundo, como se sabe, do trabalho do proletariado –, não foi denunciado enquanto tal, nem sequer faz parte da lista dos acusados. Como se vê, um bom indício, mesmo para os menos conscientes e atentos, de que de fato estamos diante de um grande embuste.

É preciso denunciar e desmontar toda esta farsa. Em primeiro lugar, temos que ter muito claro que o roubo e a corrupção em geral integram de modo inarredável a lógica da busca de ganhos e privilégios individuais em todos as sociedades divididas em classe, o capitalismo aí incluído de forma particularmente aguda entre todas as sociedades historicamente conhecidas. Até mesmo as sociedades socialistas pagam, naturalmente, o preço da pesada herança ideológica do egoísmo individualista legada pelo capitalismo. E é exatamente para superar as heranças econômicas e ideológicas legadas pelo capitalismo que o socialismo é instalado – e concebido no marxismo – como sociedade de transição ao comunismo, onde, aí sim, estarão definitivamente sepultados todos os resquícios das sociedades divididas em classes sociais surgidas na História.

Mas aqueles que acabam acreditando na mentira de que a corrupção e o roubo são os únicos ou principais problemas do capitalismo – cuja superação levaria o sistema à perfeição – precisam entender que o crime maior do sistema capitalista de reprodução da vida social reside exatamente no fator que estrutura este sistema: a exploração da força de trabalho alheia, ou em linguagem do cotidiano, a exploração de uns (pouquíssimos) homens sobre seus semelhantes, de uma minoria sobre a imensa maioria. Como se sabe, todo um conjunto de relações sociais erguido e mantido sobre o pilar básico da propriedade privada dos meios de produção. Na aguda formulação de Engels, o roubo é uma forma de propriedade.

Observada a questão na profundidade devida, não são portanto o roubo e a corrupção que enriquecem a burguesia, mas, sim, a apropriação da mais-valia produzida pelo proletariado. De fato, roubo e corrupção não passam de algo como iniciativas de facções da burguesia em busca de uma maior parte no produto da exploração geral exercida sobre os que trabalham. Mais uma vez recorrendo à linguagem do cotidiano, estamos diante de não mais que uma briga de bandidos. Quadrilha contra quadrilha. Agora é a vez do PT/PC do B ter suas entranhas expostas, como já houve as vezes dos partidos da ditadura (Arena e PDS), do PMDB e do PSDB.

De passagem, não pode deixar de ser observado todo o cretinismo que marca a atuação do Poder Judiciário neste julgamento. Quem acompanha mais de perto a história jurídica do país verifica que são raras as vezes em que o país exibiu uma Corte Suprema tão desqualificada quanto a atual. Claro, todos sabemos que todas as anteriores se fizeram e se portaram como fiéis servidoras das classes exploradoras. Claro. Mas a nenhuma outra se mostrou tão mesquinha e rasteira quanto esta, que traz à memória as mais degradantes e tragicômicas peças de demência encenadas pelos cortesãos dos mais decadentes reinos feudais e absolutistas. À exceção de um ou dois de seus figurantes, pode-se dizer que, a exemplo do planeta Marte, não há vida inteligente no STF.

É certo que ao final do julgamento alguns serão condenados – algumas poucas figuras de maior relevância política ao lado de alguns muitos irrelevantes. E segue o barco da mentira e da empulhação. Até quando, pelo menos, a esquerda do país superar seus devaneios democratistas e buscar uma compreensão dos fatos da política através da uma análise dialético-materialista. Até quando o proletariado possa contar com uma esquerda verdadeiramente marxista capaz, por isso mesmo, de fazer chegar a seu conhecimento e compreensão crítica a verdadeira natureza do estado burguês, incluída aí a verdadeira natureza da democracia e sua função primeira de fazer passar por verdade a grande mentira de que existe igualdade no capitalismo.

É a busca da construção desta esquerda revolucionária marxista, no leito fértil das lutas concretas de classe, a proposta essencial e a razão de ser do Movimento Marxista 5 de Maio.


 

 




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