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Lula diz apoiar Chávez – tragédia ou farsa?

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Em seu “O Dezoito Brumário de Luís Bonaparte”, Marx observava que os eventos decisivos da História, assim como seu protagonistas, ocorrem duas vezes, a primeira como tragédia e a segunda como farsa. Esta formulação nos ocorreu imediatamente à memória assim que tomamos conhecimento do enfático apoio declarado pelo ex-presidente Lula ao presidente venezuelano Hugo Chávez nas decisivas eleições presidenciais que se realizarão naquele país em 7 de outubro próximo. Como pano de fundo, o quadro tragicômico do ex-presidente protofascista brasileiro Jânio Quadros condecorando em agosto de 1961 com a principal comenda nacional, a da Ordem do Cruzeiro do Sul, o comandante guerrilheiro e líder revolucionário Ernesto Che Guevara quando da passagem deste pelo Brasil em direção ao Uruguai para participar, como representante do estado socialista cubano, da conferência de Punta del Este da Organização dos Estados Americanos, na qual, por ordem dos Estados Unidos, Cuba foi alijada desta entidade títere de triste memória e atualidade como instrumento da ação imperialista no continente.

É que Lula e Jânio são extremamente parecidos, principalmente no que diz respeito ao amplo domínio que detêm da arte de manipular e mentir para a classe trabalhadora. Jânio foi eleito com seis milhões de votos, a votação proporcionalmente mais expressiva jamais alcançada em uma eleição presidencial brasileira. Empunhando o mesmo símbolo da vassoura utilizada dez anos antes pelo senador fascista norte-americano Joseph McCarthy em sua vitoriosa cruzada de caça aos comunistas estadunidenes sustentada e instrumentalizada pela CIA, Jânio se apresentava com roupas cuidadosamente amarrotadas, dizendo-se representante dos trabalhadores na luta contra os ‘tubarões’, contra a corrupção e contra os ‘poderosos’.

Daí, a manobra demagógica de condecorar o comandante Che. Um recurso manipulador tão rasteiro quanto efetivo destinado a fazer esquecer e ocultar toda a sua política real de servidor do capital: arrocho salarial, obediência às regras ditadas por Wall Street de combate à inflação, garantia dos lucros das multinacionais instaladas no Brasil etc. etc. Enfim, a mesma grande política dos governos Lula-Dilma, do mesmo modo disfarçada de tragicômicos arroubos verbais antiimperialistas. Há pequenas diferenças na maneira de conduzir o cotidiano político, é verdade. Mas pequenas. No essencial, ou seja, na sumissão dos interesses dos trabalhadores à permanente fome de mais e maiores lucros da burguesia, trata-se da mesma coisa. No caso atual dos governos PT-PCdoB, a adoção de uma estratégia sem dúvida cientificamente articulada voltada para o objetivo estratégico permanente de consolidar espaços mercadológicos nacionais e internacionais aptos à realização mais-valia arrancada ao proletariado nacional, à custa do aprofundamento da fome, do desemprego, da degradação das condições moradia, de saúde, de educação. Da degradação geral da vida dos trabalhadores. Miséria igualmente embrulhada no papel de seda das politicas ‘compensatórias’ e cidadãs, que destinam ao proletariado não mais que migalhas que caem das mesas do grande banquete burguês patrocinado pelos governos capitaneados pelo petismo.

Na realidade, portanto, o que se vê é que este declarado apoio a Chávez não passa de mais uma ardilosa manobra do senhor Lula em busca da ocultação de sua verdadeira condição de principal sustentáculo do imperialismo na América Latina. Além disso, é preciso repetir e ter claro que toda esta política internacional dita independente adotada pelo lulopetismo é desenvolvida no interior de objetivos estratégicos de garantir mercados internacionais de realização de lucros para as empresas multinacionais – estatais e privadas – instaladas no Brasil e generosamente financiadas pelo governo brasileiro. É por isso e para isso que o senhor Lula quer sentar-se em uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU. O nome disso é capitalismo monopolista. No caso do Brasil, subimperialismo. Que, por sua vez, não guarda contradições com as matrizes maiores do imperialismo. Concretamente, uma disputa no interior da mesma lógica de exploração do proletariado. Enfim, as disputas entre Brasil e Estados Unidos não passam de ações entre amigos. Uma farsa.

Um alto muro separa a tragédia da farsa: na medida em que a primeira se ergue sobre os pilares de vontades heróicas, a segunda se costura com a linha podre da velhacaria.

Que ninguém se iluda.


 

 




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