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A quem interessa o crime?

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O bárbaro crime contra os mais elementares direitos à vida e à dignidade humana cometido pela Polícia Militar do Estado de São Paulo contra trabalhadores configurado na brutal desocupação do acampamento do Pinheirinho, na cidade de São José dos Campos (SP), só poderá ser bem entendido se pensado no interior do quadro das lutas de classes no país. O espancamento de homens e mulheres indefesos, o assédio sexual, inclusive a menores, a humilhação a que foram submetidos os moradores ao verem destruídos ou simplesmente roubados pertences adquiridos a custo de muito suor e trabalho, tudo isso só poderá ser entendido – jamais perdoado – à luz do parâmetro luta de classes e de sua concretização na política.


Como em todo crime, a primeira pergunta que se impõe em busca da identificação do autor é a quem beneficia da ação criminosa. No caso, de imediato fomos remetidos à figura de um megaempresário do setor financeiro chamado Nagi Nahas, dono da massa falida proprietária do terreno abandonado onde os trabalhadores instalaram suas moradias, suas casas, seus lares. Mas Nahas não passa da ponta de um enorme iceberg encoberto pelas mentiras, inverdades e manipulações ideológicas da mídia burguesa. Um iceberg constituído por um complexo sistema jurídico-político chamado poder estatal, serenamente instalado nas águas dos interesses do capital, por natureza explorador e opressor.


È nesta linha de reflexão que vamos chegar inelutavelmente ao governo federal, que é quem de fato detém as rédeas maiores do poder políico do país. Evidentemente não podemos descriminalizar os autores diretos da selvageria praticada contra os trabalhadores, como o governador paulista Geraldo Alkmin e seus prepostos comandantes da PM paulista e de sua tropa de choque, nem mesmo podemos aceitar desculpas por parte dos soldados que dispararam suas armas e brandiram cassetetes. Todos estes devem ser devidamente denunciados e punidos. Mas os criminosos maiores estão instalados em Brasília, aparentemente distantes das atrocidades praticadas: os chefões do governo petista e seus aliados.


Nossa solidariedade aos irmãos de Pinheirinho será maior se deixarmos claro que nada disso teria acontecido se a presidente da República tivesse adotado – ou herdado, pouco importa – uma política geral que criminalizasse duramente e de antemão qualquer violência contra trabalhadores no exercício de seus direitos (o de moradia é um destes direitos inalienáveis) ou em luta pelos menos. Mas não. Os governos petistas, a exemplo dos que os antecederam, estão a serviço do capital, a serviço dos lucros do capital, a serviço da propriedade privada dos meios de produção. Este direito burguês à propriedade está na Constituição que Lula e Dilma juraram cumprir. E estão cumprindo à risca. Inclusive no campo mais largo de uma política econômica abertamente estruturada em torno dos interesses de curto, médio e longo prazos do grande capital.


Específica e concretamente no campo das políticas diretamente repressivas, os governos petistas têm feito enormes esforços para desviarem as cobranças e pressões dos movimentos ligados aos trabalhadores por uma investigação e punição rigorosa dos crimes da ditadura para o pantanoso e fétido terreno da conciliação. Que outra coisa seria a recente “Comissão da Verdade” proposta pelo governo senão uma desavergonhada manobra desviacionista (bem a gosto do jargão militar, diga-se) destinada a garantir impunidade a assassinos e torturadores do regime militar burguês que imperou no país de 1964 a 1985?


É preciso que fique muitíssimo claro, portanto, que a postura do governo federal petista frente aos crimes cotidianamente cometidos contra os trabalhadores – inclusive a tortura que se pratica todos os dias em todas as delegacias policiais do Brasil, sem exceção – se insere na estratégia maior de convivência e conivência ativa dos governos petistas com o aparelho repressivo montado pela ditadura 64-85 contra os trabalhadores e seus aliados. É esta, pois, a questão de fundo, origem de todas as ações repressivas criminosas do estado burguês em todos os níveis (municipal, estadual e federal) contra os que vivem de seu próprio trabalho: os aparatos policial e militar herdados da ditadura, inclusive no campo ideológico, estão absolutamente intactos e progressivamente ativos e agressivos no país.


E que ninguém venha dizer que os governos petistas têm sido e são apenas ‘omissos’. Ora, pelas razões de lógica mais elementar, a um governo federal, tenha chegado por que meios forem a tal condição, basta apenas uma boa porção de vontade política para fazer prevalecer a estratégia repressiva que tiver escolhido. O fato é que a vontade política destes governos petistas outra não é que a de convivência e conivência com os criminosos da ditadura. Intessa hoje aos senhores dominação burguesa que não se abra uma luta entre os democratas petistas e os ditadores fardados que em passado histórico recente tão bem serviram à burguesia. Interesse da burguesia, interesse do governo petista. Eis a quem interessa o crime.


 

 




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