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O capital na hora da verdade

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A crise mundial por que passa o capitalismo expressa o conjunto de contradições estruturais do sistema e concretiza com rara exatidão o conceito de crises cíclicas formulado por Marx em “O Capital”. A burguesia e seus porta-vozes evidentemente buscam lançar culpas a hipotéticos atos de imprudência dos gestores maiores do capital, à corrupção de uns e outros, a eventuais posturas irresponsáveis de governos e agentes econômicos.

A crise vivida hoje pelo capital exibe a confluência das duas principais contradições estruturais do sistema: a contradição entre o caráter social da produção e o caráter privado da apropriação e, ainda, a contradição embutida na lei da tendência da queda da taxa de lucros, pela qual quanto maior o incremento tecnológico da produção menor será a taxa de lucro obtida pelo capital investido. Daí, a necessidade que tem o capitalismo de ampliar produção e mercantilização para ir compensando a queda da taxa de lucro. De tempos em tempos, afirma Marx, os termos de tais contradições atingem um ponto de agudização que inviabiliza a reprodutibilidade cotidiana do capital, o que se manifesta concretamente em uma crise geral de pagamentos. É o que vemos hoje.


Há cerca de um século, o capital financeiro tornou-se hegemônico na estrutura do capital, com o estado assumindo o papel de provedor direto e indireto de capitais.


No caso do financiamento indireto à burguesia, o estado capitalista da era imperialista funciona como uma resseguradora geral do sistema, respaldando os empréstimos dos conglomerados financeiros aos demais segmentos da burguesia e, como na situação atual, bancando os prejuízos gerados pela retração dos negócios burgueses nos casos de recessão (queda do crescimento econômico) e estagnação (crescimento zero) da economia. Na presença, contudo, da concretização das tendências estruturais do sistema, esgota-se a sua capacidade de endividamento para cumprir este papel de guarda-chuva geral. É aí que teremos o quadro de depressão, que é o que se apresenta no cenário mundial a curto prazo.


Para se ter uma idéia, a dívida do Tesouro dos EUA já ultrapassou a casa dos US$ 14 trilhões, o equivalente ao PIB daquele país. Na Europa, a Grécia, Irlanda, Espanha, Portugal e Itália já declararam que os últimos centavos de seus cofres estão acabando e que, dentro em pouco, já não poderão pagar os juros dos títulos que emitiram. É bom não esquecer que a burguesia não investe dinheiro próprio (este, destinado ao chamado consumo de luxo: iates, viagens, prostituição, drogas, gastronomia, etc.), mas, sim, dinheiro emprestado ao sistema financeiro estatal e privado.


Constitui igualmente falsa a fala oficial de que o Brasil está imune à crise. As tão alardeadas reservas de US$ 350 bilhões são formadas em 80% por títulos do Tesouro norteamericano, em crescente desvalorização. A dívida externa já atingiu a casa dos US$ 271 bilhões em fevereiro. O crescimento do PIB deve cair dos 7,5% do ano passado para 3,5% este ano. Isto se chama recessão. A inflação dos últimos doze meses é de 7,31%, já bem acima da meta anual dos 4% estipulada pelo governo. Mas o destaque fica com a dívida interna do estado brasileiro: R$ 1,7 trilhão, equivalente a quase metade do PIB nacional.


 

 




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