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Existem leninistas na Venezuela?

 

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O ponto de partida de qualquer análise séria da conjuntura das lutas de classes na Venezuela só pode chegar a uma conclusão, uma decisiva conclusão: é lá que as condições objetivas de uma revolução proletária se encontram mais maduras e claramente ostensivas em todo o mundo, tendo a contradição fundamental da formação social, burguesia x proletariado, se transformado por diversas razões históricas e políticas em contradição principal, aguda. Ou seja, trata-se de um momento conjuntural em que a contradição histórica antagônica se concretiza em um conflito político aberto cuja solução exclui a hipótese da conciliação entre as classes fundamentais.


É indiscutível que há outros, vários outros, países em que a luta de classes se desenvolve de maneira muitíssimo mais violenta que na Venezuela. Os exemplos são muitos, principalmente na África, na Ásia e no Orinte Médio – e até mesmo na América Latina. Mas a violência da luta não é o único nem o principal critério de avaliação das perspectivas concretas e da natureza e qualidade das lutas de classe em dado momento. Nos primeiros anos da década de 1990 um conflito étnico provocou centenas de milhares de mortes no coração da África. Mais recentemente, já neste século, a fraude histórica de iniciativa imperialista chamada “Primavera Árabe” também fez centenas de mortos. Guerra do Iraque, guerra da Síria etc. Não é somente de violência que se trata.

Trata-se também, isso sim, da existência (ou não) no país das condições subjetivas exigidas, como na formulação de Lênin, para que o proletariado parta para a conquista do poder para que se ergam os pilares fundamentais de seu estado socialista revolucionário: uma economia em crise profunda, a fome batendo à porta dos lares proletários, uma divisão da burguesia a ponto de inviabilizar sua capacidade de reprimir a classe trabalhadora, um proletariado disposto a dar sua vida pela própria libertação. E aqui entra uma questão igualmente decisiva, devidamente formulada por Marx e aprofundada por Lênin e amplamente comprovada pela história: a ausência de uma vanguarda revolucionária capaz de vanguardear este proletariado – o heroico proletariado venezuelano – em direção à tomada do poder direto.

Não se fazem, portanto, revoluções em presença somente de condições objetivas, mas igualmente de condições subjetivas. Faz-se, pois, mais que urgente criar tal vanguarda no interior mesmo da radicalização das lutas na Venezuela a partir da realidade concreta destas lutas. A partir da realidade material sócio-política. E a condição real, concreta, material e condicionante do possível e necessário assalto proletário ao poder direto na Venezuela é a Revolução Bolivariana, o bolivarianismo hegemônico, que comporta inclusive militarmente a estratégia e as ações táticas da luta por um poder proletário no país. Sem entender o lugar revolucionário do bolivarianismo na Venezuela, não se vai entender absolutamente nada da Venezuela. Antes de mais nada é preciso ter claro, muitíssimo claro, que não há incompatibilidade de qualquer natureza entre o marxismo leninismo e o bolivarianismo. São fatores de qualidade diferente, é claro, mas complementares no quadro revolucionário concreto.

É no chão da revolução bolivariana, do bolivarianismo, que temos que criar o partido revolucionário marxista leninista na Venezuela. Desgraçadamente as forças que se dizem comunistas no país na realidade não o são. De um lado, organizações trotskistas que não se cansam de tirar de seus embornais de asneiras coisas do tipo “o bolivarianismo é um bonapartismo”. Outras organizações de menor expressão (algumas reivindicando impropriamente o leninismo, outras se dizendo estalinistas, maoístas etc.) se empenham num falso apoio ao governo bolivariano, mas voltando energias para uma luta sindical de desgaste do governo Maduro, fazendo assim o jogo da direita. Há também os velhos e novos reformistas, sempre atentos ao calendário eleitoral, só ao calendário eleitoral. E todos passam a organizar frentes inócuas e iníquas, cada grupo buscando fazer uso do outro, messiânicos que todos são. Um verdadeiro festival de oportunismo.

O Movimento Marxista 5 de Maio-MM5 sempre defendeu a proposta da criação de uma Frente de Unificação Revolucionária apta a se constituir em espaço político-organizatório concreto de aglutinação das forças verdadeiramente revolucionárias da Venezuela (esquerda do PSUV, esquerda das forças armadas, milícias populares e bolivarianas, organizações socialistas, sindicatos, conselhos, comunas, movimentos sociais etc.), sob três consignas garantidoras da unidade de ação: 1. Criação do poder central comunal estendido a estados e municípios, nos termos formulados por Chávez. 2. Estatização de todos os monopólios industriais, agrícolas e de serviços, o que inclui o sistema bancário. 3. Um congelamento geral de preços, com simultâneo ajuste geral de salários.

É esta frente, pois, que poderá materializar-se na vanguarda política essencial à revolução na Venezuela. À sua construção, pois.

Venceremos!


 

 




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