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Lições da conjuntura na América Latina

 

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A América Latina ferve. A frase talvez nunca coubesse tão bem como na atual conjuntura do continente, onde desde setembro milhões de trabalhadores saem às ruas, no Equador e no Chile, para repudiar as nefastas consequências das políticas neoliberais, como o fim das aposentadorias, o aumento do desemprego, o aumento do custo de vida, o sucateamento dos serviços públicos e os cortes de direitos. Mesmo limitadas ao horizonte do reformismo e sem uma estratégia e um programa efetivamente proletários — o que significa que tendem a refluir no médio prazo —, essas mobilizações vêm contribuindo para criar uma fissura na hegemonia neoliberal na região. A recente eleição de Alberto Fernández para a presidência da Argentina foi mais um fator a contribuir para tal fissura, fazendo acender a luz vermelha no interior do bloco imperialista, que há décadas já empreende ações pela derrubada do governo bolivariano da Venezuela.


É a partir desse contexto que se insere o golpe de Estado que, liderado pelo protofascista Luis Fernando Camacho, com apoio dos EUA e de Bolsonaro, depôs o presidente Evo Morales na Bolívia e desencadeou uma grande repressão contra os trabalhadores e suas organizações. Não foi à toa que, uma semana após o golpe contra Morales, o também golpista Juan Guaidó tentou mobilizar a extrema direita venezuelana com o objetivo de depor o governo Maduro, intenção frustrada mais uma vez.

Para o imperialismo, em suma, é intolerável que sua hegemonia sofra mais reveses na região. A combinação de crise de reprodutibilidade do capital somada à emergência de China e Rússia no cenário geopolítico mundial faz que o imperialismo norte-americano torne-se ainda mais agressivo na América Latina, impermeável até mesmo aos mais rebaixados programas social-democratas, nacional-desenvolvimentistas ou de distribuição de renda como os praticados por Morales na Bolívia, entre outros exemplos.

Enquanto isso, no Brasil o governo Bolsonaro segue aprofundando os cada vez mais intensos cortes de direitos dos trabalhadores, na perspectiva de jogar a conta da crise capitalista sobre o proletariado. Para isto, o governo e a burguesia têm contado com a inoperância de uma esquerda trosko-reformista e democrata, cuja preocupação central é a participação no processo eleitoral burguês e a conciliação com a institucionalidade, como ficou evidenciado na aprovação da reforma da previdência.

Em vez de mudar qualitativamente a conjuntura, a recente soltura de Lula vai, no máximo, jogar lenha no fogo da polarização política com a extrema direita, pois Lula nunca foi (e jamais será) um líder revolucionário. Mesmo assim, é a polarização que auxilia Bolsonaro em seu propósito de coesionar os segmentos e a base social de extrema direita no país, acumulando forças rumo à construção de um partido tipicamente protofascista, a chamada Aliança Pelo Brasil, que (não é à toa) tomou emprestada do Integralismo a consigna ‘Deus, Pátria e Família’.

Se Bolsonaro conseguirá no médio prazo implantar um governo protofascista, isto obviamente dependerá do desenrolar da conjuntura, incluindo o aprofundamento das contradições no interior do campo burguês. O fato é que, para nós, comunistas, o aprofundamento dessas contradições pode efetivamente abrir espaços para que ampliemos nossa propaganda e agitação revolucionárias no seio do proletariado, acumulando forças para a construção de um verdadeiro partido leninista como destacamento avançado da classe.

Venceremos!


 

 




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