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Crise interimperialista abre possibilidades de avanço para lutas proletárias

N TRUMP 

O discurso do presidente dos EUA, Donald Trump, na abertura da Assembleia-Geral da ONU, dia 24/9, sinaliza um aprofundamento ainda maior da crise interimperialista que desde 2016, quando ele chegou à Casa Branca, vem sendo intensificada em nível global.

 

Em sua fala, Trump reforçou os ataques ao governo do Irã, considerado ‘país hostil’ na região do Oriente Médio; anunciou a intenção de reduzir o quantitativo de verbas destinadas anualmente pelos EUA à própria ONU; criticou a diplomacia da Alemanha (membro mais importante da União Europeia) pela aproximação daquele país com a Rússia de Vladimir Putin; disse que as sanções econômicas contra a Coreia do Norte serão mantidas até a completa desnuclearização da península; afirmou que o Tribunal Penal Internacional não tem legitimidade para questionar as ações dos EUA; e moveu ataques ferozes ao governo de Nicolas Maduro, fazendo um apelo a outros países no sentido de ajudarem os Estados Unidos a ‘restabelecerem a democracia na Venezuela’, deixando em aberto a possibilidade de apoiar um golpe militar de direita.

 

Na área econômica, o contencioso contra a China teve mais um recente capítulo: o aumento exponencial da taxação de metade das exportações chinesas para os EUA, abrindo uma crise sem precedentes nas relações comerciais e políticas entre os dois países e com as próprias corporações norte-americanas que nas últimas décadas montaram indústrias em terras chinesas na busca de vantagens competitivas como abundância de mão de obra e matéria prima baratas. Trump também abriu crise com vizinhos como México (no caso da imigração) e Canadá (contencioso na área comercial).

 

Em se tratando especificamente de Oriente Médio, mas com repercussões para muito além daquela região, no início deste ano Trump transferiu a embaixada norte-americana para Jerusalém, numa clara provocação aos países árabes e à causa palestina, na medida em que sinalizou um firme posicionamento dos EUA em defesa de seu aliado sionista, o estado terrorista de Israel.

 

Confirmando análises anteriores feitas pelo Movimento Marxista 5 de Maio (MM5), a gestão de Donald Trump e suas políticas ‘nacionalistas’ — resumidas na consigna ‘A América será grande novamente’ — têm sido muito mais fatores de divisão e crise do que geradores de coesionamento, tanto entre as diferentes frações da burguesia norte-americana quanto entre países e blocos imperialistas. Reflexo, em última instância, do aprofundamento da crise geral de reprodutibilidade do capital intensificada desde 2008 e que, em cada país e bloco imperialista, assume contornos específicos.

 

Em sua obra Imperialismo – Fase Superior do Capitalismo (1916), Lênin já destacava o fato de que, apesar de ter superado a etapa da ‘livre concorrência’ entre grandes empresas, que marcou o capitalismo em sua fase inicial, o imperialismo não eliminava a possibilidade de concorrência entre monopólios. Ou seja: de crise entre monopólios e, consequentemente, entre os estados nacionais e/ou alianças de estados nacionais que, direta ou indiretamente, são a expressão política desses capitais monopolistas. O potencial que tal situação tem no sentido de gerar conflitos dispensa maiores explicações, na medida em que já foi exaustivamente confirmado pelas duas grandes guerras mundiais e por dezenas de outras guerras provocadas pelo imperialismo em âmbito regional, como as da Coreia (1950-53); a do Vietnã (1965-1975); o genocídio promovido em Biafra (Nigéria), entre 1967 e 1970, quando o imperialismo matou mais de um milhão de pessoas para garantir a posse de riquezas minerais; a invasão do Iraque (2003); a derrubada do governo Kadafi (2011) e as recentes tentativas de destruir o governo Assad, na Síria, por sua negativa em permitir que corporações norte-americanas construíssem um enorme oleoduto naquele país e pela aproximação com Moscou.

 

Cumpre ressaltar, no entanto, que a crise interimperialista não se expressa apenas pelas movimentações do governo Trump. Em 2017, por exemplo, a Grã-Bretanha deixou a União Europeia após a população inglesa decidir que o país deveria ‘seguir rumo próprio’, abrindo grande cisão junto aos demais membros daquele bloco imperialista. Na Ásia, países como Japão, Tailândia e Coreia do Sul oscilam entre as pressões norte-americanas e a vital necessidade de suas corporações no sentido de estabelecerem laços comerciais cada vez mais intensos com a China. Esta última, por sua vez, assume liderança cada vez mais forte na região, tanto do ponto de vista militar quanto econômico. Sua iniciativa de criar um Banco Asiático de Desenvolvimento aponta para a criação de um novo bloco de poder em contraposição a Estados Unidos e União Europeia. De sua parte, a Rússia de Vladimir Putin também sinaliza a intenção de liderar, política e economicamente, um bloco de países que já de saída incluiria Síria e Irã, aumentando a complexidade das relações internacionais, dentro e fora do Oriente Médio.

 

No plano geral, o aprofundamento da crise interimperialista pode abrir significativas possibilidades de avanço das lutas proletárias em casa país, na medida em que as cisões e abalos de coesionamento ocorridos no interior do campo burguês (nos níveis nacional, regional ou mundial) aumentam as dificuldades conjunturais deste campo no sentido de promover ataques aos direitos dos trabalhadores e suas organizações políticas. Mas, para que o proletariado e suas organizações se beneficiem de tal conjuntura, a condição é a existência de um partido revolucionário que tenha o marxismo-leninismo como referencial teórico, além de uma vanguarda (destacamento avançado da classe) com efetiva capacidade dirigente. Ou seja, uma vanguarda leninista capaz de fazer análises concretas de situações concretas, considerando as possibilidades de cada conjuntura para o avanço dos níveis de organização e consciência proletárias, incluindo nossa propaganda e agitação. Algo, como se vê, bem distinto do que fazem trotskistas com suas formulações genéricas e abstratas em torno de uma quimérica revolução proletária mundial cujas condições (objetivas e subjetivas) para acontecer já estariam “maduras”.


Há que se romper com tamanho simplismo, reafirmando o princípio de que ‘sem teoria revolucionária, não há prática revolucionária’.

Venceremos!

 

 

 


 

 




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