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Reformismo empurra trabalhadores gregos para o abismo

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Os desdobramentos do acordo conduzido pelo Syriza junto à União Europeia, Banco Central Europeu e FMI nada trazem de novo aos marxistas, que desde o início denunciamos os passos que seriam necessariamente adotados pela frente social-democrata grega. Conhecemos os limites desastrosos do reformismo, que hoje o povo grego experimenta na carne em seus piores aspectos.


Embora o que ocorre na Grécia traga poucos elementos novos, sempre é importante identificar na realidade concreta as consequências do reformismo. O que acontece hoje na Europa mostra como o neoliberalismo é incompatível com qualquer modelo de "bem estar social". E como expressão político-econômica do capital, o neoliberalismo atua em qualquer espaço do globo em que as relações sociais se organizem na busca do lucro. O neoliberalismo não se instala isoladamente em determinado país desconectado dos demais mercados, mas implica mudanças em todas as relações comerciais estabelecidas no capitalismo. Assim tanto trabalhadores dos principais centros europeus quanto pequenos comerciantes tribais na África ou na Ásia são atacados na busca de maiores lucros para os 0,001% mais ricos. São para os bolsos destes senhores, através de taxas de lucros gigantescas, que escoa boa parte de toda a produção da humanidade.

O desmonte do que resta do "estado de bem estar social" na Europa poderia ao menos servir para retirar dos reformistas as ilusões sobre a convivência pacífica com o capital, mas estes, por se negarem a ser materialistas, preferem se manter agarrados no idealismo. Desmonte este que atinge não só a Grécia, mas também economias mais fortes e mesmo países que historicamente apresentam baixos índices de desigualdade. Noruega, Dinamarca, Suécia, França e Inglaterra são alguns dos exemplos onde foram retiradas direitos dos trabalhadores e dos aposentados para que "o país se mantenha competitivo".

Entre os agentes destes ataques estão os governos de países que em 1992, logo após a derrota da União Soviética, se organizaram para criar um bloco europeu sob o pretexto de manter a integralidade de um projeto econômico próprio, mantendo suas falsas ideias de sociedades justas e bem organizadas. Não é por acaso que o governo de um ex-socialdemocrata como François Hollande seja um dos que defendem um ataque mais radical aos trabalhadores gregos. Governos de países que se sempre alardeavam respeito aos interesses dos trabalhdores voltam a mostrar, agora na Grécia, o que sempre foram: representantes da burguesia. A "civilidade" europeia, que jamais corou de vergonha ao massacrar suas colônias, também não se envergonha de canibalizar as "nações irmãs".

Como fieis escudeiros do capital, não se importam de se despir de suas aparências educadas para mostrarem sua verdadeira face e exigir recompensas ainda maiores para seus senhores, ainda que isso exija o sacrifício dos próprios europeus ou mesmo de seus compatriotas. Como resposta, os reformistas se esquivam da verdade e alegam que a ofensiva contra os trabalhadores gregos é organizada por organismos internacionais não eleitos. 

Não deixa de ser irônico que hoje a carga da União Europeia se volte contra a Grécia, berço das principais tradições ideológicas e filosóficas do Ocidente e fundadora da democracia. Pois é justamente sobre a democracia que se construiu a identidade de estados organizados sobre uma artificial igualdade política estruturada na desigualdade e na exploração. Eleitos ou não, os representantes de governos de países capitalistas serão sempre representantes dos interesses da burguesia. 

Se por um lado o ataque ao proletariado grego torna claro que apetite destruidor do capital pode atacar em qualquer lugar, por outro mostra como o reformismo não só não serve como proteção contra esta ofensiva, mas acaba por se tornar agente dos interesses da burguesia. 

O Syriza mobilizou a população grega para um referendo sobre o pagamento da dívida e quando os gregos responderam que não desejavam pagar a dívida o partido simplesmente partiu para organizar o pagamento. Um partido explicitamente alinhado aos interesses da chamada 'Troika' (Banco Central Europeu, União Europeia e FMI) não conseguiria fazer o mesmo, assim como a própria ditadura não conseguiu reverter para a burguesia os mesmos benefícios que Fernando Henrique, Lula e Dilma tranquilamente entregaram a seus senhores.


Dentro da lógica do capital nenhum estado capitalista pode deixar de agir como... um estado capitalista. Para impedir os ataques do capital só existe uma resposta: a revolução proletária.

Não importa quantos exemplos a história ofereça, para os reformistas a opção pela ilusão será a sina dos que negam a realidade. Pois para eles a resposta para os efeitos do capitalismo será sempre mais capitalismo. Cada passo dado nesta direção é mais um passo em direção ao abismo para os trabalhadores.

Só a revolução proletária pode combater o neoliberalismo!

 

Venceremos!


 

 




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