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O golpe que não foi

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Caracas, dos enviados especiais do MM5 –
A Venezuela amanheceu calma na quinta-feira 18 de abril de 2013. Os rumores de golpe de estado que corriam por todo o país desde a segunda-feira (15) se dissiparam diante das primeiras reações, mesmo que tímidas para alguns analistas, do presidente Nicolás Maduro. Na realidade, o que ocorreu, de ambos os lados, foram previsões claramente equivocadas quanto ao resultado das urnas.


No dia mesmo da eleição todos davam como certa uma vitória de Maduro com uma margem de oito a dez pontos percentuais. As urnas não confirmaram tal prognóstico, pelo contrário: Nicolás Maduro 7.559.349 votos (50,75% do total), Henrique Capriles 7.296.876 (48,98%), em números exatos, com uma vantagem de apenas cerca de 1,75 ponto percentual em favor do candidato bolivariano, proclamado oficialmente presidente da República Bolivariana da  Venezuela no dia seguinte pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE).

Mais que esperto, o já velho golpista Henrique Capriles, veterano da tentativa de golpe de ultradireita de 2002 contra Chávez, correu logo à rede de televisão Globovisón - eternamente à sua disposição e serviço, porta-voz dos interesses do imperialismo e do grande capital - para tentar capitalizar politicamente os inesperados resultados. Começou por acusar o governo eleito de “espúrio e ilegítimo”, adotando clara postura provocadora. A seguir, convocou panelaços diários até que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) se decidisse por sua reivindicação de recontagem manual dos votos. Convocou também ainda na segunda-feira na mesma aparição na TV a que se realizassem caminhadas aos conselhos eleitorais regionais, o que culminaria com uma grande marcha ontem, quarta-feira, 17, com uma marcha em Caracas à sede nacional do CNE.

Na mesma segunda-feira 17 e no dia seguinte em Caracas e nas grandes cidades do país o chamamento de Capriles ao panelaço foi atendido, com cerca de três horas seguidas de persistente barulho de bate-panelas gritando que a direita estava presente, incomodando, ameaçando. Contam-se oito trabalhadores assassinados pelo vandalismo fascista caprilista. Prédios públicos depredados, destruições no metrô de Caracas, incêndios criminosos em postos de saúde com agressões aos médicos cubanos. Sem dúvida, a direita tentou se aproveitar com esperteza da momentânea desorientação provocada pelo inesperado resultado da votação.

Foi somente aí, na noite da terça-feira 16/4, que o governo reagiu. Começou por proibir a caminhada direitista ao CNE convocada por Capriles. A seguir, Nicolás Maduro convocou o proletariado às ruas, mobilizando as bases do PSUV, anunciando foguetórios diários a partir da quarta-feira, festividades e comemorações como resposta às iniciativas da direita. E foi plenamente atendido. Ontem, o que se viu foi uma verdadeira maré vermelha bolivariana por todo país, de leste a oeste, de norte a sul, inclusive em redutos eleitorais tradicionalmente dominados pela direita. Durante o dia, várias manifestações de apoio por parte de trabalhadores de todas as categorias. Em todas as grandes empresas estatais (PDVSA, Cantv e Corporelec entre elas) foram realizadas manifestações de apoio a Maduro e, igualmente importante, marcadas pela reivindicação unificada da necessidade do aprofundamento do processo revolucionário no país. À noite, abafado pelos estrondos do foguetório, algumas poucas panelas tentavam se fazerem ouvir.

Mais uma vez espertamente, Capriles retirou publicamente suas convocações às caminhadas e solicitou um acordo com Maduro, obtendo deste a simples e clara resposta de que: “Não faço acordo com a burguesia.”

Houve, de fato, uma possibilidade de golpe na Venezuela neste período eleitoral e pós eleitoral? Há uma possibilidade de golpe de estado da direita na Venezuela hoje e no curto prazo? Pelo que podemos perceber em contato com a realidade local do que se vê e se sente nas ruas – e, principalmente, na consideração de que golpes de estado são movimentos de força, ancorados na força e por ela sustentados –, descartamos a hipótese da ocorrência de um golpe. Em primeiro lugar, e fator decisivo, as Forças Armadas Bolivarianas tem-se mostrado absolutamente alinhadas com o governo, com declarações públicas de todas as armas, em todos os escalões. Outro elemento de extrema importância: os fatos que se assemelhavam com os acontecimentos de 2002 (panelaços, queima de pneus por parte da direita etc.) encontram, no outro lado da trincheira, um proletariado muito mais consciente e muitíssimo mais organizado, como o provou o pronto atendimento aos chamados de Maduro na noite da terça-feira. Isso sem falar na existência, hoje, de cerca de 400 mil milicianos treinados pelo Exército, além de milhares de milicianos independentes absolutamente alinhados ao chavismo. Na aparência, uma realidade similar à de 2002. Na realidade, algo muito, muito, diferente.

Não há dúvida, porém, de que a direita não vai se aquietar enquanto não for definitivamente colocada fora de cena pela completa socialização dos meios de produção e enquanto não se instalar um poder político direto do proletariado no país. Pelo momento, o presidente Maduro, atendendo às exigências do movimento vivo do proletariado, tem anunciado punição severa à tentativa geral de desestabilização política posta em prática pela direita, inclusive com responsabilizações criminais individuais.

A conclusão geral que temos que tirar dos acontecimentos recentes na Venezuela é a de que as lutas de classe tendem a se aprofundar, tendo-se colocado em um patamar superior com as movimentações da direita em torno do processo eleitoral e de seus resultados. O proletariado venezuelano deu e tem dado sinais de que começa uma histórica batalha pela destruição do capitalismo.

Venceremos!


 

 




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