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Chávez Vive. A luta continua!

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O Movimento Marxista 5 de Maio-MM5 vem somar-se ao profundo sentimento de perda dos trabalhadores da Venezuela e de todo o mundo pela morte do presidente Hugo Chávez. Na tarde de terça-feira, poucos minutos após o anúncio do falecimento do já histórico líder latino-americano, milhares e milhares de caraquenhos ocupavam as principais ruas e praças da cidade para expressar sua dor e, ao mesmo tempo, sua disposição de levar adiante a luta na qual Hugo Chávez Frías empenhou toda sua militância e sua própria vida. A palavra-de-ordem “Chávez vive, la lucha sigue” (que, traduzida, dá título ao presente texto) ecoava firme e solene por todos os cantos da capital.


Chávez foi incontestavelmente a mais poderosa voz a se levantar em nível mundial contra o chamado ‘pensamento único’ neoliberal, que, em resumo, pretendeu reduzir a vida a uma troca de mercadorias. Não que em todos os lados do globo vozes e ações não se tenham erguido contra a política neoliberal adotada ao final dos anos 70-início dos 80 pelos serviçais do capitalismo – a primeira-ministra inglesa Margareth Tatcher e o presidente estadunidense Ronald Reagan à frente – como estratégia de enfrentamento da crise que estourou em meados daquela década de 70 do século passado e que atinge agora níveis de agudização próprios das graves crises cíclicas e sistêmicas do capital, apesar de todos os esforços, inclusive bélicos, do imperialismo.


Mas foi Chávez que, eleito presidente da Venezuela em 1998 após uma tentativa de insurreição militar em 1992, desencadeou e vinha desencadeando até sua morte todo um conjunto de ações e medidas de ataque ao capital em todos os níveis, econômico, político e ideológico, que fizeram os donos do capital sentir que o proletariado estava vivo e que o socialismo permanecia – como permanece – no horizonte histórico. Se mais não fosse, somente por isso Hugo Chávez já tem lugar garantido na galeria dos grandes estadistas e combatentes latino-americanos que fizeram do alinhamento ao lado dos de baixo, dos oprimidos e explorados, o eixo de toda sua luta. É preciso, sempre, nomeá-los: Artigas (Uruguai), Gaspar Francia/Carlos e Francisco Lopez (Paraguai), Lautaro (Chile), Tupac Amaru (Peru), Bolívar (Venezuela/Colômbia), José Martí (Cuba), José María Morelos (México).


Da luta contra o colonizador aos embates pela independência nacional, estes homens, consideradas suas circunstâncias e seus tempos, traziam a marca comum do compromisso com as vítimas da exploração e da opressão. Mais recentemente na história da América Latina, já na linha da luta pelo socialismo, se incorporam a estas fileiras nomes como Augusto Sandino (Nicarágua), José Carlos Mariátegui (Peru), Fidel Castro (Cuba), Ernesto Che Guevara (Argentina/Cuba/Bolívia), Raúl Sendic (Uruguai) e Salvador Allende (Chile) entre muitos outros argentinos, brasileiros, bolivianos, paraguaios e combatentes de todos os países, enfim, que dedicaram sua vida e sua morte à causa dos trabalhadores. E Hugo Rafael Chávez Frías.


O MM5, através de textos de análise e propaganda publicados neste site e em nosso jornal, jamais ocultou suas críticas ao chavismo e à própria idéia de que o bolivarianismo pudesse configurar, em si, uma revolução socialista. Como marxistas que nos reivindicamos, destacamos sempre a necessidade fundamental da presença de um poder e um estado proletários, aberta e claramente classistas, de caráter conselhista – diferente e qualitativamente oposto a qualquer tipo de estado burguês, o que inclui a democracia – como elemento básico de configuração de uma revolução socialista. Mas sempre destacamos nosso apoio ideológico e prático ao chavismo e ao movimento bolivariano, resguardando a condição de um apoio crítico, este no sentido de um não alinhamento automático às propostas e iniciativas do governo chavista. Mas não de oposição.


Em resumo, que é o que cabe neste texto essencialmente voltado para uma homenagem ao combatente Hugo Chávez, reafirmamos aqui que o bolivarianismo configura um elemento de radicalização e fortalecimento político-ideológico do proletariado em direção à insurreição e instalação de um estado proletário. E temos todo o direito de supor e acreditar que todo o processo até a vitória final poderia ser concretizado na progressiva radicalização prática assumida por Hugo Chávez.


Abre-se agora um período de agudização de lutas de classes na Venezuela. Em princípio, não consideramos viável sequer a possibilidade de a direita tentar um golpe de estado no país, já que fatalmente tal tentativa resultaria em um tiro no próprio pé, dado o estado de mobilização e radicalização político-ideológica em que se encontram as massas proletárias neste momento e no médio prazo previsível. A direita é burra, claro, mas não estúpida a este ponto. Ainda na terça-feira Henrique Capriles, seu chefe unificador, se apressou em fazer públicas suas lágrimas de crocodilo diante da morte de Chávez. Mas a falsidade das condolências apresentadas pelo representante maior da direita venezuelana não colide com o fato de todos os segmentos reacionários do país terem plena consciência de que, para eles, este não é momento de avanço. O MM5 estará particularmente atento ao desenvolvimento da conjuntura venezuelana, fazendo chegar a todos os membros e simpatizantes análises e posicionamentos voltados para nossa instrumentalização para a intervenção geral nas lutas de classes.


Chávez vive. A luta continua!


 

 




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