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Trabalhadores espanhóis marcham contra a superexploração

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A crise capitalista iniciada em 2008 vem ecoando mundo afora no dia 7 de outubro, encontrou as vozes de milhares de trabalhadores espanhóis. Convocadas por mais de 150 organizações sindicais, a marcha saiu às ruas de Madri e outras 57 cidades espanholas para dar o grito contra o plano de austeridade que o primeiro-ministro conservador Mariano Rajoy impõe desde julho deste ano.

Carregando bandeiras com o lema "Mais desemprego, mais cortes, menos proteção. Querem arruinar o país! É preciso impedir", os manifestantes, entre eles representantes dos dois principais sindicatos do país, UGT e CCOO, levantaram a voz contra o franco aumento da exploração da classe trabalhadora, em consequência da fragilidade estrutural do sistema financeiro global, que leva a União Européia a recorrer a uma política neocolonialista para com os países da periferia européia, como no caso da Grécia, Espanha e Portugal.

Enquanto o governo espanhol tenta acalmar os investidores e segurar a dívida pública, que deve alcançar 85,3% da produção anual, são os trabalhadores que sofrem com os cortes radicais em seus salários, na educação, saúde, serviços sociais e com o aumento do imposto sobre as mercadorias. Estas drásticas medidas de contenção de gastos no país são uma tentativa de evitar um pedido financeiro emergencial à União Európeia. E com a política de austeridade funcionando dentro do esperado, o governo prevê economizar 65 bilhões de euros até 2014. Porém, à custa do suor do trabalhador, pois sempre que as crises cíclicas do capital se agudizam, é preciso recorrer à superexploração dos trabalhadores: o meio necessário para recuperar o capital financeiro, realizar novos investimentos e reerguer a estrura anterior.

No entanto, mesmo diante deste contexto, ainda há espaço para beneficiar a burguesia do país, com consequencias diretas para o trabalhador. No caso da Espanha, gerando mais desemprego e lançando o proletariado à margem das condições básicas de sobrevivência. O desemprego no país atinge 24,63% da população ativa e 53% dos jovens com menos de 25 anos, com um total de cerca de 6 milhões de desempregados. A crise se agrava. A luta entre explorados e exploradores se torna mais aguda. Os protestos se radicalizam. E, no caso dos espanhóis, é chegado momento de fazer barulho e aumentar o som da revolta.

Os manifestantes pedem um plebiscito sobre a atual política econômica do governo e prometem uma greve geral para o dia 14 de novembro, juntamente com as manifestações em Portugal, caso não haja o referendo. As centenas de milhares de trabalhadores que têm tomado as ruas em manifestações quase que diárias ao longo dos últimos meses são os mesmos que ocuparam a praça Puerta del Sol, no último 11 de maio, o ponto de partida dos protestos neste ano.

Mesmo que o quadro conjuntural ainda não aponte para a possibilidade uma crise revolucionária na Espanha, os trabalhadores a cada dia mais saem às ruas em grandes protestos por melhores condições de vida e dignidade. A retomada de um movimento operário combativo na Espanha prenuncia uma nova onda de manifestações proletárias que tende se espalhar por toda a Europa.


 

 




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