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A agressão imperialista à Síria

 

al-assad

Mais uma vez, pela milésima vez, pessoas decentes e minimamente bem informadas do mundo inteiro se mostram indignadas diante de mais uma agressão militar aberta do imperialismo. Agressão militar e aberta, destaque-se, já que a própria existência do imperialismo implica uma agressão covarde, dura e cotidiana aos trabalhadores em todo o mundo. Hoje a Síria, amanhã provavelmente Venezuela, depois outro qualquer país. Nada de novo, portanto. Mas é preciso resistir, preciso denunciar, é preciso combater. Em relação à natureza do imperialismo, nada mais verdadeiro que a afirmação de Lênin de que esta fase do capitalismo significa necessariamente opressão e violência.

A razão alegada pelo trio Donald Trump/Emmanuel Macron/Thereza May de que o bombardeio visou depósitos de armas químicas não passa mais uma vez de uma daquelas velhas mentiras vendidas pelo imperialismo em ações semelhantes no Vietnam (ataque ao golfo de Tonquin em 1961) e, mais recentemente, no Iraque (invasão que resultou no assassinato de Sadam Hussein em 2005). Tais mentiras só convencem a quem quer acreditar nelas, como no caso da maioria das hostes trotskistas. Mas os reais motivos do bombardeio por forças combinadas dos Estados Unidos, França e Inglaterra a instalações militares próximas à capital síria, Damasco, e arredores na madrugada de sábado 14 de abril (noite de sexta-feira no Brasil) podem ser encontrados no interior da estratégia geral de expansão permanente do capital, condição de sua própria sobrevivência e reprodutibilidade. Nesta linha, as origens mais remotas do grande ciclo do capital em que o mundo se encontra podem ser identificadas ainda no espaço histórico denominado “guerra fria”, no qual o imperialismo – capitaneado pelos Estados Unidos – buscava ampliar domínios na rearrumação geopolítica geral do pós-guerra. De lado as escaramuças diplomáticas, intensificadas por ações no campo da inteligência e contrainteligência, destacam-se a Guerra da Coreia e a chamada crise dos mísseis – a interceptação pelos Estados Unidos, em 1962, de embarcações soviéticas com carregamentos de artefatos atômicos destinados à Cuba revolucionária.

A vitória obtida na destruição do socialismo real, coroada com a retirada da bandeira soviética foice-e-martelo da torre do Kremlin (Moscou) no Natal de 1991, fez com que o imperialismo dirigisse agora sua gula para a própria Rússia e os países da rica região petrolífera do Cáucaso (Cazaquistão, Azerbaijão Geórgia, Turcomenistão, Quirguistão). Com a chegada de Vladimir Putin ao poder na Rússia, contudo, os objetivos do bloco imperialista Estados Unidos-Europa Ocidental teve seus planos bloqueados, tendo sofrido derrotas significativas em ações de secessão nos países da região, dada inclusive a sólida articulação Rússia-China, com interesses estratégicos próprios e opostos aos do outro bloco.

Insaciável, o imperialismo se volta para o norte da África montando a até agora maior farsa política do século XXI: a chamada “Primavera Árabe”, financiando e armando bandos protofascistas de mercenários em apoio a ações bélicas abertas na Tunísia e no Egito, aproveitando-se das grandes mobilizações populares contra a progressiva deterioração das condições de vida nesses países. Já na Líbia e na Síria, onde não foi possível ao imperialismo utilizar-se do pretexto das reivindicações materiais dos trabalhadores por melhores condições de vida (a Líbia detinha o melhor índice de qualidade de vida de toda a África), o pretexto imperialista foi o de “derrotar a ditadura e estabelecer a democracia”, velha e esfarrapada desculpa logo encampada pelas principais correntes trotskistas, que, desde seu profeta maior Trotsky, jamais hesitaram em se aliar à direita internacional – como no caso da própria União Soviética, da Argentina (Guerra das Malvinas) e, agora, da Venezuela.

O imperialismo – derrotado em seus objetivos de fazer da Ucrânia sua ponta-de-lança em direção à Rússia e ao Cáucaso, inclusive com a retomada da península da Crimeia por Putin – concentra seus esforços na Síria. Descontadas todas as manipulações da mídia ocidental, com a brasileira ostentando uma reluzente medalha de ouro neste grande torneio mundial de mentiras, a verdade é que o recente bombardeio imperialista desferido contra a Síria significa um reconhecimento da vitória do regime de Bashar El Assad, que, com a decisiva ajuda da Rússia, que mantém mais que estratégicas bases militares (mar e terra) no país, conseguiu deter os planos imperialistas de tornar o país mais um de seus quintais, tendo o imperialismo financiado e armado para isso mercenários e grupos de assassinos fanáticos religiosos, como a Al Qaeda e o chamado Exército Islâmico.

Cumpre destacar ainda que a aviação israelense, em obediência servil a seu patrão norte-americano, bombardeou posições sírias no centro do país. Politicamente, uma das mais fortes razões dos objetivos permanentes do imperialismo de destruir o regime Assad é que este apoia firmemente a luta dos palestinos, através de uma relação estreita com o partido palestino Hizbollah, estacionado no Líbano. Nos parece, então, indiscutível que a já histórica solidariedade da verdadeira esquerda à luta de libertação da Palestina deve obrigatoriamente se estender a uma ativa solidariedade à Síria. A construção de um estado palestino independente, diga-se, integra a luta geral de libertação do proletariado do Oriente Médio.

Cabe aos marxistas e aos verdadeiros combatentes da luta do proletariado, pois, um posicionamento de firme e decidido apoio à Síria frente a mais esta agressão imperialista.

Venceremos!


 

 




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