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O fenômeno Trump

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Movimentos ligados à esquerda reformista, movimentista, trotsquista, gramsciana e vizinhos a este leque antimarxista partem para ruas e praças para protestar contra a eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos da América do Norte, a maior potência imperialista do planeta, denunciando aquilo que Trump real e indiscutivelmente é: racista, homofóbico, misógino, fascistoide.

Mas, pelo que se vê até agora, toda esta movimentação parece pouco incomodada com a companhia que lhes faz todas, praticamente todas, forças imperialistas em todos os campos da prática social em todo o mundo: governos imperialistas e pró-imperialistas (França, Inglaterra, Alemanha, Brasil), que não faz muito tempo abriram o século XXI com banhos de sangue do proletariado na África e países árabes principalmente (Obama-Hillary à frente), a grande mídia imperialista mundial, do New York Times a jornalecos de província, TV, rádio e sites irrevogavelmente porta-vozes do que há de mais criminoso e antiproletário de que se tem notícia. É no mínimo tragicômico ler, ver e ouvir os mais queridinhos da mídia capitalista no Brasil – Mírian Leitão, Demétrio Magnolli, Renato Sardenberg, Ancelmo Gois, Nelson Mota e muitos mais outros – falando que Donald Trump é mau, feio e sujo.

Tragicômico, porque toda esta escória burguesa e pequeno-burguesa não se dá conta daquilo que uma rápida reflexão identifica à primeira vista: Donald Trump presidente dos Estados Unidos é filho mais que legítimo da guerra ideológica empreendida pelas forças a serviço do capital – estados, mídia, igrejas, sistema escolar, Ongs – nos últimos quarenta anos. Tudo o que envolve o vendaval ideológico a que chamamos pós-modernismo e neoliberalismo.

A “ciência” antropológica reinante em todas academias do mundo não garante que é preciso priorizar o local, o nacional, em relação ao internacional? Trump concorda plenamente com isso: “Os Estados Unidos em primeiro lugar”, proclama. Estes mesmos antropólogos e artistas (?) não garantem que os valores éticos são indiscutíveis, que é preciso “respeitar a cultura do outro”? Bem, Trump respeita e defende a cultura racista, homofóbica e misógina dos mentecaptos que o elegeram. Não garante tal cultura posmodernosa que é preciso revalorizar o tribal, a iniciativa individual em relação ao coletivo? Trump é o exemplo mais que perfeito do self-made man, do empreendedor.

Enquanto marxistas, materialistas pois, precisamos ir às raízes materiais do fenômeno Trump. Eisso nos remete à natureza do momento de crise profunda que vive o próprio imperialismo em sua fase atual mais aguda de internacionalização denominada globalização. Os marxistas, armados da teoria revolucionária do proletariado, temos como princípio a busca dos fatores decisivos na linha da revolução proletária, e não de elementos secundários, não mais que consequências, do modo de existência do capitalismo em determinada fase. Em suma, Trump não é causa de nada, Trump expressa a própria crise desta fase do capitalismo financeiro chamada de globalização, repetimos. Aos reformistas, trotsquistas, gramscianos e assemelhados é vedado o acesso às causas materiais mais profundas dos fatos políticos e sociais. Seu método imediatista, conciliador, voluntarista, idealista, lhes proíbe o acesso ao material. Daí, priorizarem os chamados “movimentos sociais” em detrimento e prejuízo dos interesses imediatos e históricos do proletariado. Sensibilizada, a burguesia agradece.


Como formula Marx, o capitalismo carrega em sua dinâmica de reprodutibilidade estrutural contradições que de tempos em tempos lançam o sistema em crises profundas. Concretamente, os Estados Unidos – exatamente por serem o grande capo do imperialismo, do capitalismo financeiro – sofrem duramente o definhamento das atividades produtivas em seu território com consequências diretas no nível de emprego interno, já que o recursos se dirigem prioritariamente ao mercado financeiro. Também Lênin é inacessível à compreensão de reformistas, trotsquistas e gramscianos, mas seu texto “Imperialismo” deixa tudo isso com clareza. Além da questão do desemprego, integram o rol das expressões da crise mundial do capitalismo a desvalorização os salários reais em razão da concorrência entre os próprios trabalhadores (razão direta do Brexit). Com a queda da taxa de lucros, também uma tese marxista fartamente comprovada pela história, caem os investimentos, aprofundando o desemprego. A burguesia opta pela sonegação, pela agiotagem, pelo contrabando, pelo tráfico de armas e drogas, pela prostituição – tudo isso a que a ciência econômica burguesa poderia chamar de serviços.

Dado este quadro, temos que responder à pergunta sobre o que fazer, que caminho a tomar em nossa ação política diante da eleição de Trump. Descartemos de início estas festas e mobilizações movimentistas que apenas se prestam a desviarem os trabalhadores da rota da consciência de classe e, por isso, da revolução proletária. Obama e Hillary, os genocidas de que falamos acima, são feministas, antirracistas e defensores dos direitos dos homossexuais. E também são genocidas – e como tais passarão à história que um dia o proletariado escreverá.

De nosso lado, consideradas as condições materiais em cada formação social, é preciso centrar forças – todas as forças – na linha da mobilização do proletariado para fazer frente à feroz investida burguesa sobre os salários e os direitos dos trabalhadores. É fato que não temos no Brasil de hoje a condição da deflagração de uma greve geral contra as reformas postas em prática e projetadas pela quadrilha chefiada por Temer, mas é preciso partir desde já para a organização de greves locais e por categorias como caminho para uma greve geral que, esta sim, poderá estancar o avanço do assalto burguês. À luta, pois.

Venceremos!

 


 

 




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