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Comuna de Paris, lição eterna

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Há 141 anos o proletariado francês escreveu com o seu próprio sangue uma das mais heróicas páginas da história das lutas pela libertação da classe operária


O exemplo dado pelos revolucionários franceses deve permanecer vivo na memória dos comunistas de todo o mundo para que o proletariado possa avançar na luta contra a exploração sem cair na armadilha reformista


Embora a burguesia mantenha constantes esforços para omitir a história e esconder os conflitos gerados pela exploração do proletariado, a esquerda segue resistindo e lutando para preservar a memória daqueles que tombaram no enfrentamento ao estado burguês. Disputas estas que também nos servem de instrumento para aprender e avançar em direção a uma sociedade fraterna e justa.
 

A história da humanidade é a história da luta de classes, reafirmava Marx já em 1848. E o tempo confirmou as palavras impressas no Manifesto Comunista. Em 1871, o proletariado pela primeira vez tomou o poder em suas mãos e iniciou de fato, embora por apenas 78 dias, a instalação de uma ditadura do proletariado. Neste curto período, os trabalhadores de Paris formaram o mais exemplar governo de sua época: a Comuna de Paris.

Em 1870 o imperador Napoleão III havia perdido a guerra contra o exército alemão de Otto von Bismarck e assim foi destituído do poder. Os alemães avançaram pelo país derrotado e para resistir aos invasores os parisienses alistaram-se na Guarda Nacional e fortificaram a cidade.

O governo republicano francês, chefiado por Adolphe Thiers, tenta iniciar o armistício com Bismarck e cobra que o proletariado entregue suas armas. Diante da negativa por parte dos trabalhadores, Thiers inicia uma série de ataques contra a Guarda Nacional.

Em 18 de março de 1871, o exército republicano, representando o interesse da burguesia, invade a cidade. Armados, os parisienses resistem e no mesmo dia proclamam a Comuna de Paris. “Os proletários da capital, no meio dos desfalecimentos e das traições das classes governantes, compreenderam que para eles tinha chegado a hora de salvar a situação... compreenderam que era seu dever imperioso e seu direito absoluto tomar em mãos os seus destinos e assegurar-lhes o triunfo conquistando o poder”, relatou o Comitê Central da Comuna.

O governo republicano é apanhado de surpresa e se vê obrigado a recuar. Para evitar uma nova guerra civil, o Comitê Central opta por não atacar o governo instalado em Versalhes, que estava enfraquecido.

Marx aponta que esta foi a maior falha cometida pela Comuna. Um erro que permitiu às forças reacionárias se reorganizarem. Um erro que deve ser aprendido pelo proletariado. Não ter destruído o poder burguês – e suas instituições democráticas (que nada mais são que a forma autoritária com que os exploradores subjugam os trabalhadores) quando houve a oportunidade – fez com que os republicanos acabassem por aniquilar a Comuna em 28 de maio de 1871.

A brutalidade com que a revolução foi detida não deve ser esquecida. Os milhares de fuzilados pela reação burguesa devem ser lembrados com honra e respeito. O feito destes heróis é algo que os marxistas devem carregar com orgulho. Mas as falhas não podem ser deixadas de lado. O sangue de nossos companheiros não correu em vão.


 

 




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