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A Revolução Russa permanece viva

Na madrugada do dia 7 de Novembro de 1917 (25 de Outubro pelo calendário de então) uma milícia comandada pelo dirigente bolchevique Antonov-Oveseenko invadiu o Palácio de Inverno em São Petersburgo e tomou o poder. Realizava-se assim um sonho milenar de todos explorados da terra. A história já registrara muitas e igualmente heroicas lutas e conquistas dos de baixo nos quatro cantos de mundo, de Espártaco na Roma Antiga a Lautaro (Chile) e José Maria Morelos (México) na nossa América Latina. Marcos de resistência e exemplos eternos. Mas foi na Revolução Russa que o mundo viu nascer uma insurgência dos oprimidos que trazia marcas de esperança e solidez que se fizeram eternas. Sim, eternas. Eternas por que permanecem vivas e plenas em nossas consciências e em nossos corações. Venceremos!


Que não se iludam os acadêmicos e escribas em geral vendidos à podridão dos interesses dos donos do capital, dos atuais senhores da Terra: a Revolução Russa continuar a mover e a inspirar milhões de homens e mulheres mundo afora. A inspirar e a ensinar a todos aqueles que não nos deixamos enganar pela tão astuta quanto raivosa propaganda anticomunista e que permanecemos firmes no objetivo da libertação do proletariado e da humanidade. Não se equivoquem, senhores: o fantasma do comunismo continuar a rondar vossas riquezas e vossas casas. O capitalismo há muito já provou o que é: guerra, morte, fome, miséria, destruição. O socialismo – com o exemplo maior da experiência soviética – também já provou o que é e o que pode: casa, comida, educação, cultura e lazer para amplas massas de humanos antes lançados pelos donos do capital ao lodaçal da miséria e da opressão. Da escravidão.


Uma das maiores vitórias da burguesia, senão a maior, em todo o quadro das lutas mundiais de classes foi e tem sido a de minimizar, obscurecer e ocultar mentirosamente os enormes e inusitados ganhos materiais e culturais obtidos pelo proletariado – a imensa maioria da população onde quer que seja – nos países que instalaram relações e econômicas e políticas socialistas, revolucionárias, dentro de suas fronteiras. Desde a Rússia, com todas as repúblicas que formaram a União Soviética, e a China até países do chamado Terceiro Mundo, como a gloriosa Cuba e o heroico Vietnam. A guerra de propaganda desencadeada pelos meios de comunicação (rádio, televisão, jornais cinema, teatro etc.) e pela academia burguesa de ontem e de hoje ocorre, como se sabe, sobre a base de uma permanente e mais que cruel ação militar das forças imperialistas na qual massacres de populações civis são enormemente superiores em número de vítimas que embates diretos entre efetivos militares. Nisso, o capitalismo industrial-financeiro segue o mesmo caminho do extermínio de seres humanos perpetrado pelo capitalismo comercial bem conhecido nas Américas, dos indígenas norte-americanos aos irmãos do centro e do sul do continente: da atual República Dominicana à fronteira Brasil-Argentina-Paraguai, passando pelos grandes genocídios no México e no Peru. De vez em quando, para que não se diga que não falam em flores, acadêmicos e midiáticos se dizem consternados, comovidos e tristes com o grande genocídio americano.


Reformismo e trotsquismo

Mas são rios e rios de tinta e saliva para falar e denunciar com pompa e circunstância o que chamam de “crimes de Stálin”, a “ditadura de Fidel” etc. etc. Alguns chegam a garantir, sem qualquer resquício de prova, que Stálin determinou a execução de dez milhões de pessoas! Provas? Nenhuma? Vestígios, sim, simples vestígios, históricos? Nenhum.


Na realidade – e aqui entra uma questão decisiva –, quando a direita, a academia e os meios de comunicação dizem apontar para Stálin, na verdade estão dirigindo seus disparos criminosos contra Vladimir Lênin, o grande arquiteto da Revolução Russa e construtor maior do estado soviético. E aqui entra um fator decisivo na empreitada imperialista de atribuir veracidade à grande mentira imperialista: a função de quinta coluna (agente do inimigo entre nossas forças) desempenhada pelo reformismo e pelo trotskismo. Este, desde sempre empenhado cotidiana e obcecadamente em sabotar a Revolução Russa desde o primeiro dia após a tomada do poder. Como se sabe, aliás, o próprio Trotsky sempre fez partido do partido menchevique – reformista e conciliador, contrarrevolucionário –, tendo ingressado no partido bolchevique apenas em agosto de 1917, de embolada com um grupo pequeno-burguês em que também recentemente ingressara somente para evitar a necessária autocrítica, radical, que até hoje o trotskismo deve à história. Registra a história: Trotsky tentou sabotar a paz de Brest-Litovski, quis estatizar os sindicatos (posição corporativista), posicionou-se contra a NEP leninista, colocou-se ao lado dos neolatifundiários culaques na socialização do campo levada e efeito por Stálin e, o mais grave, tentou um golpe de estado contra o poder soviético em novembro de 1927, durante as comemorações dos dez anos da revolução. Depois, já expulso da URSS, chegou a afirmar que lhe agradaria ver Hitler invadir e ocupar a União Soviética, com o ‘argumento’ de que isso traria a queda do ‘estalinismo’. E segue o trotskismo sua linha messiânica e objetivamente colaboracionista, o que se expressa mais claramente hoje em sua aliança, informal mas de fato, com as forças fascistas que, a serviço do imperialismo, combatem o bolivarianismo.


Por seu lado, o reformismo mundial solidarizou-se com a Revolução Russa até a morte de Josef Stálin, em 1953. Mais que isso, seguiu à risca e obedientemente a linha reformista de ‘convivência pacífica’ com o capitalismo adotada pela URSS no pós-II Guerra, o que expressava a estratégia das Frentes Populares, de aliança com a burguesia como caminho para o socialismo. E esta é a crítica que fazemos a Stálin. É certo que a União Soviética não tinha condições então, destroçada que estava ao final da guerra, de promover revoluções pelo mundo, correndo inclusive o risco de uma invasão pelas frescas tropas norte-americanas, que tiveram perdas militarmente desprezíveis no confronto. Mas nada a nosso juízo justifica desenvolver, o que foi feito, uma prática reformista de aliança com a burguesia a pretexto de garantir a sobrevivência da União Soviética. Para se ter ideia de a que ponto chegou tal política reformista imposta a todos os partidos comunistas de linha soviética, o Partido Comunista Brasileiro chegou a garantir que o Brasil era um país feudal, o que exigiria uma aliança com a burguesia como caminho do poder. Deu no que deu.


Já com Nikita Kruschov no comando do poder, o XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética adota a tal política de ‘desestalinização’, na verdade uma crítica pela direita da política até então em prática, com base em um certo ‘Relatório Secreto’ dos ‘crimes de Stálin’, cuja autenticidade jamais, até hoje, foi comprovada. Então, o que antes era tática foi transformado em estratégia. Como linha condutora geral do programa econômico do socialismo soviético foi adotada a estratégia de competição com os países capitalistas avançados (Estados Unidos, especificamente) em busca do santo graal do crescimento acelerado, custasse o que custasse. E custou na URSS um aprofundamento da diferenciação salarial, prêmios para operários e gerentes por produtividade, planejamento econômico descentralizado, por unidade produtiva, fortalecimento das cooperativas no campo em detrimento das fazendas estatais etc. Ou seja, plantaram-se sementes de capitalismo que desgraçadamente floresceram. É importante, decisivo mesmo, destacar que jamais s URSS desenvolveu um política em tornos de dois objetivos programáticos fixados por Marx em seu “Crítica ao Programa de Gotha”: a extinção da pequena propriedade e a superação da diferença entre o trabalho manual e o intelectual. A pequena propriedade individual reunida nos colcozes sempre foi propriedade individual, apesar de cooperativada. A universidade soviética sempre foi burguesa, mantidos os privilégios, hierarquias, vícios, práticas, estruturas e objetivos essenciais a uma universidade burguesa: subsidiar com conhecimentos o crescimento da sociedade... burguesa! Assim foi sendo cimentado o caminho que levou ao aparecimento dos traidores Gorbachev e Yeltsin.

Comemorações

Seria cômico se não fosse trágico assistirmos hoje a comemorações e comemorações simplesmente fraudulentas da Revolução Russa, comemorações por quem definitivamente não tem o direito de fazê-lo. Gente que defende e pratica hoje uma ação política em linha absolutamente contrária ao leninismo, em oposição aberta e de combate à linha revolucionária que levou o partido leninista ao poder no glorioso Novembro de 1917. Pergunta-se: contra quem lutaram os bolcheviques para tomar o poder? Responde-se: contra os mencheviques, reformistas portanto. Quem estava no poder e foi derrubado pelas armas bolcheviques? Resposta: os mencheviques, reformistas portanto. Quem chefiava o governo democrático reformista derrubado em novembro de 1917 pelos bolcheviques? Kerensky, socialista democrata e reformista. Ou seja, os inimigos políticos, concretos, dos bolcheviques eram os reformistas. Portanto: os reformistas não podem comemorar a revolução russa, bolchevique, sob pena de fraude. No Brasil, por exemplo, o PSOL e o PT não têm o direito político-moral de comemorar a Revolução Russa. Nem os trotskistas seguidores do menchevique Trotsky, que se juntou aos bolcheviques quando a revolução já estava praticamente ganha, tendo passado toda sua vida política até então a combater e sabotar o leninismo.

Sim, somos somente nós os marxistas e leninistas que temos o direito de comemorar estes gloriosos 100 Anos da Revolução Russa.


Viva Marx! Viva Lênin! Viva a Revolução Mundial!

Venceremos!


 

 




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