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Bolsonaro e a estupidez da esquerda reformista

 

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No último dia 1º de agosto, Bolsonaro completou 8 meses de mandato sob críticas cada vez mais fortes de sua própria base de sustentação, incluindo agronegócio, sistema financeiro e setores industrial e comercial, que reclamam da constante ‘instabilidade política’ produzida pelo atual governo na condução e implementação das reformas demandadas pelo grande capital (como a previdenciária e a trabalhista) e da privatização de estatais.

O acúmulo de crises quase que diárias tem produzido fissuras políticas que, na prática, dificultam a interlocução do governo Bolsonaro junto a essas frações burguesas, mesmo tendo o atual governo, desde seu início, recebido apoio quase que incondicional do imperialismo norte-americano.

Contudo, e apesar da crescente fragilidade de Bolsonaro no interior do campo de sustentação burguês, não podemos garantir que a burguesia irá descartá-lo tão logo consiga aprovar a reforma da previdência e o programa de privatizações. Isto porque, mesmo com acentuada queda de popularidade, Bolsonaro ainda mantém um núcleo de forte apoio político e ideológico no interior das forças armadas brasileiras, das polícias militares e civis, a maioria delas de conformação fascista ou protofascista. Da mesma forma, Bolsonaro também é alvo de simpatias por parte de expressivos setores do proletariado das periferias das grandes regiões metropolitanas brasileiras. Proletariado este iludido e anestesiado não somente pelos aparatos midiáticos de uma das imprensas mais reacionárias do planeta, mas também pela constante doutrinação promovida por igrejas evangélicas cujo ideário de extrema-direita e conservador nada deve ao fascismo tradicional.

Esses fatores, aliados ao apoio de uma classe média ultrarreacionária que na prática já mostrou grande disposição de ocupar as ruas para defender o atual governo, como ocorrido recentemente nos protestos contra o Supremo Tribunal Federal e em defesa da Operação Lava-Jato, mostram que, para os setores burgueses descontentes com Bolsonaro, não será nada fácil se livrar do presidente que tanto ajudaram a eleger. É grande a possibilidade de haver resistência.

Enquanto prosseguem a instabilidade e as fissuras no governo Bolsonaro e no interior do campo burguês, assistimos, do lado das esquerdas reformistas e do trotskismo, a um espetáculo sem precedentes de degeneração e oportunismo. Primeiro exemplo: a completa rendição, por parte das centrais sindicais e movimentos sociais, de organizar uma luta consequente para barrar as reformas capitalistas, o que significa fazer greve e parar a produção, e não se limitar à realização de bem-comportados atos públicos e passeatas cuja consequência inevitável será (sempre) carrear os movimentos de trabalhadores para a conciliação junto à institucionalidade e ao parlamento burguês.

Segundo exemplo: o repugnante encontro, ocorrido em agosto e com direito a fotos e sorrisos, entre o deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ) e a ultrarreacionária deputada Janaina Paschoal (PSL), ícone da extrema-direita e integrante do mesmo partido de Bolsonaro. Após o referido encontro, Freixo disse que “é possível uma relação de afeto entre opostos”. O deputado do PSOL também teve encontros semelhantes com Alexandre Frota e Kim Kataguiri, do ultradireitista MBL. Só para lembrar: Freixo foi o mesmo que elogiou a atuação da PM do Rio, no dia 20 de agosto, logo após um atirador do Bope ter matado, sem qualquer chance de defesa e de forma covarde, o homem que mantinha pessoas reféns em um ônibus na ponte Rio-Niterói. Que ninguém se engane: Freixo não está sozinho no elogio à assassina política de segurança do governador Wilson Witzel. Ele expressa um ponto de vista dominante em seu partido, o PSOL, e no reformismo em geral.

Como terceiro e último exemplo do nefasto papel desempenhado pelo reformismo e o trostskismo a serviço das ilusões e da ideologia pequeno-burguesa, com destaque também para o PSOL, há que lembrar o peso cada vez maior das chamadas agendas identitárias — aquelas que priorizam as lutas raciais, de gênero e LGBT, entre outras — na prática e na política cotidiana da maioria da esquerda brasileira. Não por acaso, essas agendas atacam furiosamente qualquer veleidade ou manifestação, por menor que seja, de consciência de classe proletária e independente de governos e patrões. Como são em essência antirrevolucionárias e antiproletárias, tais agendas também são inevitavelmente hostis ao marxismo leninismo enquanto referencial teórico. Por isso jamais serão capazes de organizar uma luta verdadeiramente libertadora. A burguesia, logicamente, agradece.

De uma ‘esquerda’ assim, na qual também se incluem organizações trotskistas como o PSTU, é impossível esperar qualquer coisa que não seja a conciliação e o recuo, o que é ainda mais grave num momento em que o governo Bolsonaro entra em choque com parte de sua base de sustentação política, fato que poderia abrir flanco à retomada de grandes manifestações classistas, dada a piora significativa da situação econômica do proletariado brasileiro.

A nós, comunistas, cabe intensificar nossa propaganda, organização e agitação, na perspectiva de denunciar as ilusões do reformismo e do trotskismo e avançar no acúmulo de forças revolucionárias para construir uma saída efetivamente proletária.

Venceremos!

 

 

 

 


 

 




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