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No segundo turno, voto nulo outra vez!

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O Movimento Marxista 5 de Maio-MM5 vem reafirmar enfaticamente seu posicionamento pelo voto nulo no atual processo eleitoral envolvendo os executivos e legislativos federal e estaduais. A necessidade de se enfatizar novamente nossa posição se deve a tratar-se agora, no segundo turno, de uma mesma conjuntura e essencialmente dos mesmos atores do primeiro turno. Igualmente importante, o fato de segmentos, setores, movimentos, organizações e partidos de esquerda, alguns deles afirmando-se solenemente revolucionários, já haverem começado a ensaiar hoje – cerca de somente 24 horas após o fechamento do primeiro turno – o coro da ‘responsabilidade’ frente à suposta e vazia ameaça de a direita fascista tomar o poder através de uma eventual eleição do candidato do PSDB, Aécio Neves, um neoliberal convicto apoiado pela ultradireita para a presidência da República. Por isso, ordena esta meia dúzia de vozes deste coro autoproclamado portador exclusivo da maturidade política, é preciso reeleger Dilma Rousseff, candidata da frente capitaneada pelo trio PT-PCdoB-PMDB, que, há doze anos no poder, desenvolve uma política abertamente neoliberal no país.

Desde um ponto de vista mais geral, qualquer análise política de qualquer formação social, em qualquer tempo, precisa ter sempre em mente o princípio elementar de ciência política de que a burguesia é composta por diferentes segmentos verticais e horizontais – por posição econômica na estrutura do sistema, por força política, por interesses grupais e corporativos etc. etc. O que determina a unificação da burguesia – e a consequente formação de um consenso político que unifique tais segmentos – é o aprofundamento de uma crise sistêmica que coloque em risco sua própria dominação de classe. Fora deste quadro de crise profunda, a burguesia se divide e opera em diversos segmentos políticos, o que, de resto, acontece também tendencialmente com a esquerda.

Sim, é claro, há diferenças significativas entre a frente PT-PCdoB-PMDB e as forças lideradas tradicionalmente pelo PSDB. Este partido, assim como o próprio PT, constitui uma corporação politica portadora e defensora dos interesses da burguesia situada na direita do cenário político brasileiro atual, não configurando assim um partido da extrema direita. Este parâmetro das relações direita/extrema direita no capitalismo é o mesmo que utilizamos quando das iniciativas do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa ergueu o estandarte sujo de uma extrema direita raivosa e ressentida contra a direita democrática, então encarnada no processo do Mensalão pelo PT. Em âmbito mais amplo, é possível referir-se com legitimidade à divisão Partido Democrata x Partido Republicano nos Estados Unidos.

É verdade que a extrema-direita golpista, raivosa, ressentida e revanchista, correu em disparada em direção à candidatura Marina Silva, que, ao contrário do PSDB de Aécio Neves, não tinha um partido forte e de expressão nacional que pudesse dificultar ou impedir a apropriação da candidatura marinista pelos militares golpistas, banqueiros ainda insatisfeitos com o já gordos lucros que lhes propicia o PT, latifundiários do agronegócio em busca de mais e mais terras gratuitas – enfim, todos estes segmentos de extrema direita até agora destituídos de uma representação politica nacional, dada a falência do partido DEM, que lhes surgira inicialmente como uma alternativa de abrigo. Mas a candidatura Marina, que chegou em dado momento a parecer um transatlântico, começou a dar claríssimos sinais bem antes do 5 de Outubro de não passar de uma frágil canoa furada. Mesmo irrelevante no momento, não se pode descartar a real possibilidade de manipulação das pesquisas, que passaram a apontar Marina Silva como favorita logo após a morte do candidato que a antecedeu na legenda do PSB, Eduardo Campos. Aliás, e apenas para registro no momento, observe-se que tanto Aécio quanto Marina se ergueram politicamente, em momentos diferentes, é certo, aproveitando ondas de comoções nacionais originadas pelo falecimento trágico de políticos expressivos de cujas heranças políticas passaram rápida e espertamente a se apropriar.

Também é verdade que, submergido irreversivelmente o barco marinista, toda aquela fauna ultradireitista migrou em direção à candidatura de Aécio, que chegou tranquilamente ao segundo turno. E aqui entra a primeira pergunta decisiva em relação a um posicionamento no segundo turno: se vencer Aécio, estaremos diante de um golpe branco desta extrema direita adventista à sua candidatura, transformando seu governo em uma ditadura velada? E a resposta só pode ser não. Para ocorrer um golpe, branco ou não, é preciso mais que a vontade dos golpistas. Se assim não fosse, os Constantinos, Mervais, Magnollis, Mainardis, Bolsonaros, Leônidas Pires, Ulstras, Reinaldos Azevedos, Steinbruchs etc. etc. etc. já estaria há muito no poder, absoluto como lhes convém, e nos teriam dizimado a todos os trabalhadores e seus aliados. Mas para ocorrer um golpe são necessárias, antes de mais nada, de condições objetivas: crise profunda do sistema, lutas de classes a tal ponto aguçadas que ponham em risco a dominação da burguesia, unificação ideológica e política desta burguesia etc. E nada disso existe no Brasil hoje. Não existindo, pois, crise aguda, a burguesia prefere sempre, por razões históricas e da própria lógica de sua dominação, a democracia. Evidentemente, ganhando Aécio, certamente algumas alterações menores e praticamente insignificantes ocorrerão no exercício do poder político burguês no Brasil, tanto nas relações internas quanto nas externas. Mas nada de decisivo – pela elementar razão de que o governo e o estado brasileiros já exercem, através do esquema PT-PCdoB-PMDB, a mesmíssima política neoliberal que Aécio pretende levar adiante.

De outro lado, registre-se que Dilma Rousseff é abertamente favorita neste segundo turno. Além de sair na frente em números reais conquistados, é importante levar em conta a conquista de feudos anteriormente detidos pelo PSDB, como o estado de Minas Gerais por exemplo. Mas, e apenas para efeito de raciocínio, vamos supor que Aécio venha a chegar empatado ou mesmo à frente de Rousseff em 25 de outubro, véspera do dia da votação. Qual a posição correta? Voto nulo, certamente. Isso, se quisermos ser consequentes com um posicionamento proletário, antiburguês, que não se deixe levar pelas ilusões e oportunismos próprios de qualquer processo eleitoral burguês.

Terceira hipótese: e se estivéssemos claramente diante de uma ameaça de golpe de estado burguês abertamente direcionado à instalação de uma ditadura aberta, necessariamente inimiga de morte do proletariado? Então, companheiros, estaríamos concretamente diante de um quadro conjuntural em que deveríamos, isso sim, recorrer à mobilização direta do proletariado na linha de uma insurreição em busca da tomada do poder por este proletariado e instalação de um poder e um governo deste proletariado.
  

Trabalhador consciente vota nulo! Venceremos!


 

 




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