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A serpente fascista sai da toca

 cherasonter

No Rio de Janeiro, sob a acusação de estar planejando furtos nas redondezas, um jovem negro menor de idade é atado nu a um poste por uma peça de ferro semelhante às gargalheiras usadas para prender escravos ao pelourinho para chicoteá-los até sangrar. No papel de “justiceiros”, um bando de homens de classe média da Zona Sul carioca. Em volta, um grupo de pessoas de idades variadas aplaude a barbárie. A grande imprensa faz de conta que não vê ou então, como no caso de uma certa comentarista de um jornal televisivo chamada Sherazade, tece impunemente elogios e justificativas à ação dos integrantes do bando por ela denominados “cidadãos”.

Os casos de barbárie semelhante se multiplicam vertiginosamente por todo o país. Nas prisões, um novo último círculo do inferno: assassinatos, decapitações, estupros. No cotidiano das favelas e bairros populares, polícia e marginais disputam o grande troféu de quem mais chantageia, explora e oprime os trabalhadores e suas famílias. Morte e extermínio. A repressão aos movimentos de protesto desencadeados no país a partir de junho passado se faz no interior de um modelo que faria inveja aos mais raivosos cães de guarda de Hitler e Mussolini. A pré-anunciada Lei da Copa cai sobre o país como um pesado manto de arbitrariedades fascistoides.

Não poucas vezes denunciamos aqui que a intocabilidade em que foi deixado o aparato repressivo da ditadura deixa o país – principalmente os trabalhadores, é claro – refém de toda um estrutura criminosa cevada na violência e na corrupção. Nos altos comandos militares prevalece a ideologia da segurança nacional, que considera o país em permanente estado de guerra. Os inimigos? Os trabalhadores. A responsabilidade pela miséria e a pobreza que assolam os lares da imensa maioria dos brasileiros é creditada às próprias vítimas, que, assim, passam à condição de criminosos. E como tais diariamente trucidados em número crescente por um aparato policial cruel e assassino. Tudo isso no interior daquilo a que chamam de “objetivos estratégicos permanentes” de paz social e garantia das instituições. Como instituições, leiam-se: a propriedade privada dos meios de produção, os lucros da burguesia, a exploração sobre o proletariado, a mercantilização da vida.

A víbora fascista
Destruída a esquerda como parte do pacto entre os segmentos da direita diante do esgotamento econômico-político e histórico do ciclo da ditadura militar de 1964-85, a burguesia hegemonizou com inusitada tranquilidade o último processo de redemocratização do país. Com a eleição do primeiro governo petista, em 2002, criou-se a expectativa de que, finalmente, todo aquele aparato repressivo da ditadura seria desmontado, com inclusive a remoção de ideólogos e agentes das barbáries praticadas no período, afastados que seriam de suas funções públicas. Afinal, o partido que chegava ao poder se dizia um partido de trabalhadores, estes, as grandes e principais vítimas da ditadura militar burguesa instalada pelo golpe de 1964.

Ilusão. O que fez a espúria aliança PT-PCdoB, pelo contrário, foi e tem sido homenagear, prestigiar e fortalecer politicamente os inimigos dos trabalhadores que tão bem serviram à ditadura. O primeiro ato do primeiro governo Lula, lembre-se, foi pegar um avião e ir correndo prestar contas e selar subserviência ao presidente norte-americano George Bush. A seguir, nomeou Henrique Meireles presidente do Banco Central. Dilma Rousseff, sabe-se, tem entre os favoritos da corte como conselheiro especial o senhor Delfim Netto, multi-ministro da área econômica dos governos ditatoriais, tendo figurado inclusive como signatário do AI-5, de dezembro de 1968, que levou muitos dos melhores brasileiros à prisão e à morte. José Sarney, Collor de Mello, Édison Lobão e Renan Calheiros integram a chamada base governista da presidenta. Talvez não seja preciso dizer mais.

Até há pouco tempo, no entanto, a cascavel fascista permanecia em sua toca à espera de um sinal de tempos mais claramente propícios à sua ação. E este sinal foi dado pelo Supremo Tribunal Federal no circo que armou no julgamento do chamado mensalão, em que os setores de direita atualmente no poder (PT-PCdoB-base aliada) foram duramente fustigados pela extrema-direita entrincheirada no Poder Judiciário e na grande mídia. No fundo, a burguesia sabe muito bem que ninguém no momento lhe é mais útil no governo federal que esta direita bem comportada que se faz passar por representante dos trabalhadores. Mas conhece também uma regra elementar da prática política: não se pode confiar em trânsfugas e traidores. E é daí que emerge a ideia de fortalecer um segmento protofascista, de extrema direita, de forma a preservar e afirmar armas mais contundentes para embates futuros diretos com o proletariado.

Disparado o sinal verde pelo STF, sai a campo uma tropa de choque midiática – a bordo de torpedeiros do porte da Rede Globo de Televisão, de jornais como O Estado de São Paulo e O Globo e revistas como Veja e Época – composta por corsários altamente qualificados na arte de ludibriar e mentir na sua santa cruzada em busca do cálice sagrado do fascismo: Merval Pereira, Demétrio Magnolli, Diogo Mainardi, Reinaldo Azevedo, Luiz Felipe Pondé, Chico Caruso e outros e outros e outros.

Do nosso lado, do lado da esquerda, é preciso denunciar interna e externamente este batalhão de mercenários. Não que o fascismo seja uma possibilidade de curto prazo no país – sequer a burguesia poderia recorrer hoje a um golpe militar, como já discutimos aqui. Mas não se pode deixar esta serpente se criar impunemente. Na esteira da crise de longo prazo que apenas se inicia no capitalismo em nível mundial, serão inevitáveis embates diretos entre a burguesia e o proletariado, embates historicamente decisivos. É preciso, desde já, iniciativas e ações no sentido de impedir o avanço desta epidemia fascista. Em toda nossa agitação, em nossa propaganda e nas lutas concretas do proletariado contra a exploração capitalista temos que ficar alertas quanto à ação da serpente fascista, agora disposta a armar seu bote sobre os trabalhadores.

Não passarão!


 

 




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