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Quando correu a primeira informação de que o deputado Chico Alencar (PSOL) beijara a mão do senador Aécio Neves (PSDB) em um jantar comemorativo dos cinquenta anos de prática jornalística do colunista Ricardo Noblat,  de O Globo, a primeira impressão das pessoas interessadas – já não dizemos aqui envolvidas –, minimamente interessadas, no atual quadro político  do país foi de que se tratava de uma cena da lavra de algum daqueles dramaturgos ligados à escola do teatro do absurdo. Chico Alencar, considerado com toda justiça um dos homens públicos mais íntegros e consequentes do país, beijando a mão de Aécio Neves? Aécio Neves, um mais que reconhecido oportunista, despido do menor resquício de moral que seja, que subiu na vida pendurado no cadáver do avô Tancredo Neves? Não, certamente devia tratar-se de um lance de imaginação de um desses bons humoristas que vêm surgindo no Brasil. Ainda mais porque o cenário de tão bizarra cena teria sido o tal jantar em homenagem a Ricardo Noblat, um dos cada vez mais numerosos vendilhões da própria alma, faustos subdesenvolvidos, que progridem com voracidade pantagruélica no jornalismo brasileiro. Chico Alencar homenageando Ricardo Noblat? Impossível.


Mas também era de se duvidar que alguém, mesmo no Brasil de hoje, seria capaz de fazer tal brincadeira de mau gosto com Chico Alencar. Aprofundou-se então a checagem da informação. E – desgraçadamente – constatou-se que a mesma é verdadeira. E, miseravelmente mais grave, com o detalhe de que não se está falando de uma figura de linguagem: Chico Alencar beijou literalmente a mão do necrófago Aécio da Cunha Neves.


Trata-se sem dúvida de um fato de múltiplas significações. A nós comunistas cabe pensá-lo com a objetividade materialista dialética que deve pautar nossas análises, despidos pois de preconceitos e tomando sempre a verdade como norteadora de nossas opiniões e julgamentos. Não somos os comunistas os detentores de alguma arca mitológica em que se depositariam princípios morais eternos. Não julguemos, pois, Chico Alencar desde um ponto de vista individual, moralista, torquemadeano. Olhemos politicamente para o deprimente episódio.


Por que um homem da estatura moral de Chico Alencar desceu a esse ponto? A resposta é: sua prática política reformista. Foi sua prática política reformista aperfeiçoada através de uma militância séria e dedicada à causa dos de baixo, mas reformista, que o conduziu ao ponto de rastejar-se ante os Aécios e Noblats da vida, estes, por sua vez, escória da podridão capitalista. Em 1915, pouco mais de um século portanto, o cientista político Robert Michels (existiram e existem cientistas políticos sérios – poucos, é verdade, mas existiram e existem) concluiu após sólida pesquisa pela inevitabilidade da degeneração dos partidos políticos socialdemocratas e reformistas em geral. Não precisamos ir longe: o PT está aí como prova (ainda) viva da correção da tese de Michels. O PSOL avança solidamente na raia da degeneração e em breve, muito em breve, cruzará a linha de chegada a bordo da nave enferrujada do reformismo. Reformismo que hoje, nestes tempos sombrios de capitalismo neoliberal, se traveste na roupagem camaleônica do gramscianismo.


Que sirva o episódio Chico/Aécio de mais um alerta-símbolo para os males que o reformismo causou, causa e causará sempre à luta dos trabalhadores. Foi e tem sido o reformismo um dos causadores das mais sangrentas derrotas sofridas pelo proletariado em toda a história das lutas de classe. É ao fracasso, e somente ao fracasso, que o reformismo conduz. É preciso, como recomendou enfaticamente Lênin, combatê-lo de forma dura e eficaz. E a forma eficaz de combater o reformismo é, sempre, fazer do marxismo o ponto de partida, o caminho e o ponto de chegada da luta do proletariado por sua libertação revolucionária.


Venceremos!

Quando correu a primeira informação de que o deputado Chico Alencar (PSOL) beijara a mão do senador Aécio Neves (PSDB) em um jantar comemorativo dos cinquenta anos de prática jornalística do colunista Ricardo Noblat, de O Globo, a primeira impressão das pessoas interessadas – já não dizemos aqui envolvidas –, minimamente interessadas, no atual quadro político do país foi de que se tratava de uma cena da lavra de algum daqueles dramaturgos ligados à escola do teatro do absurdo. Chico Alencar, considerado com toda justiça um dos homens públicos mais íntegros e consequentes do país, beijando a mão de Aécio Neves? Aécio Neves, um mais que reconhecido oportunista, despido do menor resquício de moral que seja, que subiu na vida pendurado no cadáver do avô Tancredo Neves? Não, certamente devia tratar-se de um lance de imaginação de um desses bons humoristas que vêm surgindo no Brasil. Ainda mais porque o cenário de tão bizarra cena teria sido o tal jantar em homenagem a Ricardo Noblat, um dos cada vez mais numerosos vendilhões da própria alma, faustos subdesenvolvidos, que progridem com voracidade pantagruélica no jornalismo brasileiro. Chico Alencar homenageando Ricardo Noblat? Impossível.

Mas também era de se duvidar que alguém, mesmo no Brasil de hoje, seria capaz de fazer tal brincadeira de mau gosto com Chico Alencar. Aprofundou-se então a checagem da informação. E – desgraçadamente – constatou-se que a mesma é verdadeira. E, miseravelmente mais grave, com o detalhe de que não se está falando de uma figura de linguagem: Chico Alencar beijou literalmente a mão do necrófago Aécio da Cunha Neves.

Trata-se sem dúvida de um fato de múltiplas significações. A nós comunistas cabe pensá-lo com a objetividade materialista dialética que deve pautar nossas análises, despidos pois de preconceitos e tomando sempre a verdade como norteadora de nossas opiniões e julgamentos. Não somos os comunistas os detentores de alguma arca mitológica em que se depositariam princípios morais eternos. Não julguemos, pois, Chico Alencar desde um ponto de vista individual, moralista, torquemadeano. Olhemos politicamente para o deprimente episódio.

Por que um homem da estatura moral de Chico Alencar desceu a esse ponto? A resposta é: sua prática política reformista. Foi sua prática política reformista aperfeiçoada através de uma militância séria e dedicada à causa dos de baixo, mas reformista, que o conduziu ao ponto de rastejar-se ante os Aécios e Noblats da vida, estes, por sua vez, escória da podridão capitalista. Em 1915, pouco mais de um século portanto, o cientista político Robert Michels (existiram e existem cientistas políticos sérios – poucos, é verdade, mas existiram e existem) concluiu após sólida pesquisa pela inevitabilidade da degeneração dos partidos políticos socialdemocratas e reformistas em geral. Não precisamos ir longe: o PT está aí como prova (ainda) viva da correção da tese de Michels. O PSOL avança solidamente na raia da degeneração e em breve, muito em breve, cruzará a linha de chegada a bordo da nave enferrujada do reformismo. Reformismo que hoje, nestes tempos sombrios de capitalismo neoliberal, se traveste na roupagem camaleônica do gramscianismo.

Que sirva o episódio Chico/Aécio de mais um alerta-símbolo para os males que o reformismo causou, causa e causará sempre à luta dos trabalhadores. Foi e tem sido o reformismo um dos causadores das mais sangrentas derrotas sofridas pelo proletariado em toda a história das lutas de classe. É ao fracasso, e somente ao fracasso, que o reformismo conduz. É preciso, como recomendou enfaticamente Lênin, combatê-lo de forma dura e eficaz. E a forma eficaz de combater o reformismo é, sempre, fazer do marxismo o ponto de partida, o caminho e o ponto de chegada da luta do proletariado por sua libertação revolucionária.

Venceremos!

 


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